quinta-feira, janeiro 03, 2008

G'ANDA ASAE!

A ASAE tem sido vítima de muita mentira injusta e já apareceu a queixar-se disto mesmo (ver a “desmistificação dos mitos”, Revista Visão, nº. 773, p. 79). Afinal a Bola-de-Berlim não tem o seu destino marcado, a menos que os malandros dos calcorreadores de praias não estejam dispostos a carregar uma arca frigorífica às costas; e os brindes do bolo-rei podem continuar a existir desde que não tenham nada a ver com o bolo-rei, pode vir em peças separadas para montar, caramba! (mas onde é que ainda há bolos-rei com brinde a não ser a fava?); e quanto às cores diferentes das facas, parece que podem ser uma azul clara, outra azul-bebé, outra azul escura e mais uma azul-celeste. Todos azuis: azuis-claros para um lado, azuis-escuros para outro. Mas não ouvi dizer que era mentira que por cada fatia cortada de fiambre ou queijo, tinha que se pôr uma etiqueta com a data e a hora. E sinceramente estes argumentos meio-parvos que estou agora neste momento a ouvir de um crânio como o do Pacheco Pereira, a dizer que quer os copos lavados, já me cheiram a demasiada estupidez argumentativa. Claro que deve haver inspecções para penalizar quem não lava os copos, mas daí até se proibir a venda de queijos caseiros e enchidos nas feiras, acho que vai toda a distância entre a estupidez e o bom senso. A ASAE está a exagerar porque deliberadamente não faz distinção entre o que é nojeira e tradição: acaba com tudo o que é genuinamente nosso, dá cabo da alimentação tradicional, tanta inocuidade tira-nos até as nossas defesas naturais e nacionais; hoje correr-se o risco de comer açorda sim mas de panrico. Uma vez vi um panrico sem côdea nem miolo a secar à minha frente logo que exposto ao ar, como se fosse uma estranha substância sobrenatural metamorfoseando-se. Por cima da ASAE há toda uma estratégia europeia, global, com o plano sinistro de exterminar o nosso vinho, produzido pelos viticultores portugueses, para nos fornecerem em troca vinho holandês, com aroma a tulipa murcha, ou vinho belga com o aroma dos cadáveres de crianças vítimas de pedofilia ou vinho chinamarquês. Nisto tudo o que mais me desespera é a falta de bom-senso de tudo isto.

E logo hoje aquela notícia do senhor presidente da ASAE apanhado com a boca na botija, no casino royale. Vem a velha polémica: serão os casinos realmente meros recintos fechados ou aqui o caso muda de figura? Uns apressados levantam o véu: casino é diferente, aquilo é antro de vício instituído, ganha-se muito com o charuto, ali pode-se, com certeza, quem o irá contestar, além disso os não fumadores não frequentam os casinos, será? E as bailarinas que levem com os fumos que são pagas para isso. Do outro lado o povo, feliz e contente por poder a continuar a ir ao estádio fumar o seu cigarro proibido e chamar nomes ao árbito para desabafar dos políticos. Eis a alegria dada ao povo de mão beijada, é ar livre não tem recinto desportivo fechado, toca a fumar ali para toda a gente ver, ali naquele futebol não entram proibições de fumar, benvindos ao clube. Diz que não era um cigarro e que ali ainda não estava proibido. Fosse lá o que fosse ardia e fazia fumarada, e não há fumo sem fogo, o senhor deu nas vistas, não por ser humano e fumador, mas por ser nem mais do que o presidente da ASAE. E logo agora, G’ANDA ASAE!

Também notei que na sequência da notícia do “apanhado” se falou nos clubes de fumadores que vão proliferando aqui e ali por essa Europa dos 27, noves fora nada. Não tardará a que apareçam clubes privados de tudo e mais alguma coisa, com as suas próprias normas fora-da-lei-que-os-próprios-criaram. Uns poderão continuar a fumar nos casinos, outros continuarão a fumar nos estádios, chouriços e queijos tradicionais serão vendidos no mercado negro. Vícios privados, públicas virtudes. Portugal sanado, deslavado, plastificado e embrulhado, fumando às escondidas pelos casinos.

Vem-me sempre à ideia o triunfo dos porcos (Animal Farm, Orwell) e a forma como os porcos ocuparam a casa do poder, bêbados que nem homens e a dizerem aos outros que todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros.


2 comentários:

Meg disse...

Mas esta foi a cereja em cima do bolo... nem Orwell o salva.
Sobre a ASAE, então, mesmo nas pastelarias já quase só se encontram aquelas "coisas de massa folhada, saudáveis que, congeladas industrialmente, vão ao forno, e se não forem consumidas de imediato se transforma num atentado à saúde de qualquer mortal.´Até com o pão se passa a mesma coisa.
A quem interessa isto? (E estou a falar de dinheiro, claro!)

Quem põe fim a isto?

Um abraço

rendadebilros disse...

O senhor prova agora do seu próprio veneno... e também precisa de umas aulinhas de Português: não se diz "interviu" senhor Presidente, diz-se "interveio"..

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