terça-feira, março 04, 2008

Texto de Ana Benavente


1.
Não sou certamente a única socialista descontente com
os tempos que vivemos e com o actual governo. Não
pertenço a qualquer estrutura nacional e, na secção em
que estou inscrita, não reconheço competência à sua
presidência para aí debater, discutir, reflectir,
apresentar propostas. Seria um mero ritual.

Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me
revejo neste partido calado e reverente que não tem,
segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao
secretário-geral na última comissão política. Uma
parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas
como qualquer neoliberal; outra parte outrora ocupada
com o debate político e com a acção, ficou esmagada
por mais de um milhão de votos nas últimas
presidenciais e, sem saber que fazer com tal
abundância, continuou na sua individualidade
privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou
menos migalhas do poder, sente que ganhou uma maioria
absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir
os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores,
como queiram) no final do mandato.

Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ocasionando
críticas ocasionais.

2.
Para resolver o défice das contas públicas teria sido
necessário adoptar as políticas económicas e sociais e
a atitude governativa fechada e arrogante que temos
vivido? Teria sido necessário pôr os professores de
joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado
apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que
aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma
nova casta que ainda não tinha sido inventada até
hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora?
Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que
são necessárias equipas de docentes coesas e
competentes, com metas claras, com estratégias bem
definidas para alcançar o sucesso (a saber, a
aprendizagem efectiva dos alunos)?

Teria sido necessário aumentar as diferenças entre
ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR
contra grevistas no seu direito constitucional?
Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar
tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos
mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"?
Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não,
"marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das
Finanças (os exemplos são tantos que é difícil
escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que
"nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos"
as negociações salariais e de condições de trabalho
entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que
era um mecanismo de regulação que fazia parte dos
regimes democráticos.

3.
Na sua presidência europeia (são seis meses, não se
esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se
eufórico e diz que somos um país feliz. Será? Será que
vivemos a Europa como um assunto para especialistas
europeus ou como uma questão que nos diz respeito a
todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem
muitas reuniões, conferências e declarações, cujos
vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é
afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder
na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas
cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos
recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque
ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de
poder de compra, na qualidade das prestações dos
serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro,
etc., etc.) os piores lugares?

Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no
limiar da pobreza? Que bom seria se o senhor
primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras
simples, a importância do Tratado de Lisboa para o
bem-estar individual e colectivo dos cidadãos
portugueses, económica, social e civicamente.

4.
Quando os debates da Assembleia da República são
traduzidos em termos futebolísticos, fico muito
preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para
2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? que
espectáculo!". "No primeiro debate perdi", dizia o
actual líder do grupo parlamentar do PSD "mas no
segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os
bilhetes...", acrescentava outro líder, este de
esquerda. E o país, onde fica? Que informação
asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os
partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena
ser tão maçadora. Órgão cujo presidente é eleito na
Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20
anos de existência. Criado como um órgão de
participação crítica quanto às políticas educativas,
os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros.
Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez
mais o palácio da bela adormecida (a bela é a
participação democrática, claro). E que dizer do
orçamento para a cultura, que se torna ainda menos
relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o
PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?

5.
Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a
substituir as políticas eventuais do PSD (que não
sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais
circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem
orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um
bem-estar sem fim que um dia virá (quanto
sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui
há palhaços". E os palhaços somos nós. As únicas
críticas sistemáticas às agressões quotidianas à
liberdade de expressão são as do Gato Fedorento. Já
agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os
abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do
alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias
no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor...
Quando há avarias, nós cortamos-lhes o quê? Somos
cidadãos castigados!

O país cansa! Os partidos são necessários à democracia
mas temos que ser mais exigentes.

Movimentos cívicos...procuram-se (já há alguns, são
precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe
que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não
me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela
liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa
vontade, o nosso entusiasmo. Com certeza somos muitos
os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias,
sobretudo com um governo do Partido Socialista.

Ana Benavente
Professora universitária, militante do PS

domingo, março 02, 2008

Amigos, perdi os vossos contactos!

Amigos

Adorava visitar-vos mas não é que os meus links se sumiram todos aí do lado? Estão a Blinkar comigo, ai estão, estão... Ou teria sido o raio da mulher cinzentona que lançou alguma praga nos meus links?

Bem, na verdade podia ter ido ao Kaos e tentar recuperá-los mas como já não é a primeira vez que me acontece uma destas, vou esperar para ver se voltam a aparecer.

Entretanto saibam que vos tenho no pensamento e de vez em quando ainda solto uma risada ao me lembrar de certas coisas amalucadas que fizemos. Nestes dias próximos virei aqui só de fugida porque tenho uma assembleia geral para preparar e esta é assim uma espécie de trabalho do Hércules: fazer os pais que aparecerem tomar consciência dos ataques que estão a ser dirigidos à Escola Pública, ao futuro dos seus filhos e dos professores.

Entretanto hoje já vi e ouvi muita notícia que me revolveu as entranhas e me fez ainda mais vontade de ir à luta: as palavras salazarentas do senhor Silva e a imagem do emplastro da emplastra (Albino Almeida & Lulu abençoados pelo Valentim dos (A)pitos). Que asco! Não tivesse eu um estômago robusto e tinha decerto vomitado o saboroso leitão de ontem à noite. Chiça!

sábado, março 01, 2008

Grande Farra Blogosférica II

Gentileza KAOS

Queridos convivas adorei estar com vocês todos, a esta hora da madrugada faltam-me as palavras, só me vêm banalidades à cabeça para dizer. Por isso o melhor é ir para a cama. Pode ser que sonhe com uma farra outra em que se possa cantar livremente em todos os lugares e a todas as horas e que a Nossa Senhora de Fátima abandone a sua cândida postura de virgem fora do prazo de validade, suba para a mesa, abra a gabardina pidesca e dance desvairada a Internacional cantada pelo nosso coro ao qual se juntam os empregados, os desempregados, os mal-empregados e o vizinho de cima telefone imediatamente à ASAE e à polícia municipal do Isaltino e às secretas da santinha de Vilar de Maçada para virem depressa todos juntar-se à nossa festa para cantarmos ainda mais e mais alto bem unidos façamos nesta luta final uma terra sem amos a Internacionaaaaaaaal.
Ó m'lher vai mas é para a cama que o teu mal é sono e deixa dormir o menino um soninho descansado que o maior mal é o pessoal acordar amanhã ressacado!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

boomtown rats _ dont like mondays

Músicas dançáveis da minha juventude (6)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Dexys Midnight Runners - Come On Eileen

usicas dançáveis da minha juventude (5)

Auto-avaliação do desempenho

Kaos original

Apenas uma pergunta...

É em situações extremas que conhecemos as nossas próprias fraquezas.

Apenas uma pergunta em que te é pedido que respondas com sinceridade, e poderás auto-avaliar os teus princípios morais.

Trata-se de uma situação imaginária, porém deves decidir o que farias.

Estás em plena baixa de Lisboa, no meio do caos causado pelas cheias que
ocorrem em épocas de chuvas mais intensas. Tens a tua máquina fotográfica,
trabalhas para a "Time" e estás a tirar as fotos de maior impacto.

De repente, vês José Sócrates num carro, lutando desesperadamente para não ser arrastado pela corrente, entre destroços e lodo... No entanto, ele acaba por ser arrastado e tens a oportunidade de o resgatar, ou de tirares
a fotografia vencedora do Prémio Pulitzer, que te traria a fama e o reconhecimento mundial por mostrar a morte de tal personagem...

Com base nos teus princípios éticos e morais, responde sinceramente:

.

.

.

.


Tiravas a foto a cores ou a preto e branco?

(recebido por mail)

Qual facilitismo, qual quê!

Avaliação dos alunos - novas tendências pedagógicas

----------------------------------------------------------------------------
QUESTÃO PROPOSTA:
6 + 7 =
----------------------------------------------------------------------------
RESULTADO APRESENTADO PELO ALUNO:
6 + 7 = 18
---------------------------------------------------------------------------
ANÁLISE E AVALIAÇÃO DO PROFESSOR

ANÁLISE:

A grafia do número 6 está absolutamente correcta; O mesmo se pode concluir
quanto ao número 7;
O sinal operacional + indica-nos, correctamente, que se trata de uma adição;

Quanto ao resultado, verifica-se que o primeiro algarismo (1) está
correctamente escrito e corresponde de facto ao primeiro algarismo da soma
pedida.
O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um três escrito
simetricamente - repare-se na simetria, considerando-se um eixo vertical!
Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos. A
sua intenção era, portanto, boa.
AVALIAÇÃO:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que:
A atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão correctamente encadeados: os elementos estão
dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou (?) num dos seis elementos que formam o
exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais-valia ao exercício ao trazer para a
proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias - realçando
as conexões matemáticas que sempre coexistem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um "EXCELENTE" e afirmar que o aluno
"PROGRIDE ADEQUADAMENTE"

(recebido por mail)

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Talking Heads-Psycho Killer- Live!

Músicas dançáveis da minha juventude (4)

Dia dedicado à educação...

Não se se foi ontem a senhora ministra que me inspirou. Sei que hoje dediquei todo o meu dia à educação:

De manhã um encontro dentro da escola com uma professora para combinarmos em conjunto articular os conteúdos sobre sexualidade com uma sessão para os pais. Claro que a conversa depressa seguiu rumo livre para outros assuntos muito menos naturais: as palavras são como as cerejas e, quando se começa a falar das coisas uma mão lava a outra. Uma professora atenta, que também é mãe a falar com uma mãe atenta que também já deu aulas. Fizemos como a ministra aconselhou: simplificámos ou seja, descomplicámos o que se queria complicado. Quando duas pessoas dentro destes assuntos das novas políticas educativas se põem a conversar, depressa chegam às mesmas conclusões: estão a destruir a escola, os professores não estão a aguentar aplicar as normas absurdas que chegam às escolas em catadupas a meio do ano lectivo, os alunos estão a ser prejudicados. E isto diz respeito aos professores e diz respeito aos pais porque é sem respeito pelos alunos. Os conselhos executivos de algumas escolas já estão a aplicar as directivas, se forem dos cumpridores. Os representantes dos pais não foram convocados para um Conselho Pedagógico sobre avaliação do desempenho e atribuição de competências e, no Conselho Pedagógico seguinte já tudo mudou: o conselho está diferente; sairam uns, entraram outros: as competências foram atribuídas; a futura directora já tem tudo na mão: ali não haverá avaliação feita pelos pais, nenhum professor irá autorizar. A professora tenta pôr paninhos quentes: deve ter sido por esquecimento os pais não terem sido convocados, desculpa. É uma boa pessoa, conciliadora, disse que tinha compreendido muito bem as posições assumidas por quem representa os pais.

Tenho tanto receio de quem se diz "representante dos pais". Hoje comprei um livro, cujo título vai mal-impressionar muito boa gente: Pais Contra Professores, de Maurice T. Maschino. É muito útil, porque começa logo por definir gente da laia do Albino Almeida, para quem ainda não está advertido contra esta praga de malfeitores que se apossaram de uma estrutura democrática como era a CONFAP: «A escola será doravante um lugar em que são os pais a fazer a lei? Na maioria dos casos, sem dúvida não, mesmo que muitos deles, no ambiente actual, se sintam cada vez mais tentados a intervir ao arrepio de quaisquer normas, e de forma anárquica. O que seria certamente desagradável, e perfeitamente inadmissível, mas não traria grandes danos à instituição, se estas reacções individuais não fossem encorajadas, retomadas e amplificadas por grupos que se arrogam o direito de falar e de agir em nome de todas as famílias. Esta impostura -- de que a maioria dos pais nem sequer suspeita, mas que os poderes públicos encorajam -- contribui em grande medida para desqualificar a escola enquanto lugar de estudo e de aprendizagem de saberes. Na verdade é um abuso de linguagem falar dos pais. E abuso de poder ao pretender manifestar-se em seu nome."

Confesso que mais lá para a tarde só me apetecia ser feliz. Por isso lá fui eu participar num colóquio sob o tema "Educação para a felicidade" e não é que lá fui encontrar uma sala cheia de professores, perdão, professoras, que a quota masculina só se reduzia a um -- será que os homens não acreditam na felicidade? E os professores ainda acreditam ou são levados a acreditar? Pensei: bela acção esta, mesmo a propósito, logo no dia a seguir à entrevista da ministra... vamos lá a contar as boas experiências, ajustemos o foco de mineiro e iluminemos apenas o que bem que queremos ver. Mas não será uma visão tubular, redutora? E o que está mesmo mal? Não nos devemos centrar no que está mal, devemos pensar no que está pior para nos sentirmos felizes com o mal que temos. Aleluia, meu irmão. Até havia umas rezas para o dia a dia ( e contra a ministra, nada?). No final terapia do riso para aliviar tensões e partir para casa bem disposto, expurgado de todo o mal, pronto para enfrentar a burocracia da escola com um sorriso nos lábios (Sorria, está a ser avaliado!). Mas quem disse que queremos nos livrar das tensões agora? Para isso já bastam certas manifestações que só servem para tirar a pressão da panela... Vim embora antes da terapia: agora queremos estar em tensão, reunir toda a tensão para gritar bem alto, unidos, nas manifestações que aí vêm e não deixar que a pressão se escape da panela. Cerrar fileiras e só parar depois da retirada absoluta das políticas educativas mais absurdas que o capitalismo internacional em desespero alguma vez forjou. Não queremos esta ministra porque não queremos estas políticas porque não queremos obedecer aos prazos da união europeia para destruir a escola pública, porque não queremos este sistema. Cumprir é pactuar com a estratégia internacional capitalista de destruir a escola pública. Portugal romper com esse sistema: isso sim me deixaria muito feliz, senhores psicólogos educacionais.

À noite, reunião política, para discutir... política e educação, pois, meus caros amigos, quer queiramos quer não isto anda tudo ligado.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Peter Gabriel - Solsbury Hill (1977)

Músicas dançáveis da minha juventude (3)

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Joe Jackson - Sunday Papers

Músicas dançáveis da minha juventude (2)

domingo, fevereiro 24, 2008

Internet Digna

Rifão Quotidiano


Uma nêspera

estava na cama

deitada

muito calada

a ver

o que acontecia



chegou a Velha

e disse

olha uma nêspera

e zás comeu-a



é o que acontece

às nêsperas

que ficam deitadas

caladas

a esperar

o que acontece


Mário-Henrique Leiria

Patti Smith's

Desafio "6 músicas dançáveis" da minha juventude (1)

Resposta tardia ao desafio musical das 6 músicas "dançáveis" da minha juventude

O amigo Marreta lançou-me há dias um convite musical (mais outro!). E, lá está, como é "musical" não posso recusar. Facto é que, nestes últimos dias, tenho andado muito ocupada, de tal forma que nem música tenho ouvido! Há para aí um governo que abana por todos os lados. Andam por aí umas movimentações por todo o país. Até já se fala numa "crise social de contornos difíceis de prever".
Por isso não dá para ficar muito tempo sentada diante de um blogue. Há certos momentos em que parece que se dá uma espécie de contágio e começa tudo a mexer-se. Está a acontecer com os professores, com os pais e pode ser que vá por aí fora e ninguém mais consiga deter o processo.

Mas, enquanto isso, mesmo cansada de vir tarde e a boas horas de uma dessas lides, vou responder ao desafio das músicas "dançáveis" um pouco cá à minha maneira, o Marreta que me perdoe.

A partir de hoje, durante seis dias vou postar os videos de algumas das músicas dançáveis dos "bons velhos tempos", assim eu os encontre no YOUTUBE.

E a ideia até me deixou com a vontade aguçada para ir uma noite destas dar um pézinho de dança ao velhos Jamaica, onde ainda se pode dançar as mesmas músicas que por lá se dançavam há... 20 anos atrás (chiça!) e também apreciar uma boa cigarrada sem ser incomodado pelos fundamentalistas da vida saudável (uma maioria de iludidos, daqueles que querem morrer cheios de saúde!).

Toca a mexer!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Este desafio... é música para os meus ouvidos:


A pedido da Renda de Bilros…

"Tenho que confessar as músicas que eram especiais na minha adolescência"

Ainda antes do 25 de Abril ouvia no rádio A Banda, cantada no sotaque doce do Chico, e ficava encantada de haver música para além dos “nossos” Antónios que também passavam na altura no rádio (António Calvário, António Mourão e outros que não sendo Antónios eram tão Antónios quanto estes); isto ainda na fase a que chamamos hoje a "pré-adolescência":

http://www.youtube.com/watch?v=wFPPawLq_5Q

Podem não acreditar mas quando andava na preparatória, convidei os meus colegas para a minha festa de anos lá em casa. Juntaram-se 3 e perguntaram-me o que é que eu queria que me oferecessem. Resposta: o “Animals” dos Pink Floyd (infelizmente o meu irmão era mais velho, tinha dinheiro e, naquela altura, mandava vir de Londres os discos que por lá iam saindo, por isso eu ficava sempre com os segundos discos: ele tinha o Darkside e o Wish you were here; eu tinha o Animals. Ele tinha o A Night at the Opera; eu tinha o A Day at the Races. Ele tinha o Crime of the Century; eu tinha o Crises What Crises? – uma injustiça!) O que vale é que os ouvia depois a todos no psicadélico quarto dele, às escuras, com focos às cores e em altos berros, como convinha. Ainda hoje adoro a música dos Pink Floyd!:

http://www.youtube.com/watch?v=CydPIf3b-Mc&feature=related

Depois veio o 25 de Abril e com ele uma lufada de ar fresco na música portuguesa. Nesta fase cheguei a ouvir no Rádio Clube um Canto Livre em directo em que o Sérgio Godinho democraticamente perguntava aos que lá estavam: “Querem ouvir o Paco Bandeira? Ele está aqui para cantar para vocês” e ouvia-se a pequena multidão: “Nããããããooooo!” E o Paço Bandeira metia a viola no saco e ia para casa. Dessa época podia citar de cor, como ainda hoje as sei de cor, muitas músicas do pessoal das cantigas, mas vou dedicar este espaço musical ao Zeca Afonso porque ele foi até ao fim um dos grandes animadores e a sua mensagem está hoje bem viva e actual:

http://www.youtube.com/watch?v=2yZkC3YCU20

Como toda a gente passei pela fase romântica num tempo em que os slows ainda estavam na moda nas festas de garagem. Tive sorte: vivia numa vivenda com garagem e a festa era em minha casa. Sorte de eu ter um irmão sete anos mais velho que adorava música e que me dava a conhecer a boa música de todas as épocas. Sorte de eu, apesar de mais nova do que aquela gente toda, poder estar presente nas festas e, apesar de ser a “chavalinha nova” ser quase sempre convidada para dar um pezinho de dança, sempre com muito respeitinho por ser a mana mais nova do dono da festa. Era o tempo dos lugares comuns e esta música é um marco para essa geração onde ainda havia tempo e paciência para a arte da conquista através dos slows:

http://www.youtube.com/watch?v=IGiZWHL6wD0

Depois, em plena adolescência tive os meus momentos de revolta. Chegava a casa de cabeça cheia e queria era fechar-me no meu quarto para ninguém me partir a cabeça. Aí era inevitável a “violência”: ouvia bem alto os Ramones, os AC/DC, os Sex Pistols e agora à distância penso que era um verdadeiro bicho do mato para o pessoal lá de casa; e ainda me dava ao luxo de chamar “betinho” ao mano velho por ele continuar a ouvir boa música de todos os géneros: até os Bee Gees! Não havia eu de ser a ovelha negra da família! Havia em especial uma música que me dava vontade de partir coisas, não me perguntem porquê… mas nunca parti nada, apenas pensava nisso:

http://www.youtube.com/watch?v=BD6v-cSbrpc

Claro que pouco depois voltei a acalmar, embora continue a gostar destas coisas todas. Tive a fase do jazz, e a fase da música francesa, principalmente remexendo nos LPs antigos que havia lá por casa dos meus pais. Hoje em dia sou uma confluência de estilos e de épocas, até de música clássica eu gosto. Por isso quando me perguntam se gosto de música respondo: sim, de BOA música!:

http://www.youtube.com/watch?v=b5WVkl_f7_E

Mas às vezes dou por mim a saber de cor e a cantar as músicas que a minha filha (pré-adolescente) ouve na Rádio Cidade, algumas, muito poucas (aqui para nós: quase nenhumas!). Por isso volto sempre às MINHAS músicas:


Passo o desafio aos autores dos seguintes blogues:

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Peter Gabriel - Here Comes The Flood

Inventário Marítimo



Inventário Marítimo
(Letra JP Simões, música Sérgio Costa)


Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor, o dilema: no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.

E depois da cheia...

Lisboa: cheias de 1967

Comecei a ver o programa em estreia da Maria Elisa Depois do Adeus. Era sobre as cheias que ocorreram em Portugal em 1967, 1983 e a outra mais recente, parece que ocorrida em 2006, se não estou em erro. Das de 1983 lembro-me eu bem, guardo a imagem da estação de comboios de Algés repleta de água e da aventura de ter que pernoitar em casa de amigos, vendo os rios de água correndo na direcção do Tejo.

Às tantas Helena Roseta chamou a atenção para a questão de se continuar a construir subterraneamente em Lisboa e do que isso revela em termos da mais completa falta de bom senso. Exactamente o que já várias vezes eu disse a algumas pessoas: é completamente irresponsável construir para baixo em Lisboa, não só devido ao elevado risco sísmico mas também porque Lisboa está sujeita à subida do Tejo e construída sobre cursos de água que deviam poder fluir naturalmente consoante as marés e as subidas e descidas do Tejo, além de já ter sido vítima de um tsunami no terramoto de 1755.

Entretanto as nossas sumidades da arquitectura, engenharia e construção, na sua hybris modernaça, aliada à raçuda esperteza saloia, consideram-se pertencentes à primeira raça de imortais, desafiando as forças da Natureza e ignorando as lições da História.

Uma vez levaram-me ao Parque de Estacionamento do Largo do Camões: cinco andares sempre a descer por ali abaixo em curvas apertadas por entre betão já riscado pelas arranhadelas dos hábeis automobilistas, tal é a estreiteza. Obra certamente inspirada por igual estreiteza de ideias ou então talvez pelas habituais "razões económicas", que geralmente se traduzem em fazer as obras mais baratas para as declarar muito para além do orçamento inicial e, meter o dinheiro ao bolso de toda uma corja de patos bravos, engenheiros, arquitectos, fiscais e outros bandidos que tais. Se um dia há qualquer coisa, nem precisa de ser tão grande como outras que já aconteceram, aquilo em segundos converte-se numa tumba de betão e chapa. Nunca mais lá voltei, nem tenciono. E este é apenas um exemplo.

Não é que tenha medo da morte, embora uma morte macaca dessas não convenha a ninguém. Tenho é muito medo da estupidez que é causa da perda e da desgraça alheia. E a estupidez, no tempo de Salazar como no de Sócrates, continua protegida e reinante no nosso país!

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