terça-feira, maio 20, 2008

Cão que ladra não fuma


Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça e
logo foram janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?
E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escreveremos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelos nomes que elas são.

Ary dos Santos

4 comentários:

meg disse...

Kaótica,

Mas que bem apanhado! E tão bem produzida a imagem que entre esta e a real, é muito difícil distinguir.

Um abraço



PS: Não sei se já te informei que agora estou em

recalcitrantemor.blogspot.com.

Um abraço

PLI disse...

Olha que belo poema, não o ouvia ou lia, há tanto tempo que já estava esquecido.

Kaotica disse...

meg

A imagem é do Kaos, o poema do Ary, apenas as juntei e trouxe para aqui para este cantinho onde posso fazer o que me apetecer.


Já lá fui e está guardado, no meu coração de blogues.

Abraço

Kaotica disse...

pli

Ainda bem que gostaram!

Bjinhos

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