terça-feira, outubro 30, 2007

Opções...

Cartoon daqui

«Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.

Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos
Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos
passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de
vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e
social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos
dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos
resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino
Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e
jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à
terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol
desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem
optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de
multinacionais.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos,
onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por
passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem
essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas
extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos
na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20
ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cercade 7,5 mil
milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela
União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de
portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de
pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros pode-se construir mil escolas Básicas e
Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil
obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil
creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma) e mais mil centros de
dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas
outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede
viária secundária.

CABE ao Governo REFLECTIR.

CABE à Oposição CONTRAPOR.

CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!

CABE À TUA CONSCIÊNCIA DIVULGAR OU DEIXAR ANDAR!»

(recebido por mail; retirado daqui)

3 comentários:

sa morais disse...

Um post muito lúcido.
A recordar-me a politica do alcatrão... Para escoar melhor os nossos produtos - diziam eles. Quais? - pergunto agora eu. Mas até já percebi... É para os nossos jovens sairem mais facilmente desta m... de país e imigrarem.

jinhos!

João Rato disse...

Estão determinados a não ouvirem a voz da razão, o país inteiro já se apercebeu do logro que será o TGV, só o governo é que não porque se está nas tintas!

ruy disse...

Oportuno Post.
Vou reproduzir no "classepolitica".

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