sexta-feira, setembro 28, 2007

Uma estrada e sua poeira...








A Pasta (poema corrupto)

Por Rinaldo de Fernandes


Uma estrada cabe

dentro de minha pasta.

Uma estrada e sua poeira.


Um edifício fino

Um educandário

três pontes

mil touros

dormem em minha pasta.


De asas estou largo:

comprei a pasta

porque nela um importado parou

que me dará férias ao avião.


Encerrei na pasta

uma fauna e uma flora:

basta abrir o zíper

e um papagaio alarda anedotas,

um canário coça-me os ouvidos,

uma andiroba atira-me um galho...


Eu como florestas,

eu bebo andorinhas.


Almoço de folhas,

sobremesa de penas.


Cabe não perder a pasta

(como certos peixes)

nos remansos de meus sábados.


4 comentários:

Luiz Carlos Reis disse...

Poema maravilhoso! Métrica e sinergia perfeitas!

Emocionou-me o alento!

Abraço!

João Rato disse...

Tomaríamos nós que as palavras saíssem assim da boca deles, nesse caso, era porque eles tinham estados de poesia e, consequentemente, dificilmente seriam assim.
Mas mesmo assim, não deixa de ser bonito por versos na boca dessa gente!
Abraço

Kaotica disse...

luiz carlos reis

Encontrei-o, não o conhecia. Mas também me apaixonei pelo seu estilo original. Ainda bem que gostaste!
Vou ver se tem coisa nova lá no teu blog, se te deu mesmo alento!

Abraço

Kaotica disse...

joão rato

Um bom poeta põe o poema até na boca do diabo!

Abraços!

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