
Cette histoire
Herbert Pagani
"Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."

Imagem daqui (ver texto)
Recebo mails da NET-Empregos que me dizem ter emprego para mim: Assunto – Ofertas de Emprego para fulana de tal. Ao princípio ainda ia ver, agora a maior parte das vezes, francamente, nem abro.
Os blogues são uns organismos esquisitos. Há um dia em que se está sem assunto e faz-se um post sobre a primeira coisa que nos vem à cabeça porque já é tão tarde e já se deu tantas voltas que não há tempo… nem cabeça para mais. Outras vezes o assunto parece sério e urgente. Ter todas as possibilidades de gerar polémica e discussão. Está na ordem do dia, não é pessoal, toca a todos.
Mas depois os comentários vêm desmentir a escala de importância atribuída a uns e outros.
O mesmo acontece com blogues que se visitam ocasionalmente: uns falam de uma trivialidade qualquer que se passou com aquela pessoa, um estado de alma ou uma ida jantar fora: olha-se para os comentários e tem 25, 40. Costumo pensar: ena esta pessoa tem muitos amigos que visitam diariamente o seu blogue, vão lá como que marcar o ponto, dizer bom dia, boa noite, bom Domingo, mandar um abraço; outros contam o seu dia, o seu estado de alma
Outros falam de assuntos da vida do país, falam de política, de justiça, comentam notícias do dia ou evocam a arte e a cultura. Comentários: muito pouco. Um ou outro igualmente interessante e consciente.
Por que será que sempre que aqui coloco um post sobre a União Europeia ninguém diz nada?
KAOS
Um destes dias a minha filha ligou-me da escola dizendo que estava a fazer tempo para a aula de apoio do Inglês e que ia ao bar comer qualquer coisa. Os alunos saem às 13h15 e os que têm apoio ficam à espera até às 13h45 e saem às 14h30. Como a minha filha vem sempre almoçar a casa, nesse dia ela leva algum dinheiro para comer qualquer coisa nesse intervalo para se aguentar até sair da aula.Daí a bocado volta a tocar o telemóvel. Era ela nervosíssima e principalmente irritada porque eram quase horas da aula e ela numa fila do bar a ver os professores a passarem-lhe à frente.
Naquela escola há muita subserviência e escassas regras de democracia. Como querem ensinar a cidadania se os adultos envolvidos no processo educativo, sejam eles auxiliares, professores ou mesmo pais, subvertem essas regras de convívio usufruindo da sua posição superior. Disse-me que as auxiliares do bar atendiam os professores com toda a parcimónia e a eles, alunos, os mandava esperar e estar calados na fila até os senhores professores serem todos atendidos e despachados.
Não tinha conseguido comer e tinha que ir para a aula. Queria protestar. Calmamente disse-lhe que a escola tinha livro de reclamações, se ela o queria usar. Na altura concordou. Mas depois desligou, teve que ir para a aula. Estava quase a chorar de raiva, percebia-se pela voz.
Pouco tempo depois voltou a ligar-me: estava no bar à espera de uma tosta. Tinha dito à professora. E ela tinha-a deixado sair da aula para ir ao bar comer. Ficou mais apaziguada com os professores.
Às 14h30 fui buscá-la, vinha formosa e mais segura. Pelo caminho falámos no episódio e ambas concordámos como era injusto, que cada um deve ter a sua vez e ser respeitado e que ninguém nos deve passar à frente pois perante a necessidade de comer todos somos iguais.
Pode-se abrir uma excepção e atender primeiro um professor que está com pressa porque vai entrar para uma aula. Mas não se deve fazer disso uma norma e permitir que as crianças passem um intervalo inteiro numa fila e que acabem por ir para a aula sem comer. Depois vêem-se queixar que os meninos vão para as aulas sem comer porque os pais não os obrigam a tomar o pequeno-almoço em casa nem lhes mandam um lanche para a escola.
Lá dentro da escola os alunos são tratados como os menos importantes. Já houve Invernos em que a minha filha se queixava que estava frio na sala de aula e que a professora punha o aquecedor virado para si e não para a turma. Não existe por lá nenhuma sala destinada ao convívio dos alunos e cá fora o próprio Agrupamento reconhece que nas áreas exteriores há poucos espaços abrigados. Chegam a abrigar-se da chuva debaixo de umas mesas de ping-pong que há num recreio. As empregadas gritam-lhes que não podem estar nos corredores no intervalo e empurram-nos porta fora fechando a porta à chave.
Sim, naquela escola os alunos andam ao desabrigo, embora esteja numa zona predominantemente de média-alta burguesia. Daquelas em que a maioria dos pais nem vai à escola, são as carrinhas de ATL que levam e trazem as crianças, salvo algumas excepções de avós reformados que se ocupam deles e algumas mães ou irmãos mais velhos que estão por ali por perto.
Aqui, os exemplos de cidadania que vêm em caixotes e em peças separadas da união europeia vão servir às mil maravilhas para preencher a lacuna da falta de cidadania. Vão dizer aos nossos filhos que são cidadãos europeus e, como tal devem obedecer às leis europeias sem as contestar, aliás ninguém lhes vai falar em contestações, coisas como o Maio de 68 estarão abolidos dos programas de História, se for pela vontade do senhor Sarkozy.
Na escola continuaram a estar ausentes os verdadeiros valores e os exemplos éticos da cidadania, que aliás serão ainda mais afastados com a aplicação da lei da gestão e autonomia. Na escola irá funcionar a grande pirâmide bilderberg em que entes de mente obscurecida pela sede do poder e do dinheiro, através de fios invisivéis, mas cada vez mais descarados, enviarão as leis a aplicar na escola que por sua vez serão dadas, pelos ministérios dos governos em conluio, aos directores das escolas, que as farão cumprir aos professores titulares, que exigirão que os outros professores as cumpram dentro das suas salas, vigiando o seu trabalho a pretexto do seu desempenho ser avaliado, que por sua vez as ministrarão em forma de conteúdos aos alunos, nossos filhos.
Os alunos sofrem as consequências, estão na base da pirâmide, não contam como indivíduos mas sim como cidadãos habituados a não ter direitos logo a partir da idade escolar e a calar as trapaças do bar, a suportar e a obedecer à hierarquia. Como não há-de isto gerar a revolta dos jovens? 
Ler sobre a Obediência

A Destruição da Educação em Espanha
Intervenção feita, por um delegado espanhol,
na Conferência Operária Europeia
pelo “Não” ao Tratado de Lisboa
(realizada em Paris, a 2 e 3 de Fevereiro de 2008)
Companheiros de toda a Europa, o colectivo de professores de
Trabalhadores e Jovens pela República (TJR), constituído em
Madrid, decidiu contribuir com esta comunicação à
Conferência Operária Europeia para dar a conhecer aos
companheiros a situação específica da educação em Espanha,
reflexo das directivas rumo à privatização que nos chegam de
Bruxelas.
A principal consequência da adaptação do ensino, a todos os
níveis, às necessidades imediatas do mercado (necessidades da
sociedade, como lhes chamam, eufemisticamente) tem sido a
sua destruturação, também a todos os níveis, cujos detalhes
passaremos a expor.
A privatização dos ensinos infantil, primário e secundário
(quer dizer, os ciclos da educação obrigatória em Espanha)
surge determinada por um modelo de acordos, que consiste no
financiamento público de centros privados, quer sejam
creches, colégios ou institutos. A recentemente aprovada Lei
Orgânica da Educação (LOE), que regula estes subsídios,
possibilita e incentiva o desvio de fundos públicos para centros
privados, ao entender que o Ensino já não é um serviço
público, mas um serviço de interesse geral, cuja
responsabilidade já não recai exclusiva nem principalmente
sobre o Estado. É tão grave e alargado o processo de
privatização da escolaridade obrigatória no nosso país que,
para dar apenas um exemplo, na Comunidade de Madrid,
governada pelo sector mais reaccionário do Partido Popular,
das novas vagas oferecidas no ensino secundário para o ano
lectivo de 2007/2008, só uma quarta parte corresponde a
centros públicos, e os outros três quartos pertencem a centros
privados e semi-privados (quer dizer, privados financiados
com fundos públicos). O colectivo de professores de TJR
iniciou diversas campanhas em defesa da Educação pública,
científica, laica e de qualidade, e entre elas encontra-se, como
eixo central, a exigência da revogação da LOE, que se focaliza
na privatização do ensino e permite aberrações como a que
ocorre na Comunidade de Madrid que acabámos de expor.
Submeter o Ensino secundário às necessidades mais imediatas
de um mercado em contínua flutuação leva à destruição da sua
estrutura e à redução dos seus conteúdos. Deste modo, as
disciplinas tradicionalmente fortes (Física, Química, Biologia,
Geologia, Matemática, Geografia, História, Língua, Literatura,
Filosofia) vêem os seus conteúdos limitados, reduzem-se
sistematicamente os seus horários lectivos e a sua importância
dentro do plano de estudos. Assim, por exemplo, as disciplinas
de Língua e Literatura, tradicionalmente separadas, convertem-
se numa só disciplina, o que implica necessariamente a
redução dos seus conteúdos. O caso da Física e da Química
ainda é mais dramático, pois convertem-se em matérias
facultativas da opção científico-tecnológica do bacharelato.
Em troca, surge uma nova disciplina, obrigatória para todos os
ramos do bacharelato, denominada “Ciências para o Mundo
Contemporâneo”, na qual se ensinará aos alunos,
entre outras coisas, “o uso racional dos
medicamentos”, “os estilos de vida saudáveis”,
“as catástrofes naturais”, Internet, ADSL,
telefones portáteis, GPS, etc., em detrimento dos
conteúdos próprios de duas ciências fortes como
são a Física e a Química.
Igualmente, perante a insistência da União
Europeia, aparece no Ensino secundário uma
nova disciplina denominada “Educação para a
Cidadania”, cujo único objectivo é a doutrinação
ideológica dos alunos pois, como se se tratasse
de um catecismo laico, pretende exaltar os
supostos valores da Constituição Espanhola e da
União Europeia, afastando toda a possibilidade
de analisar criticamente esses ditos valores.
Como exemplo, e de acordo com o objectivo
desta disciplina, há a acrescentar que
recentemente os institutos receberam, do
Ministério da Defesa, CD-Roms nos quais se
incentiva os departamentos a incluir no
programa da referida disciplina um tema onde se
fale das bondades do nosso exército nas suas
missões de paz no estrangeiro, sob as ordens do
mandato dos EUA, camuflados por detrás da
ONU ou da NATO. Nesta nova disciplina, como
na novela de Orwell (1984), a guerra é a paz. É a
forma crua encontrada pelo governo de obter
novos soldados que morram ou que matem – no
Líbano, no Afeganistão ou no Kosovo – para
fazer frente às graves dificuldades de
recrutamento que enfrenta a profissionalização
do Exército. O aparecimento desta nova
disciplina surgiu em detrimento da antiga
disciplina de Ética, cujo papel no ensino
secundário será meramente testemunhal, e da
antiga disciplina de Filosofia que, por um lado,
vai ver reduzido o número de horas dentro do
bacharelato e, por outro lado, vai ver os seus
conteúdos seriamente reduzidos, pois
desaparecem todos os temas relacionados com a
metafísica e a filosofia da ciência, ficando
apenas aqueles temas que se referem à filosofia
política, e – mais a mais – orientando-se para
uma possível legitimação acrítica da ordem
existente. O colectivo de professores de TJR
iniciou uma campanha em defesa da Filosofia e
da Ética, considerando estas disciplinas como
necessárias para a formação crítica dos alunos
enquanto cidadãos independentes e autónomos.
Imagem daqui
«Eu não gosto do comercio pequeno por opção própria odeio conversa com pessoas que mal conheço adoro a anonimato dos grandes centros comerciais não tenho direito a fazer compras ao domingo?» (Comentário extraído daqui)
A mulher entra no quarto, com o ar mais burro deste mundo, os saltos a fazerem um toc toc toc na cabeça do homem. Bom dia querido, chamastes? Trouxe-me o jornal? Claro que sim e o folhadinho já está a aquecer no micro-ondas. O homem atira com a roupa da cama, está agora de cuecas e meias pretas, horrorosamente nu à frente da mulher. Vai direito à casa de banho sempre de mau humor. Estava ele a sonhar com uma gaja tão boa e aparece-lhe este estafermo logo pela manhã, porca vida!
Leva o tabuleiro com os comestíveis em baixela de plásticos para a frente do televisor e bebe sôfrego uma golada de Ice Tea, tem a boca a saber a papéis de música da noite anterior.
Então querido, a que hiper é que vamos hoje?
Sim, hoje é Domingo, dia de irem ao hiper. A mulherzinha já só pensa em fazer figura ao lado do maridão, a encher o carrinho para as outras que lá andam cobiçarem. Olha, estás a ver, já fiz a lista das coisas que temos para comprar. O homem dá um relance e vê logo carradas de erros de ortografia, carradas de sacos cheios de ninharias para carregar para casa. Ainda bem que no hiper pode andar no anonimato!
Lá acabam por sair ambos para um feliz Domingo no hiper. À chegada uma fila de carros, o parque de estacionamento a abarrotar. A mulher ao seu lado não pára de falar mas ele já nem a ouve, está a pensar na melhor forma de dar o golpe do baú aos fundos do QREN e como será em breve fácil despedir aquele gajo que tem a mania que é mais esperto que ele. Dão voltas e voltas à procura de um lugar. Merda! O gajo à sua frente tem o carro que ele gostava de ter. Vira na primeira oportunidade. Ali está um lugar, afinal é um tipo de sorte! Um carro recua com perícia e habilmente come-lhe o lugar. Cambada de sacanas! Grita à Maria que abra o vidro para atirar impropérios ao outro: Filho da P… A loura platinada abre a porta do carro e atira com as mamas para fora da viatura. Reconhece-as. Como está, senhor engenheiro! Fica branco. Ao seu lado a mulher pede-lhe encarecidamente que a lembre de comprar aquele detergente que ela gosta, como é que se chama, o do anúncio, lembras-te querido, que branco mais branco não há. Por que não te calas? O homem volta a arrancar carrancudo. Quase risca o carro a descer mais um nível na rampa vertiginosa

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
in "Os Amantes Sem Dinheiro" (1950) Eugénio de Andrade
L'Atelier Populaire et les affiches de Mai 68

Meus senhores, é mesmo um problema
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
É preciso que nos deixem valer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Uma utopia é uma possibilidade que pode efectivar-se no momento em que forem removidas as circunstâncias provisórias que obstam à sua realização. (Robert Musil)
Não ao novo Tratado europeu!
Revogação de todos os tratados!
Revogação do Tratado de Maastricht-Amesterdão,
Defesa e reconquista dos direitos e garantias
contidos nas legislações de cada um dos nossos países!