domingo, março 15, 2009

Que união europeia nos propõem?

Os líderes da União Européia admitem abertamente ter tomado como base o rejeitado projecto de Constituição e o reembalado num formato ilegível, de forma que o povo não pudesse exigir o direito de votá-lo. Eles também admitem abertamente que seu motivo é o medo de os cidadãos rejeitarem o documento.
Isto não é democracia – forjar uma maquinação em torno de algo que não conta com o apoio dos cidadãos. Eles precisam encarar o próprio medo e se perguntar que tipo de UE nosso povo quer, e qual seria a melhor forma de criá-la. Esta é a chave para resolver o dilema.

Se as mudanças no Tratado são tão importantes para os 27 países – e acreditamos que sejam – então se deveria conseguir a aprovação do povo. A população da Irlanda chegou à mesma conclusão a que os franceses e holandeses haviam chegado em relação ao precursor do Tratado de Lisboa.

Os irlandeses contam com amplo apoio em toda a UE. Opositores do Tratado Constitucional, especialmente na França e na Holanda, vêem no "não" irlandês uma oportunidade para uma real reforma, exigindo que se suspenda o processo de ratificação desta proposta já duplamente rejeitada.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, é um dos que afirmam que o Tratado ainda está vivo e que a ratificação deve prosseguir. Isto é muito perturbador e demonstra total desprezo pelo processo democrático e pelos direitos dos cidadãos.

Os tratados da UE têm que ser ratificados por unanimidade. Temos que refutar as falsas alegações da elite européia de que os outros 26 países-membros possam chegar a outro acordo, sem a Irlanda. Tal coisa é legalmente impossível.

Patricia MacKenna integra a presidência do Partido Verde irlandês e já foi deputada do Parlamento Europeu.

Daqui

2 comentários:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

É preciso ver que a União Europeia não é uma democracia, nem mesmo formalmente. Por vontade da classe política e das oligarquias, nunca o será.
De modo que nos compete a nós, cidadãos, rejeitar a Europa que nos querem obrigar a engolir de modo a que se possa fazer a Europa que queremos.
Está-se a tentar formar, a partir da irlanda, o primeiro partido político europeu: o Libertas. Este projecto tem enfrentado uma resistência feroz por parte da Comissão Europeia, que alega não estar prevista em nenhum tratado a existência de partidos trans-nacionais. Para contornar esta resistência poderá ser precisso registar este partido país a país em todos os estados membros.
O Libertas propõe, entre outras coisas, que o Presidente da Copmissão Europeia passe a ser eleito (directa ou indirectamente), que os poderes da Comissão Europeia sejam reduzidos e que sejam aumentados os do Parlamento Europeu, que passará a ter o poder de iniciativa legislativa.
O Libertas é acusado de ser anti-europeu e eurocéptico, quando na realidade é muito mais pró-europeu do que qualquer outro partido.
Se à data das eleições europeias o Libertas já estiver legalizado em Portugal, terá o meu voto.

Kaotica disse...

Caro José Luiz Sarmento

Aconselho uma visita ao blogue da RUE (Comissão Nacional Ruptura com a União Europeia).

Cumprimentos

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