sábado, novembro 15, 2008

Texto da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas Francisco Carneiro

Ex.mo Senhor Presidente do Conselho Executivo
do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro
Ex.mo Senhor Presidente do Conselho Pedagógico do
Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro
Ex.ma Senhora Presidente do Conselho Geral Transitório
do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro

A Associação de Pais/Encarregados de Educação do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, preocupada com as opções de política educativa deste Governo que considera fortemente negativas para as escolas públicas cuja qualidade nos interessa sobremaneira assegurar, comunica, por este meio, o seguinte:
• Esta Associação de Pais/Encarregados de Educação pretende que os alunos sejam o centro de interesse das escolas e dos professores. Entende, no entanto, que o modelo de avaliação de professores que o Ministério da Educação tenta teimosamente impor contraria ou inviabiliza essa sua pretensão: os professores terão cada vez menos tempo para preparar as aulas e para dedicar aos alunos uma vez que muito do seu esforço e do seu tempo incidirá na preparação do seu dossier pessoal, no preenchimento dos múltiplos documentos que o modelo integra. A Associação de Pais/Encarregados de Educação considera que de nada vale um dossier muito bem elaborado, uma planificação muito bem feita se ao professor não restarem forças para o trabalho de sala de aula, disponibilidade física e mental para ENSINAR, para ESTAR com os alunos, para OUVIR e AJUDAR os nossos filhos/educandos. Em suma, este modelo de avaliação em nada beneficiará a relação pedagógica nem a qualidade das aulas, entendemos que terá o efeito contrário, conduzindo o professor à exaustão e à desmotivação, ao stress contínuo, o que só poderá ter reflexos negativos ao nível do seu desempenho.
• A Associação de Pais/Encarregados de Educação opõe-se com determinação à efectivação de alguns dos itens da grelha de avaliação de professores que pensa desacreditarem completamente a figura do professor e a imagem da escola pública. Destacamos alguns deles pelos motivos que sinteticamente apresentamos:
A obrigatoriedade de aulas assistidas, por considerarmos que é ao Ministério da Educação que compete investir numa formação inicial e contínua de qualidade para os professores que coloca nas escolas públicas e, se entendemos essa exigência no ano de estágio, não podemos aceitar que os professores dos nossos filhos/educandos sejam eternos estagiários, pois não é legítimo que se proceda a esta invasão daquele espaço mágico de comunhão e interacção professor-alunos e não vemos nisso qualquer vantagem para os nossos filhos/educandos. Por outro lado, este poderá constituir um factor de desautorização do professor face à turma e nós defendemos que a autoridade do professor na sala de aula não pode nem deve ser ameaçada por qualquer iniciativa deste género. As crianças e os adolescentes que confiámos às escolas desse agrupamento precisam de confiar na segurança científica do professor, na sua autonomia, em nada beneficiarão se colocarem em questão a autoridade do professor. Por outro lado, queremos sublinhar que, se escolhemos as escolas deste agrupamento para os nossos filhos/educandos é porque reconhecemos que nelas predominam professores de muito mérito, de grande competência científica e pedagógica, a cuja formação inicial certamente têm acrescentado muitas horas de actualização científica e pedagógico-didáctica, muitas vezes a despensas próprias e por auto-iniciativa, quando cabe, na nossa opinião, às estruturas do Ministério da Educação facultar essa formação aos professores que são o garante do desenvolvimento cultural do país. Entendemos, ainda, que o novo regime de autonomia das escolas permite aos órgãos de gestão actuar de forma contextualizada e eficaz nos casos problemáticos que possam surgir e que os Pais/Encarregados de Educação também poderão contribuir para identificar. Não nos parece legítimo que a autoridade e a competência de todos os professores sejam colocadas em questão para despistar algum eventual prevaricador que, estamos certos, saberia como contornar a situação numa aula assistida. Mesmo que as aulas assistidas tivessem um intuito formativo, o que não nos parece ser de todo o caso, cremos que os prejuízos que trariam para a relação pedagógica seriam sempre maiores do que os benefícios.
A consideração da melhoria dos resultados escolares dos alunos na avaliação do professor: isto poderá conduzir ao descalabro da escola pública uma vez que, com toda a legitimidade porque a avaliação individual é um elemento fundamental para a progressão na carreira, os professores serão obrigados a dar boas notas para terem níveis de excelência. Esta medida foi uma forma que o Ministério encontrou para acabar de vez com o insucesso e para garantir bons resultados. Mas nós, Pais/Encarregados de Educação, não podemos aceitar este engano: queremos que o professor tenha a liberdade de dar boas notas a quem se esforçou e as mereceu, que tenha a liberdade de admitir que um aluno não foi capaz de atingir todos os objectivos, independentemente do seu esforço individual, tenha a liberdade de admitir que um aluno não reúne condições para transitar de ano. Queremos e exigimos da escola a verdade: não é retirando os obstáculos do caminho dos nossos filhos/educandos que os vamos ensinar a lutar e a vencer as adversidades, pelo contrário, contribuiremos para que eles se esforcem cada vez menos porque não se lhes exige esforço. A escola deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir o sucesso a todos os alunos, mas não se pode penalizar ninguém porque um aluno não conseguiu. Perguntamos como seriam avaliados os professores cujo horário integrasse duas turmas problemáticas? Mesmo que fossem os professores mais competentes científica e pedagogicamente e mais dedicados muito dificilmente conseguiriam chegar ao nível de excelência. Será que a escola tem o direito de os penalizar desta forma? É um parâmetro de avaliação que nos parece que criará muitas injustiças e muita desmotivação junto da classe docente. E não podemos aceitar que os resultados escolares dos nossos filhos/educandos sejam superiormente manipulados.
A consideração do abandono escolar na avaliação do professor: esta é uma decisão que ultrapassa a sua esfera de competências. É aos Pais/Encarregados de Educação que compete decidirem sobre o futuro dos seus filhos/educandos. A escola pode sensibilizá-los, motivá-los, alertar as autoridades competentes, mas não pode obrigá-los. Penalizar um professor pelo abandono escolar é ainda mais ridículo e injusto do que penalizá-lo pelo insucesso.
A consideração dos resultados das provas de avaliação externa e a respectiva diferença relativamente à avaliação interna: há factores de índole individual que não são susceptíveis de serem controlados pelo professor (a ansiedade, o stress, a insegurança, o pânico que se apodera de algumas crianças ou adolescentes e jovens nos momentos de exame e que nós, pais/encarregados de educação, testemunhamos desde o final do primeiro ciclo). Como pode um professor garantir que um aluno a quem reconheceu competências para lhe atribuir um nível 4 no nono ano mantenha o resultado na prova final? O professor só deve ser avaliado por aquilo que pode determinar e não por aspectos que escapam ao seu controlo.
Assim, a Associação de Pais/Encarregados de Educação do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro manifesta o seu total desacordo com a aplicação deste modelo de avaliação e solicita se dignem proceder à suspensão deste processo de avaliação nos moldes em que foi concebido, por considerar que é prejudicial para a tranquilidade, a transparência, a qualidade e a confiança que exigimos da escola pública. Entendemos que os professores dos nossos filhos/educandos não devem sujeitar-se a um modelo de avaliação que não garanta desde o início clareza, rigor, justiça e transparência.

Chaves, 4 de Novembro de 2008
O Presidente da Associação de Pais

quinta-feira, novembro 13, 2008

Dilemas de uma educadora

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"Pus todos os ovos na educação"

Sr. Presidente da Câmara de Fafe

Confesso que ontem, quando ouvi a notícia ao fim da tarde na TSF tive a seguir grandes dificuldades em manter uma postura digna enquanto educadora. Tivesse o caso ocorrido com uma professora anónima que fosse agredida numa escola por alunos munidos de ovos, eu teria feito um discurso de desaprovação aproveitando o incidente para ensinar aos meus filhos que o desrespeito por quem merece o nosso respeito é desprezível. Só que desta vez o caso era diferente: tratava-se de Maria de Lurdes, a tenebrosa ministra da educação, que a longo prazo irá comprometer com as suas políticas educativas o futuro dos jovens e que, começou por tramar toda uma classe profissional, dividindo-a e esgotando-a, ao querer aplicar aos professores - habituados a trabalhar em equipas - o mesmo modelo de estatuto da carreira que foi aplicado à função pública. Esta, já mais habituada a lidar com burocracias, não estranhou tanto, nem rabiou o suficiente, muito embora esteja em silêncio a enfrentar terríveis injustiças. A seu tempo voltarão à carga, unindo a sua luta à luta dos professores. Só que entretanto fecham a porta e vão para casa e os mais estóicos não pensam mais nisso até ao dia seguinte, enquanto que no caso dos professores depois de tantas leis absurdas, burocracias e reuniões, para além das desgastantes aulas, ainda os espera pela frente em casa, para além das famílias, preparar aulas, ver testes e pensar nas estratégias educativas a usar no caso da turma a ou b continuar a ter insucesso ou a portar-se mal. Quanto ao futuro dos alunos, Maria de Lurdes Rodrigues, de joelhos, para chegar a cumprir as taxas de sucesso esperadas pela União Europeia, não hesita em vir agora pedir desculpa aos professores, propondo-lhes que anuam em promover e usar o facilitismo a seu favor, falseando os dados se quiserem progredir na carreira. Ao mesmo tempo que lhes diz: temos pena mas o buraco da agulha é estreito e só alguns de entre vós poderão progredir, os outros são para ficar na cepa torta, embora um pouco melhor que os novos contratados: agora amanhem-se lá entre vós que o que é preciso é fazer, seja lá o que for, e de que forma for: simplifiquem, disse ela.
Quanto aos alunos não é realmente preciso avisá-los (embora fosse de louvar), para quê vir dizer-lhes que a escola se converteu numa balbúrdia do salve-se quem puder que atinge os próprios professores: eles já o sabem, estão lá dentro. Apercebem-se do facilitismo que converte a escola pública num local para êpater les enfants e, como eles não gostam de ser tratados como mentecaptos, acabam por se revoltar. Encerram-nos dias inteiros da sua juventude em escolas que não são pensadas para eles, muitas nem de uma sala de alunos dispõem; oferecem-lhes como espaços de permanência locais de betão, desabrigados e desconfortáveis, convidativos à violência e dizem-lhes: se mesmo assim tiveres insucesso ainda cá passas mais tempo.(aos papás albinos dá-lhes geito!). Retiram-lhes a liberdade de não ter uma aula quando os professores da turma faltam e impigem-lhes professores deslocados no meio de uma turma que lhes é estranha: mandam os professores substitutos para a cabeça do touro, encarados pelos alunos como intrusos gozáveis. A ministra veio hoje dizer que ao nível das contestadas aulas de substituição está tudo bem, afinal todos se adaptaram às novas circunstâncias. Mas é mais uma mentira. Ela nunca deu aulas de substituição e agora nem sequer pode sair mais à rua. Os miúdos não lhe perdoam. Os jovens não perdoam a mentira.
Por isso quando ouvi que lhe mandaram com ovos tive que me rir, porque tudo começa a ser risível de tão ridículo que se tornou este apego à mentira, esta obstinada teimosia dos nossos governates, que se contagia entre eles como uma praga que os há-de dizimar. E afirmei perante os meus filhos que de facto foi pena não se terem sabido conter: não terem esperado mais uns segundos para dar tempo a ela sair do carro e se aproximar de forma a atingirem em cheio o seu ridículo alvo.
Como educadora preocupada que sou, não posso deixar de condenar que se desperdissem ovos bons, com a fome que vai pelo mundo. Para a próxima atirem-lhe com tomates dos podres, porque ela é merecedora de toda a vossa indignação mas, como disse um dos estudantes: tivemos que usar o que estava ao nosso alcance.
Menos esperança tenho nos pais, e falo com conhecimento de causa pois tive oportunidade de constatar no terreno que existem mais Albinos do que se possa supor. Talvez, face à instabilidade instalada, ainda venham a compreender o que se passa na escola pública, nem que para tal seja mesmo preciso os professores tomarem a iniciativa de começar a alertá-los dando-lhes exemplos práticos, tão reais quanto ridículos e absurdos. E que sejam os seus próprios filhos a darem o primeiro passo na revolta contra um modelo de escola que abominam. Não se espere que sejam eles, pais, a se informar, pois são mesmo (ou principalmente) os que se julgam mais informados que, em consequência, são os mais desinformados, ou seja são aqueles que lêem os jornais e vêem os noticiários que a comunicação social mais procura baralhar e desinformar, voltando tudo ao contrário, dando demasiado ênfase à avaliação (porque sabem que eles pensam daquela forma bem portuguesinha: se eu lá no meu serviço estou a ser lixado com a avaliação, por que não hão-de os sacanas dos professores de ser também sacaneados?) e procurando esconder dos pais e dos cidadãos em geral que o que está verdadeiramente em causa é a destruição da escola pública e do futuro das novas gerações.

quarta-feira, novembro 12, 2008

À deriva...

Vivemos num tempo que se sente fabulosamente capaz de realizar, porém não sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido na sua própria abundância. Com mais meios, mais saber, mais técnica do que nunca, afinal de contas o mundo actual vai como o mais infeliz que tenha havido: puramente à deriva.


Ortega y Gasset, in "A Rebelião das Massas"

domingo, novembro 09, 2008

sábado, novembro 08, 2008

Esperemos que não!

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CDEP na Manifestação de 8/Novembro


Categoria só há uma: Professor e mais nenhuma!

Revogação do ECD do ME e do seu Decreto-lei da avaliação docente!

Todos juntos numa só LUTA!

Retirada da assinatura no “Memorando de entendimento” com o ME!

Já mais de 400 professores, educadores e encarregados de educação de mais de 100 escolas de todo o país (do Minho aos Açores) assinaram uma moção com estas palavras de ordem.

Tal como é dito na moção, “a retirada da assinatura no Memorando com o ME, por parte das organizações sindicais, significará para todos os docentes a quebra de todo e qualquer compromisso de entendimento com a equipa do ME, dando assim um poderoso sinal de confiança a todos quantos apostam na realização da unidade com as nossas organizações sindicais, na base das reivindicações do conjunto dos docentes.”

Um membro da Direcção do SPGL declarou: «A Fenprof e a Plataforma estarão no dia 8 para afirmar que rejeitam este ECD, a divisão da carreira e este modelo de avaliação, defendendo a saída da comissão paritária (o fim do Entendimento), a rejeição do novo modelo de concursos e da nova Gestão dos Directores/Reitores. Não cedemos a chantagens e não haverá negociações possíveis. (…) A nossa desobediência colectiva será impossível de controlar.»

Os membros da CDEP empenhar-se-ão, com os professores, os outros trabalhadores do ensino, os pais e os estudantes, para a concretização destes objectivos.

Assina a moção em http://www.PetitionOnline.com/mocaoecd/petition.html


Deixem-nos ser professores! Deixem os professores ensinar!

Mais do que nunca, a complexidade da vida social, bem como a revolução operada nos meios de comunicar e de aceder à informação, exige que o processo escolar e educativo seja assumido por equipas pedagógicas, onde o profissionalismo e o sentido de responsabilidade são uma exigência constante.

É a partir delas que tem que ser assegurado um ambiente de tranquilidade, de liberdade e de rigor, propiciador de boas aprendizagens. Nesse ambiente os alunos serão o centro de toda a actividade desenvolvida na escola, mas a pedra angular da mesma são, essencialmente, os seus professores e educadores.

O Ministério da Educação impôs a divisão dos docentes em categorias, retirou-lhes a liberdade de ensinar e de aprender, impôs-lhes constrangimentos de toda a ordem, a partir de um processo de avaliação impossível de cumprir e de aceitar, a par com o agravamento das condições de trabalho, com turmas mais numerosas e sem apoios especializados para responder a todos os alunos.

A ofensiva é sobre os docentes e as suas consequências nefastas recaem sobre os alunos.

Por isso, os 100 mil, no passado dia 8 de Março gritámos: “Deixem-nos ser professores!”

De novo esta mobilização é retomada, exigindo – com todos os sindicatos e todos os movimentos de professores – a suspensão imediata do modelo de avaliação, a revogação do ECD e o restabelecimento da gestão democrática das escolas.

A CDEP está com os professores e educadores, nesta mobilização, e considera que dela decorre a exigência – expressa por milhares de docentes – de retirada da assinatura da Plataforma sindical no Memorando de entendimento com o ME.

sexta-feira, novembro 07, 2008

DEBATE RUE

«A crise do sistema capitalista e a maneira dos trabalhadores se defenderem dela»

Sexta-feira, 7 DE NOVEMBRO, às 21 horas

Rua Santo António da Glória, nº 52-B, cave C,

Lisboa

Em PORTUGAL 20 mil milhões de euros para os especuladores

ESTE PLANO DEVE SER RETIRADO!

Em Dezembro de 2007, interpelado na Assembleia da República por Jerónimo de Sousa sobre se o compromisso de Sócrates era com o povo português ou com a UE, Sócrates respondeu: “O meu compromisso é com a Europa!”. Isto apesar do referendo à Constituição Europeia – documento semelhante em 95% ao Tratado de Lisboa – ser uma das suas promessas eleitorais.

No único país cujas leis nacionais obrigam à consulta popular por meio de referendo, o povo da Irlanda disse um “NÃO” peremptório ao Tratado de Lisboa. Desde então os dirigentes da União Europeia têm procurado por todos os meios dar a volta às leis que os próprios criaram para colocarem em causa esta escolha popular.

Agora o “compromisso” claramente assumido pelos governos europeus, em sintonia com os Estados Unidos da América, é com o capital financeiro, com os banqueiros e com as grandes empresas. Quando os trabalhadores vão para o desemprego, não há um cêntimo que seja usado a seu favor, sendo as próprias leis da União Europeia a impedi-lo.

Este mês, 3 mil trabalhadores da Nissan manifestaram-se contra o despedimento de mais de um terço dos assalariados da fábrica de Barcelona:

“O dinheiro deve ser para garantir os nossos empregos e não para salvar os banqueiros”, foram as palavras de ordem mais gritadas.

Entretanto os estudantes ingleses têm se manifestado aos milhares gritando:

“Dinheiro para as Universidades e não para os banqueiros!”.

Em Itália, Berlusconi procede a uma contra-reforma educativa que visa despedir 120 mil professores e cortes na ordem dos 8 mil milhões de euros só para o ensino universitário.

Em Portugal, 72% das famílias têm dificuldade em pagar as suas contas. Entre estas, as famílias de rendimentos mais baixos vêem metade destes serem absorvidos pelos encargos com o seu endividamento. Enquanto isto, o governo de José Sócrates decidiu desbloquear 20 mil milhões de euros para alimentar a especulação financeira.

Em conclusão: os governos da União Europeia, de acordo com os seus tratados e directivas, são unânimes em concordar que os dinheiros públicos devem ser usados para alimentar a especulação capitalista, mas não existe dinheiro para manter e desenvolver o sector produtivo.

Pela nossa parte, organizados na Comissão Nacional pela Ruptura com a União Europeia, consideramos que é preciso renacionalizar a Banca, tal como todos os outros sectores estratégicos da economia nacional (energia, transportes, seguradoras,…), para pôr em prática um plano de reconstrução nacional. Não são os trabalhadores que têm de suportar as consequências do sistema capitalista falido. Consideramos também que estas medidas não podem ser tomadas sem romper com a União Europeia e as suas instituições, condição para se poder construir uma União de Nações Livres e Soberanas de toda a Europa.

Mas, seja qual for a opinião que se possa ter sobre a necessidade de romper com a União Europeia, é urgente abrir o debate, para podermos clarificar toda esta problemática, para podermos dizer quais as propostas de acção que são necessárias e que fazem a unidade da população trabalhadora com as suas organizações.


Participa neste debate! Traz um amigo também!


Visite o blogue da RUE

«A minha vida é como se me batessem com ela»



Parte do espólio de Fernando Pessoa vai ser leiloado (ver notícia Correio da Manhã)

quinta-feira, novembro 06, 2008

Rumba dos Inadaptados (ou A Morte do Jovem Contribuinte)

Publicado no blogue Cheira-me a Revolução!

Estudantes na rua

Alunos de Caminha em protesto

[do JN de hoje]
Débora Felgueiras e Alexandra Cunha

Hoje, dia 5 de Novembro de 2008, os alunos de todo o país manifestaram-se contra o novo estatuto do aluno. Os alunos da capital puderam manifestar-se junto do Ministério, mas mesmo aqueles que se encontravam afastados geograficamente, uniram-se e lutaram também por um ensino que melhor os sirva.
Assim, no Norte, mais concretamente em Caminha, a Associação de Estudantes da Escola EB 2,3/S de Caminha, organizou uma manifestação. A escola foi encerrada pelos membros da Associação de Estudantes, e pelas 8 horas 30 minutos da manhã já se ouviam os protestos dos alunos indignados com as novas políticas implementadas pela Ministra da Educação, Drª Maria de Lurdes Rodrigues: “Ministra para a rua, a luta continua”, “Não à privatização do ensino” e “Queremos professores, não burocratas”.
Após uma incursão da GNR de Caminha algo imprópria, uma vez que esta força se revelou demasiado agressiva para aquele grupo de estudantes, a escola foi aberta. Contudo os alunos recusaram-se a entrar, de modo a continuarem o seu protesto. Desta forma, a adesão foi total por parte do secundário, e quase total quanto aos alunos do ensino básico.Justificar
Para que o protesto tivesse maior impacto e fosse ouvido, conduzidos pelo Presidente da Associação de Estudantes, Miguel Ramalhosa, o grupo dirigiu-se até à Câmara Municipal, entoando as suas reivindicações pelas ruas da vila. Foi com muito esforço que este protesto foi avante e, com muita esperança de que os seus apelos sejam ouvidos, pois, de facto, apenas lutam pelos seus interesses: uma educação digna, sem constantes obstáculos.
Deste modo, sendo a educação um factor de emancipação do ser humano e a base do desenvolvimento das sociedades, deveria hoje ser garantida pelo Estado, tal como prevê a Constituição da República, de forma pública, gratuita, de qualidade para todos e democrática. Porém, não é isto que os estudantes portugueses têm assistido: as medidas dos últimos Governos são gravosas e excluem os estudantes, constituindo um ataque feroz à democracia nas escolas e à escola pública desde o 25 de Abril.
Os alunos portugueses estão, portanto, unidos numa causa que lhes é comum: a demissão da MINISTRA DA EDUCAÇÃO!

(recebido por mail)

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"Faltar deixou de ser um direito" Disse o "merceeiro" a propósito da manifestação dos alunos...
Para este homem tudo foi ridículo na manifestação de estudantes e nas suas legítimas reclamações. Mas, se alguma coisa há nisto tudo que seja ridícula são as paletes e paletes de decretos que a equipa a que ele pertence tem mandado cá para fora, já para não falar dos próprios e das suas declarações!

2 comentários:
Bruno Taveira disse...

Boa Tarde!
Se os alunos se juntarem aos professores isto vai mesmo para frente...
Abraço.

Hurtiga disse...

Bruno,

E se os pais derem uma ajudinha ainda vai mais depressa!
:)


in A Sinistra Ministra

Hino da Indignação Docente

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Marcha da Indignação, 8/Março

Conheci mais uma "colega" dos blogues, a Safira. Encontrei num dos blogues dela - que merecem ser visitados - este poema que dedico a todos os professores que continuam a lutar pela dignidade da sua profissão, pela escola pública portuguesa e pelo futuro dos seus alunos:

Professores de Portugal



Gente nobre e dedicada

Força fértil e vital

Desta Pátria sufocada

Acorrei todos à praça

Resgatar a Educação

Perdida na nevoaça

Do Outono da Nação

Está na hora de lutar

Com a nossa indignação

Está na hora de bradar

É preciso dizer NÃO

NÃO à condição servil

NÃO à vã mediocridade

NÃO à demissão de Abril

Aos chacais da liberdade

NÃO ao sonho amordaçado

NÃO ao silêncio da voz

NÃO à perda do legado

Da Escola de todos nós

Está na hora de lutar

Com a nossa indignação

Está na hora de bradar

É preciso dizer NÃO

Luís Costa

in ROSA AMARELA



quarta-feira, novembro 05, 2008

Eleições EUA 2008

Sem dúvida que estamos perante uma nova era do Imperialismo Americano. A era Bush findou, marcada pela mais ignóbil crise financeira global. Não acredito que Obama resista a tais tentáculos. Agirá em conformidade com os desígnios do imperialismo americano. Os poderes mudarão de mãos, mas continuarão a ser podres poderes de podres interesses de um sistema capitalista moribundo, nauseabundo. A fome no mundo continuará para pior. O jogo da bolsa continuará a ser jogado às cegas, com os capitais que deviam ser usados em benefício dos povos. O voto em Obama expressa o desejo de mudança do povo americano. Mulheres negros e hispânicos. Para onde se escoará tanta esperança? Para que outras guerras serão deslocalizadas as guerras? Não mais cheirará a enxofre a Hugo Chaves. Ou será que Obama para onde for arrastará atrás de si um séquito imparável cheirando a enxofre?

terça-feira, novembro 04, 2008

Reciclagem poética de conteúdo muito sério

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Libertação


Ai que satisfação não cumprir uma imposição,
ter grelhas e grelhas para preencher e não o fazer!
Tudo isso é maçada
Que não vai levar a nada.
O sol brilha lá fora
E apetece ir para lá agora!
A vida corre, bem ou mal,
sem tudo aquilo, afinal.
E a brisa, essa,de tão naturalmente matinal,
como tem tempo, não tem pressa…
Decretos são papéis pintados com tinta.
Obedecer à sinistra é uma coisa em que está indistinta
distinção entre nada e coisa nenhuma.´
Quanto é melhor, quando há sol,
Gozar cada minuto que passa,
Porque não é isso que maça!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as nossas crianças,
E para contrariar isto e peca
Está a sinistra sempre a dar seca.
O mais do que isto é Jesus Cristo
que não sabia nada de sociologia
nem consta que tivesse biblioteca…

Adaptação a partir do poema “Liberdade” de Fernando Pessoa

Por Hurtiga in http://sinistraministra.blogspot.com/2008/11/libertao.html

Joâo Gobern sobre a avaliação dos professores e não só

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Opinião de João Gobern na Antena 1

Abram, ou melhor, ouçam este link da rubrica «Pano para Mangas» de João
Gobern na Antena 1.

http://195.245.168.21/rtpfiles/audio/wavrss/at1/227514_35441-0810300924.wma



Você faz alguma ideia de quem eu sou?

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(recebido por mail)


PARA TODOS OS QUE TÊM DE LIDAR COM CLIENTES IRRITANTES,
OU COM PESSOAS QUE SE ACHAM SUPERIORES AOS OUTROS ...

Uma funcionária da TAP, em Lisboa, deveria ganhar um prémio por ter sido esperta, divertida e ter atingido o seu objectivo, quando teve que lidar com um passageiro que o que merecia mesmo, era voar no porão da bagagem.

Um voo sobrelotado da TAP foi cancelado (por razões óbvias!). Uma única funcionária, atendia e tentava resolver o problema de uma longa fila de passageiros. De repente, um passageiro irritado passou por toda a fila, atirou o bilhete para cima do balcão e disse:
- Eu tenho que ir neste voo, e tem que ser em Primeira Classe.

A funcionária respondeu:
- O Sr. desculpe, terei todo o prazer em ajudá-lo, mas tenho que atender estas pessoas primeiro, pois estão pacientemente na fila, há algum tempo. Quando chegar a sua vez, farei tudo para poder satisfazê-lo.
O passageiro, irredutível, disse bastante alto para que todos na fila ouvissem: - Você por acaso, faz alguma ideia de quem eu sou?
Sem hesitar, a funcionária sorriu, pediu licença, pegou no microfone e anunciou: - Atenção, atenção, por favor!(a sua voz ecoou em todo o terminal)
E continuou:
- Está aqui neste balcão, um passageiro que não sabe quem é, devendo estar perdido!
Se alguém for parente, responsável pelo mesmo, ou puder ajudá-lo a descobrir a sua identidade, solicitamos que compareça no balcão da TAP.
Muito obrigada!
Com as pessoas atrás dele, rindo desalmadamente, o homem olhou furiosamente para a funcionária, rangeu os dentes e disse, gritando:
- Eu vou-te foder....!!!
Sem pestanejar, ela sorriu e disse:
- Desculpe, meu caro Senhor, mas mesmo para isso, vai ter que esperar na fila...

sábado, novembro 01, 2008

homem pequenino ou velhaco ou bailarino

... e este não me parece que seja GRANDE dançarino!



quinta-feira, outubro 30, 2008

Se tudo correr bem aqui estarei mais logo!




José Mário Branco incita público a 'Mudar de Vida'


Música. Cantor/compositor apresenta pela primeira vez em Lisboa a canção que estreou no Porto em 2007. Os Gaiteiros de Lisboa são os convidados especiais de um espectáculo assumidamente político, que não deixará de oferecer a restrospectiva de uma carreira única

Músico tentou trazer canção a Lisboa há um ano

No dia 30 de Abril de 2007, o Porto ouviu pela primeira vez Mudar de Vida, a composição que José Mário Branco apresenta hoje e amanhã na capital. "Eu quis fazer este espectáculo em Lisboa há mais de um ano, mas não consegui financiamento", explicou. "Este convite da Culturgest permite-me apresentar cá esse tema, mesmo que o programa não seja exactamente igual ao que levei ao Porto".

Não obstante, a ideia central do espectáculo continua a ser a mesma. "Há uma critica ao que nós chamamos democracia parlamentar representativa, que não resolve os verdadeiros problemas das pessoas, limitando-se a redistribuir a riqueza em função de estratos, classes sociais, e elites que existem na política e na economia e se apoderam da riqueza produzida".

O cantor/compositor não quer, porém, "impingir uma receita política a ninguém", desejando apenas incitar as pessoas. "Se não gostam da vida que estão a viver têm que a mudar, que ela não muda sozinha se as pessoas não fizerem nada", lembra. "Começa-se nas pequenas coisas, pois tem que haver uma progressiva acumulação de forças para haver uma mudança geral na sociedade".

O músico não crê, porém, que seja possível alterar o actual sistema político, sem a movimentação das "grandes massas", descontentes com o actual estado do mundo. "Quando se fala em criar movimento político, em colocar em marcha as energias que há nas pessoas para mudar de vida, música como esta não resolve nada, a não ser do ponto de vista afectivo", continua. "É um oxigénio moral que se dá às pessoas".

No seu entender, esta atitude distingue o artista dos falsos "cantores de intervenção" que "dão um oxigénio contaminado para as pessoas se esquecerem dos seus problemas. É uma droga como outra qualquer, como todos os outros vícios desviantes da realidade". As suas canções, por outro lado, tentam "mobilizar as pessoas para serem sujeitos na sociedade, e não objectos".

É por isso que considera que "tudo é político, mesmo quando diz que não é". Este domínio da política sobre o quotidiano também está presente na canção apresentada hoje na Culturgest. "Um dos temas abordados no Mudar de Vida, é precisamente esse", concorda, referindo uma das frases mais marcantes do tema: "bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós". Uma citação a Charles Montalembert - "um daqueles neoclássicos franceses" - incluída na canção.

"O Mudar de Vida é apresentado em três partes", refere. "Ouve-se no início - apesar de começar com um tema inédito que escrevi para Lisboa, intitulado Vamos Embora - depois no meio aparece outra vez, antes de fechar o espectáculo com o Mudar de Vida final". Pelo meio vão soar diversas canções retiradas do mais recente Resistir é Vencer (2004), mas também de outros registos, gravados desde a década de 70, e variando entre momentos abertamente políticos e outros mais intimistas.

"Gosto de revisitar os temas, porque os músicos, as condições e os estados de espírito nunca são os mesmos", reitera. Entre os temas reformulados será possível ouvir A Cantiga de Trabalho ou A Engrenagem, de 1973, ou mesmo Remendos e Côdeas, que se ouviu pela primeira vez no Disco da Mãe, corria o ano 1978. Para interpretar estes temas, o artista socorreu-se de um quinteto que o acompanha há vários anos, e inclui Carlos Bica, José Peixoto, Rui Júnior, Filipe Raposo e Guto Lucena.

De entre os músicos que actuaram na Casa da Música, em 2007, este são os únicos que visitam Lisboa, por limitações de orçamento. Agora, o cantor volta a colaborar com o quarteto de cortas que o acompanhou "nos Coliseus de há 4 anos", quando editou o último disco. As percussões tradicionais e os suportes corais cabem aos Gaiteiros de Lisboa, um grupo ao qual José Mário Branco chegou a pertencer. Os bilhetes já estão esgotados, mas a actuação será gravada, e a edição de um disco com a actuação não está posta de parte. (DN)

O GRANDE CILINDRAMENTO SISTÉMICO DO DOCENTE

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Em 2007 reformaram-se cerca de 3300 professores.

Este ano já vamos em mais de 5000 e o ritmo parece estar a acelerar.

É só ver as longas listas do Diário da República. Os testemunhos, chapados na imprensa, de docentes que aceitam penalizações gravosas de 30 e 40 por cento sobre pensões de reforma para toda vida, ao mesmo tempo que reiteram o amor a uma profissão que, garantem, abraçaram por vocação e só abandonam por coacção, transformam um processo de reforma num processo de excomunhão.

Um país maduro estaria hoje a reflectir aturadamente sobre o que Fernando Savater escreveu: "A primeira credencial requerida para se poder ensinar, formal ou informalmente e em qualquer tipo de sociedade, é ter-se vivido: a veterania é sempre uma graduação."

A vida dos professores nas escolas tem-se vindo a transformar num inferno.

A missão dos professores, que é promover o saber e o bem colectivo, está hoje drasticamente prejudicada por uma burocracia louca e improdutiva, que os afoga em papéis e reuniões e os deixa sem tempo para ensinar.

A carga e a natureza do trabalho a que se obrigam os professores são uma violentação e um retrocesso a tempos e a processos que a simples sensatez reprova liminarmente.

Ocorre, então, a pergunta: como é possível a generalização da loucura?

A resposta radica no uso do modelo publicitário (cortejo ridículo de 23 governantes para entregar o Magalhães e 35 páginas de publicidade paga e redigida sob forma de artigos são exemplos bem recentes) e das técnicas populistas.

O Governo tem conduzido a sua campanha de subjugação dos professores repetindo até à exaustão os mesmos paradigmas falsos e os mesmos slogans facilmente memorizáveis pelos justiceiros dos "privilégios" dos docentes.

As ideias (a escola a tempo inteiro, por exemplo) são tão elementares como as que promovem os produtos de uso generalizado (o Tide lava mais branco). Mas tal como os consumidores se tornam fiéis ao produto cujo slogan melhor memorizam, embora sabendo que a concorrência faz exactamente o mesmo,

assim se têm cativado apoiantes com a solução de problemas imediatos, que nada têm a ver com o ensino.

E a dissolução sociológica dos professores pela via populista tem procurado ainda, com êxito, identificar e premiar uma nova vaga de servidores menores

- tiranetes deslumbrados ou adesivos - que responderam ao apelo e massacram agora os colegas, inflados com os pequenos poderes que o novo modelo de gestão das escolas lhes proporciona.

A experiência mostrou-me que o problema do ensino é demasiado sério e vital para o abandonarmos ao livre arbítrio dos políticos.

"Bolonha", a que este Governo aderiu, ou a flexibilização das formações, que este Governo promoveu através do escândalo das "novas oportunidades", não se afastam, nos objectivos, dos tempos da submissão ao evangelho marxista, ou seja, os interesses das crianças e dos jovens cedem ante a ideologia dominante e o resto só conta na medida em que seja eleitoralmente gratificante.

Assim, contra a instauração de um regime de burocracia e terror, para salvaguardar a sanidade mental e intelectual dos professores, encaro o protesto e a resistência como um exercício a que ninguém tem actualmente o direito de se furtar.»

Santana Castilho, Professor do ensino superior, in Público

terça-feira, outubro 28, 2008

Parece que a Mariastella Gelmini é um Obama de saias

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Ministra da Educação da Itália diz que sua política parece com propostas de Obama

Plantão | Publicada em 27/10/2008 às 14h47m
O Globo

RIO - A ministra da Educação da Itália, Mariastella Gelmini, declarou que "aqueles que protestam" contra sua reforma de ensino, são "alguns milhares", enquanto "os estudantes na Itália somam nove milhões" e "as faculdades ocupadas são pouquíssimas". Em entrevista ao jornal "Corriere della Sera", a ministra disse que na educação seu modelo é o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. "Ele está propondo para a escola americana medidas semelhantes às nossas. Destaco ainda os incentivos por mérito para os professores", disse Gelmini.

(ANSA)

Dedicado à ministra da Educação

segunda-feira, outubro 27, 2008

Manifestações dos professores

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Os professores, descontentes, sentiram que era chegada a hora de se voltarem a manifestar na rua. Vai os movimentos dos professores e convocam uma manifestação. Os professores rejubilam, já têm o seu dia, já têm uma hora e um ponto de encontro, já têm um destino: a Assembleia da República. Há que tempos que eu digo que estas coisas têm que se dirigir para a Assembleia da República, pois é lá o lugar por excelência onde se revogam as leis absurdas e se determina se os rumos que a educação está a seguir são os melhores para o país. Ou pelo menos antes dos governo se determinarem mais pelas directivas europeias do que pelas decisões deste orgão da nossa democracia. Seja como for, pode ser que os deputados sentindo-me impelidos pelo povo trabalhador gritando-lhe à porta assumam mais a força do seu mandato ou tomem mais vergonha na cara.
Vai os sindicatos e dizem: não queremos brincar com a vossa bola. Temos a nossa própria bola e vamos jogar no dia 8 e não no dia 15 com vocês.
Vêm então os movimentos e dizem uns: para termos equipa é preciso jogarmos juntos, afinal gostamos mais da vossa bola.; e dizem outros: vocês não querem jogar com a nossa bola, também não jogamos com a vossa! O jogo é dia 15 com os que lá estiverem presentes.
Entretanto ainda ninguém sabe ao certo quem vai jogar com que bola, mas na minha opinião devia haver as duas manifestações. Ou seja, já que os sindicatos teimaram em convocar uma à parte, já se sabe que essa manifestação vai ter que existir e vai ser participada de acordo com a estrutura montada. Os movimentos e os professores contra a assinatura do Memorando de Entendimento e a favor da revogação do ECD e da lei de gestão das escolas devem ir até lá, para afirmar isso mesmo. Quem sabe não se decide mesmo ali pelos presentes que a retirada da assinatura é o primeiro passo para a unidade.
Mas mesmo se assim acontecesse, a manifestação de dia 15 deve manter-se e ser uma festa em que os professores se congratulam por estar finalmente unidos com as suas organizações numa mesma luta, ou, caso os sindicatos se mantivessem de costas voltadas para esta proposta, então a manifestação de dia 15 continuaria a ser uma afirmação de que há muitos professores que não se revêm nessa forma de negociar dos dirigentes dos sindicatos e que eles, professores, querem coisas diferentes das que os sindicatos se propõem a defender.
O somatório dos presentes nas duas manifestações mostram o quão grande é o descontentamento dos professores, podendo ainda mostrar outras realidades que a seu tempo se irão confirmar ou desmentir.

domingo, outubro 26, 2008

Hora de Inverno

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Imagem daqui

Sempre me fez uma enorme confusão este poder de os humanos alterarem o curso do tempo. São duas horas da manhã, e de repente, por magia já é outra vez uma da manhã. Para onde foi essa hora? Para o mesmo sítio para onde vai a água do mar na maré vaza? Não, certamente que não pois que isso é obra da Natureza. Mas a hora que alteramos artificialmente é irrelevante em relação ao tempo que inventámos para medir o quanto as nossas vidas duram. Só nos atrevemos contudo a alterar o relógio numa hora para trás e numa hora para a frente, porque assim até parece que é possível alterar o natural curso do tempo, num passe de mágica, ilusoriamente. Porque se de facto quiséssemos inverter o curso do tempo, depressa o tempo nos faria adivinhar o nosso embuste e a loucura da nossa ousadia.
Já outros cursos são mais possíveis de alterar, nesta época de artifícios, como a inevitável podridão do sistema capitalista. Por mais mil milhões de dinheiros que se injectem, nos bancos e nas empresas, são como silicone que apenas temporariamente preenche as rugas vincadas de um sistema económico decrépito e moribundo que agoniza não sem antes estrebuchar. Sorve sôfrego os fundos que os Estados lhes oferecem mas que não têm. É tudo uma questão de confiança porque todos os implicados no sistema sabem que real valor por detrás desses milhões de milhões na realidade não existe.
Como nós aceitamos que se alterem as horas porque sabemos que esse tempo é fictício e na realidade não existe. Mais hora menos hora, mais milhão menos milhão, tudo é ilusório menos o desemprego e a fome mundial a alastrar a cada momento que o capitalismo sobrevive.

As várias faces da crise americana

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sábado, outubro 25, 2008

História Exemplar

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Magritte, O homem do chapéu de coco

Entrei.
- Tire o chapéu - disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
- Sente-se - determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
- O que deseja? - investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí.

Mário Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic

quinta-feira, outubro 23, 2008

terça-feira, outubro 21, 2008

Lição

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Sai desse livro, meu filho, e dá um pulo cá fora:
olha esta rua
onde boiada não passa
nem passa boi
mas moreninha do cabelo cacheado
passa e passa moreno e passa preta
e passa preto e passa branca e passa branco
numa lição de cores brasileira
humanizando o azul da tarde franca.
Agora vai naquele muro e caligrafa este exercício:

"Abaixo o Homem Sanguessuga do Homem!"

Depois, querendo, volta a ler teu livro.

GEIR CAMPOS TAREFA
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