quinta-feira, junho 14, 2007

As punições do nosso descontentamento


20:57 / 14 de Junho 07 TSF Online:

DEFESA
Mais um sargento detido por participar em protesto

Um sargento da Marinha começou, esta quinta-feira, a cumprir uma pena de cinco dias por ter participado num protesto, em Novembro de 2006. No entanto, a Associação Nacional de Sargentos interpôs uma providência cautelar pela sua libertação.

António Lima Coelho, presidente da ANS, disse à Agência Lusa que o sargento António Dias, membro da direcção da associação, começou hoje a cumprir a punição e está detido na Base Naval do Alfeite, em Almada. Esta manhã, a ANS accionou os serviços jurídicos para interpor uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, com vista à libertação do militar, e Lima Coelho espera que produza efeitos «ainda hoje» ou «no máximo» sexta-feira de manhã. O sargento António Dias é o 12º militar a ser punido pelas chefias militares por participar no «passeio do descontentamento», realizado a 23 de Novembro de 2006, em Lisboa, contra os cortes na defesa e no sistema de saúde, considerado ilegal pelo Governo. Lima Coelho explicou à Lusa que o sargento Dias foi punido «por ter assistido, num local privado, a esplanada do Café Martinho da Arcada, à conferência de imprensa que se seguiu ao passeio». Ainda segundo o dirigente associativo, António Dias aparece numa «reportagem fotográfica» alegadamente fornecida pelo Ministério da Defesa Nacional às chefias militares e que já foi objecto de uma queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP).

Mais uma notícia que vem confirmar que a liberdade está em risco com este governo. Os militares não se podem manifestar mas até há pouco podiam sair à rua, podiam sentar-se numa esplanada e andar pelas ruas sem o temor de serem fotografados, podiam expressar a sua opinião sem temerem a prisão. Foi pela defesa dos seus direitos de classe profissional, e para garantirem a todo o povo português -- eles também são o povo português -- o fim da ditadura e a reposição da liberdade, que fizeram o 25 de Abril. Agora voltam a cair em situações de clandestinidade, e os que ousam ainda assim encontrar estratégias para protestar pacificamente pela manutenção seus direitos que estão a perder - que todos estamos a perder - são punidos, presos para servirem de exemplo. Porque eles são militares têm que dar o exemplo da obediência civil e por isso, têm que ser penalizados, presos como exemplo, castigados como meros tropas em tempos de recruta. Felizmente existe entre os militares o espírito de camaradagem. A solidariedade de que nem todos somos capazes, por isso dizemos apenas que são militares: militar e militante têm uma mesma raiz. Outros militares se mobilizam prontamente para o tirar dali, e formam um muro, uma muralha de aço que a lei terá que destruir. Chegaram ao ponto de recolher e utilizar como prova imagens, fotografias de uma pessoa que está sentada numa esplanada, ouvindo a conferência de imprensa dos seus camaradas.
Toda a relevância que o Estado dá a este caso, levando os seus intervenientes às últimas consequências de uma prisão militar, mostra como o poder teme esta força, este espírito de união que tanto nos tem faltado.
Proponho que se organizem mais passeios do descontentamento. O que faria o poder se todos os descontentes começassem a organizar entre si passeios do descontentamento. Quem poderá impedir que nos passeemos por aí demonstrando o nosso descontentamento?

3 comentários:

Laurentina disse...

GANDA CORJA DE FILHOS DA PUTA...

DESCULPA-ME A EXPRESSÃO MAS NÃO DÁ PARA SEGURAR A LINGUAGEM!!!

BEIJÃO

João Rato disse...

O verdadeiro militar, o verdadeiro polícia, é aquele que não faz nada contra o regime, tudo a favor do regime!

Kaotica disse...

Yesssss, Ssssir! (batida de pala)

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