sábado, janeiro 13, 2007

... de olhos e de córneas muito abertas


«Ainda procuro um camelo que vi na estrada a puxar uma carroça, mas a imagem passou-me como se o passado tivesse ali ficado naquela foto que não fiz.» Luíz Carvalho, Coordenador-Geral de Fotografia do EXPRESSO

Ao ler o Expresso On Line, deparei-me com um artigo chamado A angústia do fotógrafo antes de disparar sobre a Índia pobre e moderna e eis que tenho a sorte de encontrar mais um brilhante comentário do Arrebenta, o qual não resisti a incluir aqui no Pafuncio. Por que é que eu gosto tanto dos textos do Arrebenta? Porque o seu humor é rápido e certeiro como o disparo do fotógrafo mas com a vantagem de raramente falhar algum camelo.

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Comentário:

Arrebenta++

A Procissão das Córneas

«A caminho da Índia, com a sua ridícula Maria atrás, Aníbal não se esqueceu de incluir Leonor Beleza, e a Fundação Champalimaud, como alguém diria, duas coisas que cheiram mal, numa só alma. Por Leonor Beleza tenho o desprezo e a total frieza que me merece uma criatura que conseguiu revelar o desprezo e a total frieza por todos os seus concidadãos, e por alguns, em especial, que não referirei, mas que neste texto pairam, como mera sombra.

Lançou-se o tal Coio Champalimaud sobre o negócio dos Olhos, Optometria e sacos azuis afins. Tal nada teria a ver com a Índia, não fosse a Índia um dos melhores produtores de artigos de cirurgia óptica, e é aqui que duas coisas que, só por si, já fediam, ainda mais parecerem feder.

Todavia, como nas fábulas, e como Borges diria, ainda nos falecia a terceira: uma córnea, no mercado negro, pode chegar a valer 1 000 000 de Euros. Dinheiro, e, portanto, vai B.E.S. e B.C.P, para que cofres haja onde se guardem as muitas notas. Apenas faltaria alguém com a frieza e o desprezo cego para poder capitalizar esses recursos, e pelas ruas das muitas calcutás indianas o que mais sobra são crianças a morrer de fome, de fome e olhos abertos, melhor falando, de acordo com o "business" de olhos e de córneas muito abertas.»

Janeiro 13, 2007 1:25

2 comentários:

jorge sineiro disse...

Dou-te razão, este tiro-texto não falha nem um camelo da comitiva dos cavaquinhos e cavaconas.

Um abraço.

Anónimo disse...

Até arrepia, mas a realidade nua e crua tem este efeito, não é?
Um abraço.

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