segunda-feira, agosto 11, 2008

Maré de Poesia Brasileira

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Imagem daqui

isadora, aos 14 anos, hoje

Filha, omundoestádifícil, eu sei.
O teu anti-americanismo é justo
e compreensível, eu sei.
Há crianças morrendo de fome:
na África e nas Américas.
Também na Ásia
e nos bairros da periferia.
Vi as tuas lágrimas de revolta
quando os jornais
anunciaram os bilhões de dólares
que as guerras contra a humanidade
consumiram em 2003.
Por quê?, por quê?, por quê?,
indagavas.
Mas as minhas explicações
de nada adiantavam. Eu sei, eu sei.
Os pássaros azuis da madrugada
sonham com os teus sonhos
rebeldes.
E choram.
Eu sei:
há a poesia.
Mas para que serve a poesia
diante da miséria humana e social?
Há a beleza da vida.
Mas para que serve a beleza da vida
diante das impunidades e dos assassínios em massa?
Eu sei, eu sei:
omundoestámaiscrueldoquenunca,
e só tenho algumas auroras
prateadas pranteadas
para te oferecer de presente.

Moacy Cirne

(poema retirado daqui)




7 comentários:

Maria Branco disse...

Olá

Fui ler os poemas e gostei muito, estou a gostar das tuas sugestões de leitura.
As férias são assim, permitem-nos este vaguear sem pressa.

Hoje deixo aqui uma frase, que gosto muito, dedicada a ti e a todos que pensam que ser cidadão é participar.
E que temos o dever de mudar pelo menos um grão de areia e não permitir que nos "comam as papas na cabeça". Procurar a unidade e sermos solidários entre humanos de todo o mundo, isto sim seria a verdadeira globalização e união dos povos, dentro da soberania de cada um.

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Bertolt Brecht (1898-1956)"

Continuação de boas férias

beijinhos

Isabel

dml disse...

Muito bonito e triste a nossa realidade!

Bem referenciado!

Tudo de bom!

Beijinhos

o escriba disse...

Segui a hiperligação e gostei muito dos poemas. Este que aqui é apresentado emocionou-me. As "auroras prateadas e pranteadas " é uma bela imagem perspectivando um futuro que é já hoje. Obrigada pela sugestão de leitura.

bjs
Esperança

Kaotica disse...

Isabel

Obrigada por me lembrares essas frases. Já em tempos a coloquei aqui no Pafúncio, salvo o erro. Ainda bem que tens curtido vir aqui ao Pafúncio. Às vezes fico sem saber muito bem se as pessoas gostam do que eu coloco aqui. Parece-me sempre tão pouco comparado com outros prodígios de blogues que eu visito.

Sim, temos a cima de tudo que estar unidos, unidos como as uvas estão no cacho. E não devemos temer as uvas mijonas, nem ter piedade de nos desembaraçarmos delas. Romper, romper como tudo o que sejam cadeias que vêm nos oprimir. Fora com o que não presta: se a União Europeia está a mijar fora do penico, para seguir no mesmo vocabulário, então é preciso romper com os seus dirigentes, gritar-lhes nas ruas que não queremos acordos bilderberg que nos ultrapassam nem queremos acordos feitos por sindicatos-fantoche que fingem nos representar. Quer seja com a crise, quer seja com o desemprego, ou com as inevitabilidades da globalização, é preciso romper com estes nossos dirigentes dirigidos e com os outros que os dirigem a eles e assim sucessivamente. Não sei como se faz mas a minha intuição diz-me que só na mais completa união de vontades. Nós não bastamos mas podemos ajudar a unir. Temos pelo menos que apontar o dedo e denunciar o que nos pareça injusto!

Um grande abraço

Kaotica disse...

dml

Também acho muito bom! Ainda bem que gostaste.

Curti saber que tens um blogue com o Outsider. Se contactares com ele dá-lhe um abraço da Kaótica.

Obrigada pela visita aqui.

Kaotica disse...

o escriba

Fico muito contente por dar a conhecer a poesia do Moacy Cirne. Para mim foi uma boa surpresa conhecer a sua poesia e um grande privilégio partilhar dos seus gostos literários.

A poesia quando se dá com ela dá vontade de sair a espalhá-la aos quatro ventos para a tirar das gavetas, das prateleiras, do esquecimento e a dar a conhecer a toda a gente que queira ir ao seu encontro.

É sempre bom saber que alguém aproveitou a ligação.

Um abraço

DML disse...

Kaotica

Nao tenho um blog com o Outsider. Sou o irmao dele, ja tenho o meu blog ha muito, andei um pouco longe mas estou de volta a escrever.
Vou estar com ele a 29 de Agosto quando for para a minha bela nacao que e Portugal!

Beijinhos

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