segunda-feira, outubro 20, 2008

In Memoriam

Expresso, Acordo Plataforma/ME
(carregar sobre a imagem para ler)

A luta dos professores, a força que demonstraram na Marcha da Indignação em que desfilaram 100 000, era afinal o "restolho já seco" de que Carvalho da Silva falava quando o gritava nas manifestações da CGTP. Então por que seguraram este governo? Por que deitaram um balde de água fria sobre o movimento dos professores com a solução pífia da assinatura do Memorando do Entendimento? Por que não o ligaram aos outros sectores de trabalhadores em luta? Não é uma força cada vez maior que se pede às centrais sindicais para promover e apoiar os trabalhadores organizando a sua luta? Aqui o caso era bem sério e, como tal, tudo foi resolvido nas mais altas esferas. O próprio Carvalho da Silva foi chamado a interceder no sentido de apaziguar a revolta dos professores. E intercedeu. Lá deve ter dado um puxão de orelhas ao seu discípulo Mário Nogueira a conselho do senhor primeiro-ministro, em reunião promovida pelo ministro do trabalho, Vieira da Silva (será por serem todos "da Silva"?) e todo este cozinhado abençoado pelo presidente da república. Cada vez mais à distância, dá que pensar...

Razões que a razão desconhece...

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Comentário encontrado no KAOS, no post Manifestação Professores:


Luta Social disse...

A LUTA DOS PROFESSORES E OS EQUÍVOCOS DE LURDES RODRIGUES

O que à ministra Lurdes Rodrigues lembra, já aos Professores e à sua mais representativa organização sindical, a FENPROF, esqueceu, pelo que se torna necessário tecer alguns comentários face ao que afirmou a ministra em resposta a uma questão que lhe foi colocada em entrevista recentemente publicada. Diz a ministra, a propósito da manifestação nacional convocada para dia 8 de Novembro e das posições da FENPROF sobre a avaliação de desempenho, que espera da “FENPROF sentido de responsabilidade, coerência e também alguma lealdade. Eu não ponho a minha assinatura em qualquer papel, nem a ponho para a mandar apagar amanhã. Quando assumo compromissos, assumo mesmo compromissos.”

Pois bem, a Ministra da Educação desta vez não se enganou, a FENPROF, com sentido de responsabilidade, coerência e também muita lealdade, não deixará de fazer o que deve ser feito! Só que, penso que Lurdes Rodrigues sabe isso, a lealdade de que fala a FENPROF deve-a aos Professores e assumi-la-á. E se, de avaliação do desempenho se falar, coerência é o que a FENPROF não deixará de ter, pois não se limitará a defender a eventual suspensão da sua aplicação, uma vez que quer destruir o modelo imposto pelo ME. A Ministra da Educação sabe disto, ou não tivesse ouvido a declaração da Plataforma Sindical dos Professores, lida à sua frente, por mim, no dia 17 de Abril (data de assinatura do Memorando de Entendimento): “…os pressupostos base do desbloqueio da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergência de fundo que as organizações sindicais mantêm sobre…/…

o modelo de avaliação do desempenho que se considera injusto, burocrático, incoerente, desadequado e inaplicável…/… estas são razões para que, apesar do entendimento agora encontrado, os professores continuem a lutar…”.

Tal como a Senhora Ministra, que não coloca a sua assinatura em qualquer papel nem a manda apagar no dia seguinte, também os dirigentes da FENPROF assim agem. De facto, a assinatura foi colocada num papel que incluía o Memorando de Entendimento, por terem sido assumidas, pelos Sindicatos, e pela FENPROF em particular, as suas responsabilidades. Senão vejamos:

As escolas vivem, hoje, uma verdadeira tormenta com os primeiros procedimentos relativos à avaliação de desempenho a serem desencadeados. A maior parte apenas iniciou a aprovação dos instrumentos internos e, em algumas, está em curso a fixação dos objectivos individuais. Todavia, o ambiente que se sente é já de “sufoco”, de falta de tempo para o desempenho por causa da avaliação do dito, de conflitualidade, por vezes já perfeitamente instalada.

Mas, como diria o povo, ainda a procissão vai no adro… Na verdade, para além destes primeiros procedimentos, faltam, depois, as observações de aulas, a elaboração dos portefólios e/ou de outros instrumentos internos de avaliação, o preenchimento de fichas e grelhas, algumas infindáveis, a disparatada tabela de resultados escolares para que sejam comparados, as entrevistas com os avaliadores, as reuniões das comissões e departamentos, as classificações, a aplicação das quotas…. ou seja, se, neste ano lectivo, o processo for até ao fim, o bom desempenho dos docentes e o normal funcionamento das escolas serão duramente afectados com grande prejuízo para as aprendizagens dos alunos.

Se, ao longo de um ano inteiro, este processo seria muito complicado de levar até ao fim (o que confirma as previsões da FENPROF “… o modelo de avaliação preconizado pelo ME, a aplicar-se, introduzirá focos de instabilidade nas escolas, aumentando a sua instabilidade…”), imaginemos que teria de ser aplicado em apenas 3 meses (por exemplo, de Outubro a Dezembro…). Admitamos agora que, como pretendia o ME, esses três meses teriam sido Abril, Maio e Junho, isto, é, os últimos do ano lectivo transacto… Que teria acontecido aos professores? Como teria sido o final de ano dos alunos portugueses? O que teria acontecido à Escola Pública? Sim, à Escola Pública, pois é dessa que falamos…

A Escola Pública, que é frequentada pelos filhos dos trabalhadores e em que trabalha a esmagadora maioria dos docentes, teria entrado em colapso, os alunos teriam sido prejudicados, em alguns casos irremediavelmente, os professores teriam sido muito prejudicados.

Nestes, haveria despedimento de contratados e, este ano, no grande grupo dos docentes dos quadros, teríamos perdas de dois anos de serviço, devido aos efeitos previstos da avaliação… Quanto ao regime de avaliação, manter-se-ia em vigor sem que ficasse previsto qualquer período para a sua alteração.

É fácil perceber, e a FENPROF nunca o escondeu, que a assinatura do Memorando de Entendimento não visou caucionar o modelo de avaliação; só por má-fé se pode afirmar o contrário. A assinatura, em 17 de Abril, do Memorando de Entendimento, foi, talvez, a decisão mais difícil de tomar, eventualmente a menos simpática (apesar de legitimada por 82% dos professores que participaram no Dia D), mas a única que, responsavelmente, poderia ser tomada. É que os Sindicatos não podem deixar de assumir as suas responsabilidades perante os Professores, perante a Escola Pública e perante a Sociedade.

Fizeram-no e bem. Orgulho-me de ter sentido o peso de uma classe profissional naquele momento e de ter assumido, com responsabilidade, a sua representação. Se isso não tem acontecido em que situação estaríamos agora? Ninguém sabe e esse é o problema. Os professores perguntar-se-iam sobre a utilidade de organizações que se teriam revelado incapazes de parar o tremendo disparate que se abatia sobre as escolas. Mas admitamos, como alguns afirmam, que a Ministra teria caído (o que duvido; penso, mesmo, que estaria hoje reforçada…) que ganhavam os portugueses com isso?! Uma cara mais simpática?! Talvez, mas isso aconteceu na Saúde e que mudanças trouxe?! Quantos centros de saúde reabriram? Quantas maternidades voltaram a funcionar? Que vantagens tiveram os trabalhadores do sector no que respeita às suas carreiras, aos horários de trabalho, ao emprego ou condições trabalho?

Nenhumas!

A luta está aí de novo, e continua já em 8 de Novembro, com todos aqueles (e são a maioria) que ainda não desistiram! Alguns decidiram manifestar-se, também contra os Sindicatos e chegaram a marcar data.

Estão no seu direito, claro, mas o serviço que prestam não é, de forma alguma, aos Professores. Estou convencido que Lurdes Rodrigues agradecerá e continuará, nas entrevistas seguintes, a atacar os Sindicatos ou, também ela, a tentar denegrir a sua imagem.

Mário Nogueira
Secretário-Geral da FENPROF
.....
Comentário de Manuel Baptista
Outubro 17, 2008 às 7:41 pm
É patético… este gajo esquece-se de dizer (mas todos nós sabemos!)que as organizações que apelaram para a manif de 15 de Nov. o fizeram ANTES de que qualquer sindicato tivesse feito qualquer esboço de movimento de contestação!

Quando essas associações fizeram a tal convocatória, que não era dirigida CONTRA sindicatos (isso é uma pura calúnia, inclusive muitos dos seus mentores e apoiantes estimavam como positivo que as estruturas sindicais apoiassem a manifestação…), vem o Sr. Mário Nogueira atirar contra a referida manifestação e convocar à pressa um «plenário» de sindicatos seguido de manifestação para o sábado anterior!!!

Penso que está claro quem é apologista da divisão!
Não é a Fenprof, que congrega provavelmente muitas dezenas de milhar de membros que NÃO SE REVÊEM NAS DECLARAÇÕES DIVISIONISTAS e persecutórias do senhor Nogueira.

domingo, outubro 19, 2008

Professores: Unidos contra a assinatura do Memorando de Entendimento


CONTRA A ESPADA DE DÂMOCLES O MEU GRITO DE REVOLTA!

UNIDADE E LUTA É O CAMINHO!

João Vasconcelos (*)


Sou membro do Conselho Nacional da Fenprof e também faço parte do Movimento Escola Pública pela Igualdade e Democracia. Mas acima de tudo sou um modesto professor. Um professor que discordou – tal como todos os professores do meu Agrupamento que reuniram no Dia D - do Memorando de Entendimento assinado entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical de Professores. E porquê? As razões encontram-se expostas num artigo que escrevi no passado dia 14 de Abril (antes do Dia D, 15 de Abril e em que a Plataforma já anunciara que aceitava o Memorando). Este artigo, com o título “Vitória Pírrica?”, circulou pelos blogues e até motivou a criação do blogue http://fenixvermelha.blogspot.com/, (aqui se encontra como 1º artigo), perante o grande descontentamento e revolta face à previsível assinatura do memorando. Na reunião do Conselho Nacional da Fenprof, de Junho, continuei a discordar do acordo e, a realidade dos últimos desenvolvimentos – com apenas um mês de aulas – estão a provar a justeza das minhas posições (e de todos aqueles que não aceitaram o memorando, um pouco por todo o país).

Escrevi em “Vitória Pírrica?” que o «Memorando (…) se transformará numa grande vitória de Sócrates e da Ministra e numa profunda e dramática derrota dos professores, se estes não continuarem vigilantes e mobilizados. Afinal o que se conseguiu com o Memorando? Muito pouco, tendo em conta que vieram 100 mil professores para a rua. A Marcha da Indignação do passado dia 8 de Março é a prova provada do descontentamento e da revolta de uma classe profissional como nunca se viu neste país. E tudo levava a crer que os professores estavam dispostos a continuar uma luta que só agora a iniciaram em força. Ficamos com um sentimento de vazio e com uma sensação de que era possível ir muito mais além. Conseguiram os professores uma vitória pírrica? Se assim foi, vão ser, nos próximos tempos, inevitável e clamorosamente derrotados. E a Escola Pública vai ser, inexoravelmente destruída».

Efectivamente, digo e reafirmo hoje que os professores conseguiram “uma mão cheia de nada” e a questão central – esta avaliação de desempenho - apenas foi protelada no tempo. Com uma agravante: bem muito pior do que julgou a Plataforma Sindical. Passou apenas um mês de aulas e os docentes estão fartos, já não aguentam mais. Tal como no início do ano, a sua revolta surda sente-se e ouve-se nas escolas e vai explodir de novo. É por isso cedo para Sócrates e a Maria de Lurdes cantarem vitória, pois os professores vão mobilizar-se de novo e voltar à rua, não obstante ter sido assinado um Memorando de entendimento. A próxima vitória não poderá ser à moda de Pirro – as consequências para a classe docente seriam desastrosas.

Voltando ao artigo, sublinhava a dado passo: «Só nos meses de Junho e Julho de 2009 – como prevê o Memorando – é que haverá ‘um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações’ do modelo. Mas então não se trata de um modelo de avaliação altamente burocrático, injusto, punitivo, subjectivo, arbitrário, economicista, quer vai manter as quotas e assente numa estrutura de carreira dividida em duas categorias? É este o cerne da questão – o Estatuto da Carreira Docente tem de ser revisto, alterado, revogado e os professores jamais poderão aceitar estarem divididos, de forma arbitrária, em duas categorias. O grito dos professores mais ouvido foi: ‘categoria só há uma, a de professor e mais nenhuma’. Disto não podemos abdicar».

Reafirmo que aqui reside o cerne da questão – trata-se de um modelo de avaliação que divide os docentes em duas categorias e que é economicista, punitivo, subjectivo, arbitrário, injusto e terrivelmente burocratizado. Veja-se o que está a acontecer nas nossas escolas – são reuniões e mais reuniões, grelhas para tudo e para nada, objectivos individuais que não têm ponta por onde se pegue, mais instrumentos para isto e para aquilo, são os inúmeros planos de aula, as aulas assistidas por titulares com formação científica diferente dos assistidos, é o receio da não obtenção de créditos e a penalização daí decorrente, é a conflitualidade nas escolas a aumentar (e infelizmente há sempre os mais papistas que o Papa). São medidas que não promovem a melhoria pedagógica e científica, antes pelo contrário e que visam o controlo administrativo dos professores e a proibição de ascenderem ao topo da carreira. É a Espada de Dâmocles que se encontra suspensa sobre a cabeça dos professores e educadores deste país. Nunca, em caso algum, a Plataforma Sindical –e em particular a Fenprof, como a estrutura sindical mais representativa da classe docente – devia ter assinado um acordo que contemplasse a manutenção do actual ECD. E os professores estavam dispostos a continuar com a luta.

Concluía em “Vitória Pírrica?” que os professores «terão de continuar a lutar (…), mostrando à Plataforma Sindical que é possível obter conquistas bem mais significativas (…). A Plataforma deverá continuar a manter a unidade e continuar a ser a porta-voz dos anseios e reivindicações dos professores. Um passo precipitado ou mal calculado poderá deitar tudo a perder, depois será tarde demais para voltar atrás. Por mim não assinava o acordo e continuava com a luta. Há razões muito fortes para tal. Temos a força de 100 mil professores na rua. Este é o nosso ponto forte e, simultaneamente, o ponto fraco de Sócrates, de Maria de Lurdes e do governo».

Os 100 mil professores que protagonizaram a Marcha da Indignação no passado dia 8 de Março nas ruas de Lisboa, responderam em uníssono aos apelos dos Sindicatos e dos Movimentos. A unidade foi a razão da nossa força e todos compreenderam isso. Cometeu-se um erro com a assinatura do Memorando. Mas tudo isto pode ser ultrapassável continuando a apostar na unidade e de novo na luta. Um novo passo errado acarretará, certamente, consequências desastrosas para o movimento docente e para a Escola Pública, que perdurará por largos anos. Respondendo aos anseios, aspirações e revolta dos professores alguns Movimentos convocaram uma manifestação nacional, para Lisboa, dia 15 de Novembro. Mais uma vez os Movimentos se anteciparam aos Sindicatos, não havendo nenhum mal nisto. Já não vivemos nos séculos XIX e XX, a vida mudou, os tempos são outros – só não mudou a exploração e a opressão dos poderosos sobre os mais fracos, antes agravou-se. E os Movimentos hoje fazem parte da vida e das lutas dos Povos. Assim como os Sindicatos continuam a ser imprescindíveis – quem não compreender isto não percebe a realidade onde se movimenta.

A divisão será o pior se acontecer no seio dos professores e em nada acrescentam as declarações anti-sindicais ou anti-movimentos. Todos fazemos falta, tal como aconteceu no passado dia 8 de Março. Quem protagonizar a divisão só irá dar mais força a um governo que despreza, massacra e procura destruir a classe docente e a Escola Pública e, será meio caminho andado para, mais cedo do que espera, ficar arredado da marcha inexorável da História.

O meu apelo é para que todos se entendam – Sindicatos e Movimentos de Professores – chegando a um consenso para a realização, em conjunto, de uma poderosa Manifestação Nacional no mês de Novembro. Condição indispensável para a obtenção da vitória. Os professores irão provar que têm voz e que têm força. Entendimento sim, mas desde que se aniquile o “monstro” (esta avaliação de desempenho e o ECD). Caso contrário, seremos devorados. Contra a “Espada de Dâmocles” o meu grito de revolta! Unidade e luta é o caminho!


(*) Membro do Conselho Nacional da Fenprof, do Movimento Escola Pública e Delegado Sindical na Escola E. B. 2, 3 D. Martinho de Castelo Branco – Portimão

Nota: Caso considerem útil, agradeço a divulgação pelos vossos contactos e blogues.

sábado, outubro 18, 2008

«Migalhães»

' MIGALHÃES '

Lá vem com o Avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação

Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem pitróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou

O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão

Mas o puto vem contente
Com o 'Migalhães' na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição

Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores
E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe

Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre, 'Migalhães'!


(autoria desconhecida, recebido por mail)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Prémios Ideias Fixas 2008

A todos os meus visitantes que quiserem votar no Pafúncio, podem fazê-lo AQUI:

O amigo Sá Morais lançou a ideia no seu Ideias Fixas e muito me enterneceu ter-se lembrado de lá colocar o meu mui humilde blogue que tão desprezado anda nestes últimos dias.

Já agora explico por que anda o Pafúncio tão desleixado: a acção sobrepôs-se uma vez mais à imobilidade, e o Pafúncio não é homem de acção, ele é até meio aburguesado. Já sabem que sou de ondas. Ora passo horas diante do computador a teclar ninharias; ora saio para a rua para me meter em muitas coisas ao mesmo tempo: uma associação de pais em final de mandato, a ter que apresentar as papeladas em ordem; uma campanha para a eleição para um novo mandato; duas comissões, duas árduas tarefas - a defesa da escola pública/a ruptura com a União Europeia; uma passagem atribulada pelo Movimento Associativo dos Pais (MAP), reuniões atrás de reuniões, aulas de Tai Chi e Chi Kung (ainda muito insipiente, movendo-me em tentativas e imitações), blogues colectivos, filhos e cadilhos, panelas e fundilhos. E hoje surgiu um telefonema que promete que vem por aí muito trabalhinho pela frente, daquele de queimar as pestanas (não, não arranjei emprego, eu apenas sei meter-me em trabalhos!). Um dia eu crio um B.D.I. (Blogue Devidamente Identificado) e lá coloco a boca no trombone sobre todas estas coisas da esfera privada que só vou dizendo aqui por meias palavras.

Suspeito que o Pafúncio vai passar um mau bocado, deixado por sua própria conta e risco, sem assiduidade nem brio.

Altas horas passo por aqui e apenas vos deixo a todos um abraço sem prazo de validade e a partilha de um video daquele músico que me é muito querido e a quem sempre recorro quando fico sem palavras.

Até já!







terça-feira, outubro 14, 2008

In Memoriam


Numa altura em que, mais do que nunca, é preciso alertar pais, alunos e população para o estado de coisas que se vive na educação, alguém atento lembrou este excerto da entrevista de Medina Carreira à Sic em Julho passado:

JGF - Mas na educação há, pelo menos, a avaliação dos professores…

MC – Mas você acredita nisso?

JGF – Pelo menos, oficialmente, está aprovada….

MC - Oiça, eu nem quero falar da educação, porque as crianças, os jovens de hoje, eles não perceberam que se deviam revoltar contra os políticos. Os políticos estão a hipotecar o futuro deles.

(…) A ministra não percebeu o que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem mantendo os alunos indisciplinados (…) A primeira coisa era pôr ordem nas aulas.

Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles no futuro - vão ficar uns ignorantes a maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos, eram os meninos.

GF - O que o Sr. está a referir já não é um problema de governação ou de relação entre governados e governantes.

MC – É sobre quê?

GF - É mais vasto, é civilizacional… é da organização do país e da relação de civilidade entre as pessoas.

MC - Se você disser aos pais e aos meninos: "Bom, isto é civilizacional, somos todos uns selvagenzitos, não é para aprendermos coisa nenhuma, nem saber contar, nem escrever, nem falar, nem pensar , mas isto vai-lhes sair muito caro". Agora era dizer-lhes isso, não era dizer: eles são todos uns ignorantes mas os exames estão a dar melhores resultados com progressos brutais de um ano para o outro. Isto é tudo uma mentira, ninguém acredita. (...)

O problema é este: aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e aprendizagem – que são aqueles das classes mais baixas – eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã e os seus filhos (de [GF] serão de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir – porque aqueles que estão em baixo é que precisam de ser trazidos para cima. Não é dizer "Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos…" Não, não, esses é que têm de ser puxados, não são os seus filhos.

GF – E esses fariam o país progredir?

MC – Exactamente, esses é que precisam...

GF – E o sistema como está não os ajuda?

MC - Você não me obrigue a ser eu a interrogá-lo. Eu deixei de ensinar porque estava farto de ignorantes. Eles não sabiam falar, não sabiam escrever, erros uns a seguir aos outros… Aliás hoje alguns ministros têm dificuldade em articular, o vocabulário é escasso, a gaguez é imensa, há uns « supônhamos» que saem assim um bocadinho descuidados…Ninguém quer denunciar porque isto não é simpático, é melhor andarmo-nos a abraçar uns aos outros. Não vamos longe com esta falta de qualidade!

(recebido por mail)

Vamos para a frente com a organização popular!


(de um professor que tenho a sorte de conhecer)

Estou bastante céptico sobre a (verdadeira) vontade de lutar das pessoas, neste país. Tenho-me batido ao longo dos anos pela defesa da escola pública, por uma intervenção sindical eficaz e por um funcionamento democrático e cooperativo no meu local de trabalho. Estou cansado, vai-me faltando a paciência para aturar as poses; desconsolado com as pessoas que afirmam - pelos cantos das salas de professores ou pela blogo- esfera - uma falsa dissidência, para logo obedecer à voz do dono, em reuniões de departamento, etc. Essas pessoas «acham bem» que nós lutemos, mas não irão jamais «queimar-se» junto dos «chefes». É triste mas receio bem que na tal manif de 15 de Nov. irei encontrar várias pessoas oportunistas, que eu conheço bem como «colegas» de trabalho, no quotidiano. Essas pessoas recusam o óbvio. Para se lutar temos de nos organizar: temos de constituir comissões de base. Temos de agrupar as pessoas dentro de cada escola, temos de debater conjuntamente o que será mais apropriado fazer-se, temos de encontrar uma forma de auto-organização que nos defenda, em face da casta todo-poderosa dos «avaliadores». Estou decepcionado com as pessoas; dizem que sim, mas não fazem nada, não se dispõem realmente a lutar. Ir a uma manif, a 15 de Nov. sim, porque não, mais uma passeata, gasta-se um pouco de sola dos sapatos, mas é um bom exercício, a marcha; podemos encontrar algumas pessoas que estimamos; podemos gritar umas palavras de ordem, com piada, nem sempre as que as organizações promotoras previram, etc... Mas, «para mostrar ao poder» isso é que não, não precisamos de mostrar ao poder coisa nenhuma. Então «mostrar» ... a quem? Aos bonzos sindicais, mostrar-lhes que sabemos perfeitamente organizar uma manif, sem precisar deles para nada? Mostrar aos 'cobardolas' que somos 'corajosos'??? Mas, para quê?

Será necessário firmar o nosso espírito em duas ou três coisas:

A- Sem organização e luta no local de trabalho, nada feito.

B- Cada comissão local deverá encontrar as formas apropriadas de resistência

C- Temos de nos coordenar com os pais, que nos ajudem a encontrar soluções verdadeiras

Comunicado do POUS (Núcleo da Marinha Grande)



Partido Operário de Unidade Socialista

Secção portuguesa da IVª Internacional



Nem mais um cêntimo para os especuladores!

É urgente constituir um Governo que decrete a renacionalização da Banca

para a criação de emprego e um plano de urgência para salvar o país!


A recente injecção massiva de dólares e de euros, para procurar evitar o colapso dos bancos de investimento americanos, não foi bastante para parar a crise.

Assiste-se a uma crise económica generalizada, atingindo todos os sectores, a começar pela indústria, e em todos os países.

O mundo inteiro vê-se precipitado, por um sistema capitalista falido, numa crise de consequências incalculáveis para milhões de seres humanos.

«A situação na Europa é pior do que nos Estados Unidos», afirma o jornal inglês Finantial Times, de 2 de Outubro, que prossegue: «A Europa continental está na via de uma recessão ainda mais profunda do que a dos EUA».

E não é este o resultado da política da União Europeia, que – por exemplo, só nos últimos 15 dias – injectou nos circuitos financeiros 931 mil milhões de euros?

No nosso país, estão à vista as consequências da política de subserviência do governo de Sócrates, bem como dos governos dos últimos 22 anos, às instituições da União Europeia – instrumentos da aplicação desta política de especulação desenfreada do imperialismo americano.

Impuseram-nos a destruição da produção agrícola, obrigaram-nos a importar a maior parte do peixe, destruíram-nos a indústria, retiram-nos o poder de compra com o euro, impuseram-nos um Código do Trabalho que destrói todos os nossos direitos laborais – o Código de Durão Barroso / Bagão Félix.

Podemos, naturalmente, ter opiniões diferentes a este respeito, mas fácil será de constatar – pelas organizações e militantes políticos que se reclamam da defesa dos trabalhadores e dos seus direitos – que o governo de Sócrates, ao arrepio do voto popular que expressava a ruptura com esta política, não a tem senão refinado. Se o deixarem, não ficará pedra sobre pedra dos direitos sociais e democráticos arrancados com o 25 de Abril, na Saúde, na Segurança Social e na Educação.

No sector produtivo a situação é cada vez mais dramática.

Segundo dados da empresa de crédito bancário COFACE, no primeiro semestre deste ano, o número de falências de pequenas e médias empresas por mês desde foi cerca de 80, provocando um aumento brutal do número de desempregados. Além disso, encontravam-se igualmente a decorrer nos tribunais mais 475 acções de insolvência do que em igual período do ano passado.

Na região da Marinha Grande – zona de forte implantação industrial – vivem-se já momentos muito difíceis; mas, a continuação desta política e a aceleração da crise financeira, podem vir a varrer sectores inteiros das indústrias tradicionais, como o vidro, os moldes e os plásticos. No concelho contíguo de Alcobaça, o número de empresas cerâmicas, com projecção internacional, já encerradas e a ameaça que paira sobre toda uma série de outras, leva a prever que a breve trecho, podemos estar confrontados nesta área a uma verdadeira zona de “terra queimada”, com as consequências que se conhecem em termos de desemprego e de degradação das condições sociais de existência da maioria da população.

O encerramento, em pouco mais de um ano, de empresas do sector de Cristalaria manual – como a Dâmaso, a Marividros, a Canividro e a Vitroibérica, atirando para o desemprego directo largas centenas de trabalhadores e levando ao fecho de pequenas oficinas de decoração e acabamentos – reduziu este sector à sua expressão mais simples, ameaçando-o de extinção.

Mas será que a continuação desta situação terá que ser inevitável, na Marinha Grande e no resto do nosso país?

O P.O.U.S. pensa que, longe de ser irremediável, a situação pode ser invertida.

O P.O.U.S. dirige-se a todos os Partidos políticos que se reclamam da defesa dos direitos dos trabalhadores, a todos os Sindicatos: É necessário pormo-nos de acordo sobre UM PLANO DE URGÊNCIA PARA SALVAR O PAÍS!

- Um plano que em vez de entregar biliões de Euros aos mesmos especuladores, estipule a renacionalização do sector bancário, como aconteceu a seguir ao 25 de Abril.

Foi assim que, nessa época, foi possível evitar – com a ajuda do Sindicato dos Bancários e das C.Ts. da Banca – a fuga de capitais, organizada por alguns dos mesmos grupos económicos de hoje, e com essas verbas salvar da falência milhares de empresas.

- Um plano que ponha na ordem do dia a renacionalização dos sectores estratégicos da economia, tal como foi consignado na Constituição Portuguesa de 1976.

De facto, só o controlo dos combustíveis e do sector energético, por parte do Estado, permitirá criar condições de competitividade às pequenas e médias empresas das indústrias tradicionais – como a cerâmica, o vidro ou o têxtil.

- Um plano que a partir dos passos já dados no passado, na Marinha Grande, em defesa de um preço único do gás para a Garrafaria e para a Cristalaria manual que paga actualmente cerca de 40% mais caro – torne possível reanimar o sector, consolidando as empresas existentes e permitindo eventualmente a reabertura de outras.

Só esta orientação permitirá tirar o país da crise em que está a ficar mergulhado, implicando a existência de um Governo que ponha em prática políticas de cooperação solidária com os outros povos da Europa e do resto do mundo. Tal objectivo põe na ordem do dia a ruptura com a ditadura do Banco Central Europeu – ou seja, com a União Europeia e todas as suas instituições.

Estas são as propostas que o POUS, responsavelmente, desde já avança. Outras medidas poderão e deverão ser discutidas e integradas neste Plano de urgência para salvar Portugal.


Com o objectivo de dar início a este debate e para a constituição de uma Comissão de Iniciativa para a elaboração de um Plano de Urgência para salvar o nosso país, o P.O.U.S. – que não tem interesses distintos dos do conjunto da população trabalhadora – convida as organizações e os militantes que se situam no terreno da defesa dos interesses dos trabalhadores, a participarem na

Reunião/debate, a realizar na Rua Álvaro Duarte nº 2

na MARINHA GRANDE, no sábado 18 de Outubro, pelas 16 horas.


8 de Outubro de 2008


O núcleo da Marinha Grande do P.O.U.S.

domingo, outubro 12, 2008

Manifestação dos profes 15/Novembro em Lisboa: Marquês de Pombal, 14h

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Parece que... já é oficial!
Parece que... desta vez é mesmo para a Assembleia da República!
Parece que... desta vez ou vai ou racha!

Eu não sou prof
mas vou lá estar
porque tenho filhos na escola
porque confio que desta vez os profes não se vão deixar enganar
porque o Memorando do Entendimento foi um tiro no pé
porque o Albino Almeida não vai lá estar
porque não gosto destas políticas educativas
porque não suporto esta ministra
porque já chega de esfacelar a Escola Pública
porque a Lei de Gestão é anti-democrática


sábado, outubro 11, 2008

Retirada da assinatura do Memorando, já!

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Imagem Kaótica

Mário Nogueira à espera da última como o Bocage

(leia aqui)




Governo lembra compromissos

A Fenprof já tinha admitido, esta segunda-feira, voltar a convocar uma manifestação ainda este ano para "quebrar o actual clima de medo e de intimidação" que diz estar a viver-se nas escolas devido ao modelo que está a ser aplicado. O secretário-geral da estrutura, Mário Nogueira, lembrou que foi pedida há duas semanas uma reunião com a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e avisou que dependerá "das respostas que o Ministério nos der" o recurso ou não a formas de luta.
Uma posição que já motivou críticas da parte do secretário de Estado da Educação. Valter Lemos lembrou ontem, à margem de um encontro nacional de formadores, no Porto, que, ao abrigo do "memorando de entendimento" assinado em Abril e
ntre a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e a "plataforma" de sindicatos do sector, estes últimos concordaram com a aplicação do actual modelo até ao final do ano lectivo: "No final do ano escolar fazia-se a avaliação dos resultados", lembrou, acrescentando: "Estamos em Outubro e esta postura diz tudo."
Contactado pelo DN, o Ministério da Educação não quis reagir à proposta da Fenprof.

Entretanto o 15 de Novembro continua em debate... (e que debate!):


Aqui em:

quinta-feira, outubro 09, 2008

Homenagem

Jacques Brel - Tango Funèbre

Faz hoje 30 anos que partiu um dos melhores!

«A estupidez não escolhe entre cegos e não cegos»


Trailer do filme “Ensaio Sobre a Cegueira”


Quando um dia destes ouvi a notícia fiquei atónita, achei um enorme disparate: como pode um filme tornar-se polémico ao ponto de fazer uma quantidade de pessoas cegas se revoltarem contra ele? Mesmo no sentido físico da questão: como pode um filme levar cegos a ir “vê-lo” para depois se rebelarem contra o que… não viram (!)

Não li ainda o livro do José Saramago (e quem não lê é como quem não vê), mas pela actualidade da temática (ver sinopse), já está na calha para ser lido muito brevemente. Imagino-o altamente simbólico e altamente realista, a um tempo. Mais uma vez Saramago parte de uma situação imaginária, uma estranha doença, tão possível como tantas outras, como a morte sair à rua e não matar ninguém, outra situação simbólica e no entanto real enquanto remete para a possibilidade que a medicina tem cada vez mais de prolongar a vida às pessoas.

Voltando à questão dos protestos, a qual me inquieta por haver quem proteste por tomar esta doença por uma cegueira real, física, igual à sua própria, e não simbólica, como seria de esperar, dado que toda a Literatura Mundial está cheia de referências simbólicas, visão/cegueira, luz/trevas, de conhecimento/ ou de ignorância. O motivo dos protestos são neste caso uma “cegueira” semelhante à da Igreja Católica que insiste em tomar à letra o texto bíblico, em vez de o considerar um texto altamente simbólico, tendo esta sua obtusa obstinação atrasado em anos a concepção de ser a terra a girar em torno do sol e não o contrário e a sua teima queimado inocentes na fogueira.

Saramago é autor de obras construídas à volta de uma simples ideia genial pela originalidade e que a partir dela consegue desenvolver uma trama de implicações que dão corpo aos romances. Partindo de uma simples formulação do tipo: e se de repente as pessoas todas deixassem de ver claramente?; ou e se de repente a morte não cumprisse mais a sua função?; ou e se os eleitores votassem massivamente em branco?, Saramago constrói os seus romances com base na observação da natureza humana, dando-lhes assim uma dimensão universal e humanista (e desumanista?)

No Ensaio sobre a cegueira há contudo lugar para o ser excepcional, aquele que não é acometido pela mesma doença que os outros e que procurar reatar com a “normalidade” perdida.

Não são os cegos que são tratados como “monstros”, como afirma o presidente da Federação Nacional dos Invisuais, Marc Maurer, "O filme retrata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira. A cegueira não transforma pessoas decentes em monstros", indignou-se Marc Maurer. Já na literatura clássica os humanos eram acometidos de uma cegueira súbita deixada cair sobre os seus olhos pelos deuses enganadores. Quem assim “vê” a intenção da obra, está apenas a ter uma visão tubular, identificando aquela cegueira alegórica com a verdadeira cegueira dos cegos (que nunca viram ou que a dado momento deixaram de ver por qualquer doença física ou mesmo psicológica). Saramago comentou a atitude dos que prometem continuar a protestar e a boicotar a apresentação do filme nas salas de cinema dos EUA impiedosamente à sua maneira:

"É uma associação, ou associações de cegos que decidem, em primeiro lugar, ter uma opinião sobre um filme que não viram - e isso infelizmente, sobretudo para eles, que não podem ver. Alguém lhes terá dito que o filme é violento, que os cegos se portam mal, e eles reagem de uma maneira absolutamente, enfim, não sei como chamar-lhe", continuou.

"A estupidez não escolhe entre cegos e não cegos. É uma manifestação de mal humor, assente sobre coisa nenhuma, e pronto, acabou, nada mais" (José Saramago)

Neste caso confirmam-se dois provérbios populares: o melhor cego é aquele que não quer ver e em terra de cegos quem tem um olho é rei. O primeiro dedico-o ao senhor Marc Maurer e a todos quantos insistirem em não ver o carácter alegórico d@ obra/filme; o segundo dedico-o ao José Saramago que, independente de se gostar ou não dos seus livros, é inegavelmente um grande escritor do nosso tempo.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Os subprimes avançavam...

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Imagem daqui



(recebido por mail)

Queres aprender o que é subprime?


Não corresponde exactamente à verdade, mas está bem aproximado....

Para quem ainda não percebeu o que é (era) o Subprime, para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue um breve relato económico para leigo entender...

O Ti Manel tem um bar em Vila Carrapato, e decide que vai vender uns tintóis "apontados na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol (a diferença é o sobre preço que os "borrachões" pagam pelo crédito).

O gerente do banco do Ti Manel, um ousado administrador formado com um qualquer "Émebiei", decide que os caderninhos das dívidas do bar constituem, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o calote dos bebedolas como garantia.

Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, FCP, OVNI, SOS ou qualquer outro anacrónico financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer, mas que parece ser coisa muito sofisticada.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na Bolsa, cujo lastro inicial todos desconhecem (os tais caderninhos do Ti Manel).

Esses derivativos são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados financeiros de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do Ti Manel vai à falência.

E toda a cadeia se lixou...

Como viram... é muito simples...

Fontes de Inspiração

As Vacas Avançavam...



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domingo, outubro 05, 2008

Dia do Professor

Dedicado a todos os professores que continuam a resistir e a lutar pela dignidade da sua profissão e pela Escola Pública Democrática...



Video KAOS


Chico Buarque - Homenagem ao malandro

sexta-feira, outubro 03, 2008

É pró menino e prá menina!

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Subitamente a escola ficou invadida de panfletos publicitários de computadores portáteis e ofertas de redes. Vêm nas mochilas e minam as conversas da família. Nunca os jovens foram tão aliciados: "OS MELHORES PORTÁTEIS DO MERCADO ESTÃO DE VOLTA. ESCOLHE JÁ O TEU!" Os jovens funcionam como um forte grupo de pressão junto dos pais. Os ditos panfletos pertencem a marcas, mas vêm assinados por baixo com o timbre "PLANO TECNOLÓGICO/PORTUGAL A INOVAR". Tanto comprometimento chega a ser obsceno. Nunca houve uma aliança tão perfeita entre o Estado e as empresas para vender mercadoria, talvez só no tempo da Companhia das Índias.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Magalhães (este) e as Satisfações Porcinas dos Tecnologicamente Felizes Iletrados

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Roger Waters PIG


O Magalhães, o porco e o Sócrates (o outro)
01.10.2008, Santana Castilho

Fornecer tecnologia sem cuidar da literacia que a permite utilizar é drasticamente pobre

Sobre o Magalhães (refiro-me ao computador português feito no estrangeiro) já se escreveram muitos e interessantes comentários, uns a favor e outros contra. Tudo visto, parece-me que resta uma generalizada (mas para mim preocupante) aceitação da medida. Ouviram-se escolas e professores sobre a iniciativa? Não, porque por elas pensa a ministra, para quem o Magalhães constitui "o instrumento principal da democratização do ensino"; ponderou-se o impacto que a tecnologia tem na melhoria do aproveitamento escolar dos jovens, analisando estudos disponíveis sobre a matéria, que concluíram pela sua irrelevância? Não, porque o coordenador do Plano Tecnológico já disse ao que vai: dois alunos por computador em 2010!
Dou de barato não saber que critérios presidiram à escolha deste computador e não de outro, da Intel ou da empresa de Matosinhos, e simplesmente não engulo a fantasia da ausência de custos para o Estado. Mas o que acho verdadeiramente preocupante é a generalizada adesão ao culto duma modernização pacóvia, que tudo resume ao mero mercantilismo (e não utilitarismo, como muitos impropriamente referem o conceito que, enquanto teoria filosófica, é coisa bem diferente). A formação sólida, que constitui a missão da Escola e dos professores, deve assentar numa clara hierarquia de valores: primeiro o conhecimento puro, depois o instrumental. Mas o que se tem feito ultimamente é a secagem das actividades cognitivas, substituindo-as pelas meramente instrumentais. Foi assim que se trocaram clássicos da literatura por textos ditos pragmáticos (simples formulários, notícias jornalísticas ou mensagens publicitárias) e se preferiram as actividades conducentes à aquisição de "competências" em detrimento das actividades de forte componente cognitiva. Foi assim que se enfraqueceu o ensino da Gramática, da Filosofia e da História e se reforçaram iniciativas híbridas ("área projecto" e "estudo acompanhado"). Surpreendente? Não, se tivermos em vista que quem decide são tecnocratas deslumbrados pela tecnologia e convencidos que os "bichavelhos" são suficientes para educar o povo.
Parece-me evidente que há mais gente satisfeita com este bodo de Magalhães a eito que gente insatisfeita e ciente, como eu, de que as crianças do ensino básico não vão aprender melhor a ler e a interpretar o que lerem por causa dos computadores; ou de que não aprenderão mais cedo e melhor a Matemática fundamental por via do Magalhães; ou de que não se iniciarão precocemente na actividade de pensar e perceber o que as rodeia, por via do portátil. E é aí que reside o problema: fornecer tecnologia sem cuidar da literacia que a permite utilizar é drasticamente pobre. O impacto da componente cognitiva do ensino só pode ser comparado com o da sua vertente instrumental por quem conhece as duas e tem do exercício profissional uma autoridade que os tecnocratas desprezam. O tecnocrata é por norma e por formação pouco sólida um fanático da tecnologia, que com ela se satisfaz e nem sequer aprende com a natureza efémera de tantos projectos tecnológicos (lembram-se do ensino assistido por computador, do Minerva, do Nónio, das Cidades Digitais e do endereço electrónico para cada português, entre outros?).
Stuart Mill referiu-se assim a esta questão fundamental do pensamento e da natureza humana:
"É indiscutível que o ser cujas capacidades de prazer são baixas tem uma maior possibilidade de vê-las inteiramente satisfeitas; e um ser superiormente dotado sentirá sempre que qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do que um idiota satisfeito. E se o idiota ou o porco têm opinião diferente, é porque apenas conhecem o seu lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados..." Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

quarta-feira, outubro 01, 2008

O Tempo Perdido

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Tarsila do Amaral (Brasil) - Os Operários

Devant la porte de l'usine
le travailleur soudain s'arrête
le beau temps l'a tiré par la veste
et comme il se retourne
et regarde le soleil
tout rouge tout rond
souriant dans son ciel de plomb
il cligne de l'oeil
familièrement
Dis donc camarade Soleil
tu ne trouves pas
que c'est plutôt con
de donner une journée pareille
à un patron?

Jacques Prévert

(Dedicado a todos quantos hoje pararam e se manifestaram pelos seus direitos e pela melhoria das condições de vida. Pena que toda a sua luta se tenha resumido, para o Governo e para os sindicatos, a mais uma guerrilha numérica):


Sindicatos falam em 75% de adesão à greve e o Governo apenas 11%

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