"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."
"Se ocorrer qualquer agressão (americana) à Venezuela, não haverá petróleo para o povo dos Estados Unidos", disse Chávez durante um comício na cidade de Puerto Cabello, 120km a oeste de Caracas. "Nós, ianques de merda, saibam, estamos dispostos a sermos livres, custe o que custar" "A partir deste momento, o embaixador ianque em Caracas tem 72 horas para sair da Venezuela, em solidariedade à Bolívia" "Vão pro caralho, ianques de merda. Há aqui um povo digno, vão ao caralho 100 vezes", gritou Chávez no palanque. "a todo o mundo interessa que na Venezuela haja paz (...) Se ocorrer algo grave aqui, deixarão de sair três milhões de barris de petróleo diários, e o preço do petróleo chegará aos 200 dólares". "Ninguém quer por em risco a maior reserva de petróleo do planeta, a nossa"
Se o Pedro Rolo Duarte se metesse em politiquices, amanhã já o estava a ver a condenar no seu blogue o presidente Hugo Chávez pelo tom de rua. A gente cá gosta é de políticos a cheirar a brilho e a cobra e a mentir-nos descaradamente com um sorriso nos lábios enquanto nos enfia uma facada nas costas. Esta coisa de chamar os bois pelos nomes não é para nós que gostamos de falinhas mansas. E o Pedro que pensava que só o pessoal dos blogues é que dizia caralhadas! Ora toma e embrulha: "Vão para o caralho, ianques de merda, vão para o caralho 100 vezes", eis a linguagem que o povo quer ouvir. E nós aqui com estes políticos tão politicamente correctos a dizer que sim a gregos e a troianos. Já disseste que sim hoje, Pedro? E no entanto, se formos tão eruditos como o Pedro e consultarmos o termo na Wikipédia descobrimos que afinal "caralho" não passa de uma lenda urbana e por sinal bem edificante e atestada:
A reunião onde se formalizará a constituição desta comissão vai ter lugar no próximo dia 13 de Setembro (sábado), pelas 16 horas, na Biblioteca-Museu República e Resistência, situada na RUA ALBERTO DE SOUSA, Nº 31, EM LISBOA (AO CIMO DA RUA DA BENEFICÊNCIA).
O povo da Irlanda disse “Não!” à ditadura das instituições da União Europeia:
- Que impede os pescadores, os agricultores e os pequenos camionistas de sobreviverem;
- Que ataca todos os trabalhadores, destruindo a contratação colectiva e todos os direitos laborais, através de directivas (como o novo Código do Trabalho) e de sentenças do Tribunal Europeu de Justiça;
- Que impõe o desmantelamento dos serviços públicos, nomeadamente, na Saúde, no Ensino e na Segurança social;
- Que ataca a democracia e a soberania nacionais.
O povo da Irlanda disse “Não!”, tal como os pescadores de França ao declararem: “Abaixo a ditadura da União Europeia!”; tal como o afirmaram os povos francês e holandês, ao votarem “Não!” no referendo à “Constituição” Europeia, em Maio de 2005.
Como eles, o povo português tem o direito de poder expressar-se, através de um referendo, para dizer não ao processo de destruição da Nação portuguesa.
Nós, militantes e trabalhadores de Portugal, subscritores deste apelo, afirmamos: para defender todas as conquistas de Abril, para inverter este processo destrutivo, não há nada de mais urgente que romper com a União Europeia, abrindo a via à construção da UNIÃO LIVRE DAS NAÇÕES SOBERANAS DA EUROPA.
Consideramos que todos quantos se reclamam da defesa das conquistas de Abril e de uma vida digna para a população portuguesa – militantes, organizações e partidos – devem poder associar-se a esta batalha comum.
Apelamos à constituição de uma Comissão Nacional pela ruptura com a União Europeia.
Os primeiros subscritores:
Aires Rodrigues; Daniel Gatoeiro (op. químico Mª Grande); Nelson Matos (op. químico Mª Grande); Celso Martins (op. químico Mª Grande); José Simões (op. vidreiro Mª Grande); Aurélio Marques (op. vidreiro Mª Grande); Arsénio Cerejo (op. vidreiro Mª Grande); Fernando Simões (op. vidreiro Mª Grande); Adélia Gatoeiro (opª. vidreira, Delg. sindical Mª Grande); Vírgilio Guerra Marques (designer Mª Grande); Isabel Pedro (empr. Cartonagem Mª Grande); José Caiado Galego (empres. Moldes Mª Grande); Vítor Braga Pontes (lapidário Mª Grande); Prudência Videira (profª Ens. Sec. Mª Grande); Mª João Gomes (secret. Adm. Mª Grande); Luís Ferreira da Silva (pequeno empres. Bajouca, Leiria); Manuel dos Santos (pedreiro Bajouca, Leiria); Paulo Azevedo Ferreira (empreg. comercial Monte Redondo, Leiria); Vítor Santos (empres. restauração Praia do Pedrógão, Leiria); Mª de Fátima Coutinho (empresª. restauração Praia do Pedrógão, Leiria); Cristino Paulo (Assembleia de freguesia de Alfarelos, vereador independente);Carmelinda Pereira; Isabel Salsinha (func. pública); Luísa Cintrão (professora); Joaquim Pagarete (professor); Paula Montez (enc. de educação); Carlos Melo (bancário); Santana Henriques (Círculo de Leitores); Vítor Amaral (func. público); António Katchi (professor, Macau); Maria da Luz Oliveira (professora); Carlos Aguiar (biólogo); Fernanda Carvalho Silva (professora); Catarina Pedrosa (professora); Cláudia de Sá Pereira (professora); Helena Carvalho (func. pública); António Serra (analista-programador); Adélia Gomes (professora); Maria Cândida Barros (professora); Lourdes Coelho (professora); Ema Fogaça (professora); Joana Tavares Vargas (educ. infância); José Jorge Leitão (professor); Manuela Leitão (educ. infância); Marcelina Nogueira (reformada); Maria João (doméstica); Manuel Pereira (pedreiro); Diogo Nogueira (emp. mesa); J. E. (bancário); José Nogueira (emp. balcão); Maria Nogueira (doméstica); Naida Rebelo (func. parlamentar); Paulo Tremoceiro (func. público); Maria Stela Cavaco (func. pública ap.); Sílvia Cavaco (técnica informática); Eugénio Boiça (op. vidreiro Mª Grande); Irene Pinto (opª. vidreira Mª Grande); Antero Rodrigues (vidreiro ref.); Adelina de Sousa (vidreira ref.); Joaquim santos (vidreiro ref.); José Anjo (vidreiro ref.); Celeste Neto; Armando Costa (trab. indep.); Elsa Lino (secret. comercial); Joaquim Panacho (op. moldes, Mª Grande); Aníbal Lino (ref.); Helena Lino (refª.); Vladimir Rodrigues (pintor); Margarida Pagarete (estudante); Isabel Reinhards (refª); André Genage (func. público); Ana Paula Medeiros (professora); Anabela Alves (professora); Mª LaSalette Arcas Silva (professora); Mª Isabel Pires (dirig. SPGL); Vítor Lopes (Mª Grande); Hermínio Freitas Nunes (indústria Mª Grande); Mª Vitória Martins (desempregada Mª Grande); Nídia Veríssimo (desempregada Mª Grande); Mª Eugénio Diogo Coelho (Mª Grande); Carla Coelho Gonçalves (Mª Grande); Américo Rosa (reformado Mª Grande); José Manuel Rodrigues (reformado Mª Grande); José João Manuel (reformado Mª Grande); António Dinis (reformado Mª Grande).
"Repare-se, por exemplo, que um dos blogues mais activos tem o o significativo nome de “A Sinistra Ministra” – nome infeliz para um blog onde a linguagem desce a um nível nem sempre pedagógico...
Por essa blogoesfera fora, critica é a palavra-chave, mas nem sempre nesse tom de rua"
O Sinistra Ministra está de parabéns! Grande é a honra de um blogue ser conotado com a voz da rua (será a dos 100 000 mais a dos que não puderam lá estar?)
Diz uma amiga de longa data que quem já por lá andou acaba por lá voltar. Eu tendo a concordar com ela porque faço parte dos que sempre voltam à Festa do Avante. Em absoluto não temo conotações políticas. Sou de esquerda, desde que ganhei consciência sempre fui e isso basta-me. Tal como alguns têm a sua própria concepção de divino eu tenho a minha própria concepção da esquerda e essa já se tornou num princípio, já ninguém ma tira. Estou do lado do que me parece justo e verdadeiro. Com muito cuidado para não me deixar levar pelas aparências. E isto porque a esquerda não é linear. Não há só uma esquerda, há muitas tendências de esquerda que enveredaram por formar partidos políticos diversos. Ora o triunfo da esquerda sobre o sistema capitalista depende da unidade de todas as vozes contra esse poderoso inimigo do bem estar dos povos. Quanto mais a esquerda se dividir, mais o capitalismo se fortalece. Já houve um tempo em que o capitalismo era próspero, na medida em que investia e produzia, gerava emprego e não desemprego, apesar de sempre ter sido explorador da força de trabalho, desvalorizando-o face aos meios de produção e graças à invenção do seu direito à propriedade privada. Mas hoje o capitalismo produz em excesso e consome em excesso, apropriando-se e destruindo indiscriminada e irracionalmente todos os recursos. O capital financeiro que nada produz senão lucros e prejuízos; a ambição desenfreada do lucro rápido e desmedido obtido através da desvalorização do trabalho e do despedimento em massa, são hoje estratégias desesperadas que minam as sociedades. Guerras, fomes, catástrofes ambientais são hoje consequências do desregramento e do egoísmo de muitos séculos de sistema feudal e gestão irracional. A "globalização" veio instituir o capitalismo como o modelo vencedor mas a realidade mundial desmente a sua eficácia em gerir racionalmente o planeta. Quanto ao socialismo ainda está por cumprir mas a falência da actual ordem mundial exige a mudança de rumo. Ou queremos continuar a esgotar o planeta e oferecer de mão beijada os recursos que permitem a sobrevivência da Humanidade ou nos unimos e lutamos por uma nova ordem mundial capaz de os repartir com mais justiça e equidade.
Há uma dúzia de anos tive uma linda bebé que tiveram que ir com muito cuidado buscar lá ao quentinho onde estava escondida, preguiçosa de nascer. Na altura não se sabia o sexo devido à posição em que colocava as pernas. Quando saiu cá para fora vinha sem beliscadura, sem passar por nenhum tipo de sofrimento. Puseram-na em cima de mim e por esse momento inesquecível ainda hoje fico feliz por ter sido operada com a epidural, podendo estar acordada para a receber. Passou por uma fase em que tinha pena de já não ser mais bebé, querendo prolongar esse tempo, o que me faz acreditar que teve uma infância feliz (é tão importante ter-se uma infância que se recorda como um tempo de felicidade!). Depois passou pela fase do cor-de-rosa e do mundo maravilhoso das princesas, dos vestidos de menina que já nem se encontravam nas lojas na altura. Agora deu um grande salto e deixou tudo isso para trás. Mudou muito por fora, embora, como ela mesma diz, continue com a mesma carinha… Está em nítido processo de mudança na forma como pensa, como emite os seus juízos, como se relaciona com as pessoas e como afirma a sua própria consciência de mudança. Está a crescer. E é realmente maravilhoso assistir à sua evolução.
Vejo-a sempre como uma potencial artista porque é muito criativa no uso dos materiais. Era muito pequena e já trazia do jardim pedras, paus, folhas, sementes e flores para fazer as suas composições. E sempre foi assim, inventiva. Este desenho foi ela que fez. Tenho milhares de desenhos, esculturas, bonecos de rolos de papel higiénico acabado e, mais recentemente, de pano, cosidos. Quando tem aulas sente-se sempre frustrada por ter pouco tempo para si própria e para dar largas à imaginação. Já demonstra ânsias de independência e começa a saber bem o que quer e o que não quer.
É extraordinário como mesmo as medidas do governo que supostamente servem para beneficiar a populaça, se revelam falaciosas. É o caso do passe escolar 4_18@escola.tp, o tal que concede um desconto de 50% a alunos da escola pública e das escolas privadas que o requererem. Quando estive na secretaria da escola a pagar os 15 euros ilegais para “emolumentos e cartão magnético” a que a escola me obrigou, reparei que outros pais solicitavam o papel para requerer este benefício. Trouxe comigo o papel devidamente carimbado e hoje dirigi-me ao balcão com os impressos preenchidos para requisitar o cartão (vai ter o passe pela primeira vez). O tal do passe, que na Vimeca ao que parece corresponde ao selo 12…, custa cerca de 26 euros. Com o desconto de 50% fica em cerca de 13 euros. Mas a meio da conversa fui sabendo que existe outro passe, normal, o 1…, que serve perfeitamente para o percurso que a minha filha terá que fazer para a escola. Este passe custa cerca de 11 euros na totalidade! Mas o mais incrível é que neste caso não se pode requerer passe de estudante, com 50% de desconto. Não sei se na Carris também é assim, mas na Vimeca pode não compensar usufruir do tal desconto para estudantes, a não ser se quiser dar ao seu filho a nova oportunidade de viajar por todo o concelho! Ou seja, sai mais caro o tipo de passe que oferece este desconto, do que um passe, embora menos abrangente, que cumpriria perfeitamente a sua função de transportar o aluno à escola em questão. Resultado, vim para casa meditar e conversar com outras pessoas sobre o assunto, não fosse eu estar a ver mal a coisa. Os passes que o governo destina aos estudantes são para ir para a escola ou são para os alunos se passearem por toda a Lisboa e arredores? Assim como assim se os alunos faltarem às aulas para gozarem o passe lá estarão os professores para lhes fazer as benditas provas de recuperação, quando atingirem o limite de faltas, para as corrigirem e para voltarem a fazer mais se aquelas correrem mal… até passarem e atestarem que essa parte da matéria, a que não assistiram por se terem baldado ou por terem estado realmente doentes, está sabida! (consultar novo Estatuto do Aluno - Lei nº. 3/2008). Assim legislam os sabidos que hoje destroem os alicerces da escola pública enquanto aliciam e iludem o povo com falsos benefícios e compensações: descontos que parecem descontos mas que afinal saem mais caros do que sairia normalmente o passe se não existisse o desconto; possibilidades de sucesso a alunos que faltaram a partes da matéria que ninguém lhes chega alguma vez a ensinar, mas que os professores terão que atestar e avaliar até passarem. Como pode eticamente um professor atestar matérias a que o aluno não assistiu? Não devem os professores se recusar a cumprir esta insensata ordem? Então um professor sabe em consciência que o aluno faltou àquelas aulas, que não esteve presente quando deu aquela matéria, e acede em fazer um teste sobre essa matéria, para atestar os conhecimentos do aluno? Estarão a contar com os explicadores que, apud Valter Lemos todas (!) as crianças portuguesas hoje têm? E como pode um ministro vir para os media alardoar descontos e benefícios e não haver quem tenha voz para lhe provar por a+b que o desconto que apregoa aos quatro ventos não passa de pura demagogia própria de vendedores da banha da cobra? Por que não reagem os pais e os professores em conjunto a estas trapaças? E os jornalistas e os cidadãos em geral? Porque não escrevem para todo o lado a desmentir a conversa e as leis destes dirigentes fajutos? Que rolha tapará agora a nossa garganta?
Tanto faz rir como chorar ... A Ministra da Educação diz que a «estabilidade» não permite mais colocações e pior ainda: "Lurdes Rodrigues acredita que os professores desempregados «terão a sua oportunidade», mas fora do sistema de ensino" (IOL Diário)
(recebido por mail)
Bem, das duas uma: ou andaram a estudar para serem professores e afinal vão ter que acabar a trabalhar numa caixa de supermercado, a ganhar miseravelmente; ou então vão mesmo conseguir dar umas aulinhas fora do sistema, contratados por uma empresa manhosa que lhes arranjará umas horas nas escolas a assegurar as Actividades de Enriquecimento Curricular e a ganhar miseravelmente, claro.
Passo a publicar o testemunho e os resultados da curiosidade de um leitor e comentador deste blogue, que por razões óbvias pediu para ser reservada a sua identidade, acerca dos truques que estão a caracterizar o Destacamento por Doença, aqueles que só são detectáveis por quem anda nisto há muito tempo e sabe que é necessário estar sempre à espera do pior. (...)" (Paulo Guinote,A Educação do meu Umbigo)
Leia na íntegra e distraia-se com a actividade de expressão dramática:
“Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório.” (Artº. 26º. da Declaração dos Direitos do Homem)
Ainda em tempo de férias recebi um papel da escola secundária para onde a minha filha vai este ano onde dizia para eu comparecer no dia 1 de Setembro, pelas 9h30 para proceder ao pagamento de 15 euros “para Impressos + Cartão Magnético”. Nem por coincidência, nesse mesmo dia de Agosto, no jornal que comprei, aparecia uma notícia dizendo que o Estado previa gastar “um máximo de 18 milhões para o sistema do Cartão Electrónico”. Infelizmente não trouxe comigo esse recorte, por isso ontem passei boa parte da noite à procura da notícia na Internet. Acabei por encontrar esta, que para o efeito servia muito bem. O que me chocava mais em tudo isto era o facto de a escola não só obrigar a este pagamento, em vez de pedir a colaboração financeira dos pais, mas da ameaça contida na observação final: “a falta de pagamento de todas as despesas relacionadas com a matrícula, implicam a sua invalidação”. Já na anterior escola sempre me indignou a forma como um pagamento semelhante era exigido aos pais, surgindo os 15 euros na lista de documentos a entregar no acto da matrícula, pelo que deixei de pagar. Ou seja, não é pelos 15 euros que eu me indigno, provavelmente dá-los-ia de boa vontade se os termos fossem outros, do tipo: a escola pede aos pais que possam contribuir com x euros no início do ano lectivo para poder facultar aos alunos fotocópias, ou para despesas com o envio de informações aos encarregados de educação, qualquer coisa deste género. O que me revolta é que as escolas lidem com os pais como se fossem ignorantes, desinformados ou gente que se limita a pagar e a não bufar, embora tudo isto possa ter o seu quê de verdade. Por isso hoje saí de casa e quando chegou a minha vez de ser atendida e a funcionária me pediu o dinheiro, eu apenas muito delicadamente lhe pedi que me indicasse a lei que obrigava a tal pagamento. Afogueada mas obstinadamente determinada a cumprir as ordens que tinha por mais absurdas que fossem, começou logo a falar alto para as colegas e disse que eu aguardasse que ia lá dentro saber. Esperei um bom bocado enquanto outros pais iam pagando sem nada questionar, até que ela voltou e me disse que o senhor professor (futuro senhor director?) tinha dito que a lei era “a lei geral do Ministério da Educação” (sic!) e que o pagamento era para emolumentos, para o cartão magnético e… Então eu, mostrando-me admirada perante tal lei geral, mas muito calmamente lembrei-lhe que já no ano passado tinha havido um reboliço nos media por causa de escolas estarem a cobrar matrículas indevidamente e, quanto a destinar-se ao cartão magnético, mostrei-lhe a página retirada da internet onde é dito que está previsto as escolas receberem esse dinheiro do Estado. Contra-argumentou que ainda não receberam esse dinheiro mas quando a inquiri se quando recebessem o dinheiro ia ser devolvido aos pais ela afirmou que esse dinheiro não ia ser devolvido e arrematou a conversa dizendo que se não pagasse a matrícula seria anulada, eram ordens. Fiquei-me por ali. Via a indicação do estabelecimento ter livro de reclamações mas, francamente, a minha filha vai para aquela escola pela primeira vez, para lá ficar provavelmente até ao 12º. ano e aquele era o meu primeiro contacto com a escola. Esta, que até agora me causara uma boa impressão pelo ar organizado e pelos espaços exteriores bem ajardinados e cuidados, com boa acessibilidade para cadeiras de rodas e considerável limpeza, de repente foi como se toda essa cara lavada ficasse subitamente com a pintura esborratada. Paguei a quantia e retirei-me sem alarde mas não vou ficar calada porque não gosto de ser comida por otária, muito menos pela escola onde os meus filhos vão ser educados. Não é um bom exemplo. Desde então só me vem à cabeça que todo o país, das escolas aos ministérios, estão a funcionar em regime do mais completo cambalacho. As associações de pais organizadas protestam, o ME aparece a dizer que esses pagamentos não são obrigatórios, mas na verdade tudo isto se repete todos os anos: protestam os pais (sempre os mesmos), os media vão buscar o assunto, o ME põe água na fervura e diz que sim mas que também e os pais acabam sempre por pagar, alguns mesmo com receio de que depois sejam os filhos a sofrer as represálias dentro da escola. Estamos neste pé já há anos, vivemos hoje em Portugal um clima da pequena (!)corrupção institucionalizada. (já fizeram as contas? 15 euros/aluno) Todos sabem que é ilegal mas continuam a praticar-se as mesmas ilegalidades todos os anos. Claro que tenciono reclamar junto do Ministério da Educação, sempre quero ver o que me vão dizer de lá. Trata-se agora de um caso de persistência e de burocracia: mail ou carta registada para lá, resposta esfarrapada para cá. Em breve o Ministério lavará as suas mãos e o caso passará para as mãos das autarquias que já nada terão a ver com o que se passava antes e ninguém será responsabilizado por estas cobranças indevidas. Provavelmente o pagamento de matrículas no ensino obrigatório será um dado adquirido e até mesmo imposto por lei. Mas enquanto este for mais um direito espezinhado pelas instituições, eu aqui estarei para espernear até às últimas consequências.
Desde que cheguei a Lisboa tenho ido todos os dias andar de bicicleta, um dos meus desportos preferidos. Ainda hoje pensei no grande privilégio que tenho em morar onde moro, o que me permite fazer vários percursos agradáveis e pouco perigosos para as crianças. Passa-se a estação dos comboios de Algés para o outro lado da linha e, ali na zona onde foi o Alive há uma estrada fechada aos carros. Segue-se por aí até ao fim da estrada e continua-se direito à Cruz Quebrada por um carreiro de terra. Mais à frente é possível passar pela passagem subterrânea e ir andar à volta do rio Jamor, onde há a canoagem, perto da Piscina do Estádio Nacional, sem nunca haver carros. Outro percurso possível é ir até à Praia de Algés e andar por ali ao longo do rio até ao local onde os barcos entravam para o porto da Docapesca, isto se nos abstrairmos do mau cheio que vai por lá. Claro que esse percurso é bom para os primeiros dias, ou para o aquecimento. Nos dias seguintes, com o endurance e com o traseiro mais calejado, começa logo a dar vontade de andar mais um pouco em direcção à Torre de Belém. Hoje já fomos até um pouco mais do que o Padrão dos Descobrimentos e não tardará muito a irmos até Alcântara, abaixo da Ponte 25 de Abril. Também já falámos na possibilidade de pôr as bicicletas dentro do barco e atravessarmos para a outra margem para explorarmos as potencialidades da zona ribeirinha. Foi mesmo boa ideia ter recuperado uma velha bicicleta que parecia entregue aos bichos. Era a minha bicicleta de adolescente e continua ali para as curvas.
Todos os dias o Pafúncio é a página em branco que ouso preencher. Janela para outras janelas, porta para outras portas, vaga para outras vagas, outras ondas. Por vezes perco-me completamente, volto atrás ou deixo-me fluir. Descobertas e tormentas, cais vários onde ancoro e me deixo ficar a fruir. Ilhas, pequenas maravilhas que me vêm visitar e que revisito. Um turbilhão de mar e um vazio por vezes de não saber como dizer tudo o que é preciso dizer. Crises de tempestade. Encalhe. Naufrágio. Sobrevivo à custa de persistência de ir dizendo qualquer coisa que importe a alguém. E que essa coisa dita possa desencadear uma coisa feita.
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
BONECAS DE ATAÚRO (TIMOR): 11/Fev, Coimbra; 12/Fev, Lisboa (embaixada Timor-Leste)
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o Fantasma do Freeport
BUUUUU! Não há quem os prenda?
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