quarta-feira, abril 09, 2008

Tocha Olimpica nazi



Eis a origem da tocha olímpica: http://br.youtube.com/watch?v=9c76ysiPlwA
Será por isso que ainda hoje, apesar dos atentados aos direitos humanos, insistem em mantê-la acesa?

Deixo aqui mais uma achega deixada em comentário pelo amigo Watchdog com este link sobre a origem da tocha na era moderna.

Leiam também o precioso comentário da Maria Lisboa, que muito oportunamente lembrou que 1936 marca a origem da tocha olímpica da Idade Moderna, mas que a verdadeira origem remonta à Antiguidade Clássica. É sempre bom poder contar convosco quando se trata de repor a verdade dos factos. Obrigada!

O neo-liberalismo cospe no prato da sua própria história


Hoje, ao fazer recortes dos jornais encontrei uma pequena curiosidade cujo título era "Nem casa de Adam Smith escapa às leis do mercado" . Os seguidores de Adam Smith tinham o propósito de preservar a casa onde este viveu os últimos 12 anos da sua vida mas outros valore$ mais alto$ $e levantaram e por isso a câmara municipal de Edimburgo optou por pô-la à venda. Os agentes imobiliários descobriram que afinal «a casa de Adam Smith tem um "potencial de desenvolvimento", o que quer dizer que pode gerar lucros a privados ao ser convertida em apartamentos ou escritórios». (Público, 28/03/2008)

1738 - Data provável do nascimento de Adam Smith, em Kirkclady, na Escócia
1738 - Matricula-se na Universidade de Glasgow onde estudou filosofia moral
1751 - É nomeado professor de lógica naquela universidade e, mais tarde, de filosofia moral
1763 - Assume funções de tutor do duque Buccleuch
1764 - 1766 - Viaja com o seu protegido por França, conhecendo intelectuais como Turgot, Helvetius e François Quesnay
1776 - Publica "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", a sua obra mais famosa, que viria a tornar-se uma referência do liberalismo económico ao defender que a riqueza das nações resulta da actuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu interesse próprio, promovem o crescimento económico

terça-feira, abril 08, 2008

Petição em Prol das Crianças Vítimas de Crimes Sexuais

Assine aqui

Petição pelo "estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança"

segunda-feira, abril 07, 2008

Chico Buarque - Tanto Mar

Foi bonita a festa, pá!
(Dedicado ao Samuel)

A desobediência é por vezes o gesto mais heróico!

Capitães de Abril de Maria de Medeiros

sábado, abril 05, 2008

...E ontem estive aqui!

O blogue que se lixe. Ontem nem cá vim.
Foi sem sombra de dúvidas uma GRANDE homenagem ao 25 de Abril, embora continue a achar, mais do que nunca, que uma nova revolução seria a melhor homenagem que poderíamos prestar ao 25 de Abril e às nossas convicções.
Uma coisa é certa: há muita gente descontente com o ponto a que chegámos e já houve muito quem reconhecesse que bastaria uma faúlha para atear o fogo, pois o restolho já está seco. Fogo purificador, este.
Os gregos encontraram na catarse o modo de conter as massas. Os cidadãos gregos, que já na altura não eram toda a gente (as mulheres e os escravos não tinham lugar no teatro), reuniam-se nos teatros para ver a sua vida quotidiana transposta em grandiosas e eloquentes tragédias. As tragédias eram a sua telenovela elevada. Os conflitos (dialética) da existência dos homens superiores. E eles ali sem saber de que lado estava a razão, a ter que decidir em consciência. A sofrer individualmente e em conjunto, uns perante os outros. No climax atingiam o êxtase, emocionavam-se, choravam com o destino das personagens. Máscaras de extremos, personas de estatura heróica, actores dos grandes gestos, dos excelentes discursos, para o bem e para o mal. É preciso não esquecermos que o seu tempo não estava minado pelo bem e pelo mal que a igreja católica engendrou. Era tudo uma questão de consciência e de emoção. Os gregos viviam o que se passava no palco. A catarse expurgava-os dos seus próprios conflitos interiores, saíam de lá mais apaziaguados: que tragédia menor era a sua tragédia pessoal medida com aquelas tragédias de faca e alguidar. O teatro grego, verdade seja dita, era promovido pelos governantes da cidade em sintonia com o calendário de festas religioso.
As vanguardas revolucionárias, provocaram um abanão nas consciências, mas tiveram que arder no seu próprio fogo, para serem vanguardas, senão corriam o risco de se tornar em mais uma instituição. como acontece aos sistemas capitalistas que quanto mais crescem mais se auto-destroem. O capitalismo é como o fogo, quanto mais arde mais depressa se consome e se extingue, ouvi dizer um dia ao Kaos muito melhor do que desta forma. O pior é que os fogos, quando se incendeiam destroem tudo à sua volta, indiscriminadamente.
A minha verdadeira cultura é a do 25 de Abril. Os gregos foram importantes, as vanguardas foram empolgantes, mas o 25 de Abril abriu as portas que abriu: cresci a ouvir aquelas músicas numa língua que podia entender. Faziam (fazem!) todo o sentido para entender que há exploradores e explorados e foram formadoras para decidir qual dos lados estava a jogar um jogo sujo. A cantiga é uma arma de pontaria, não tem nada a ver com catarses. Não há catarse que valha a permanente ânsia de mudança. As coisas são o que são, mas as coisas não podem continuar assim, não nos podemos contentar. Temos que continuar a cantar o nosso desejo de justiça, a chamar os bois pelos nomes e a dizer basta! Basta! Não me obriguem a vir para a rua gritar, que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar.
Ontem o 25 de Abril foi evocado e foi institucionalizado. Foi evocado e convocado por todos os que juntos cantaram porque não se esqueceram das palavras das cantigas. E também porque continuam a fazer sentido, muito sentido. Foi institucionalizado pela exigência de o encenar e transmitir em diferido, como o cumprimento de um programa de festas, como fazem os sindicatos. Falta de coragem de a RTP não o passar em directo, como se faz com o Carnaval do Brasil, a vitória do Porto ou a baixaria do Big Brother. O que esperavam que acontecesse, que risco corriam de se ouvirem mais vozes do que as previstas? Imagine-se no teatro grego interromper-se a agonia de Antígona para voltar a filmar. Rewin Rewin Rewin Houve uma imperdoável (intencional?) quebra de espontaneidade, provocada e não espontânea, que é o que importa. Eu quero lá saber do programa da RTP! Até nem me admirava que o programa fosse passado no próximo 25 de Abril à tarde para as pessoas ficarem em casa a ver e não irem à manifestação!
Agora, quem lá estava de coração e alma não pode deixar de ter gostado de lá estar. Pensaram em tudo, até nos momentos mortos em que a Maria Barroso iria declamar para dar tempo aos fumadores fumarem fora de portas (se lá tivesse ficado a ouvir seria pelos poetas, não pela ex-primeira dama de todos os portugueses, cujo marido aterrou em Portugal trazendo já na sua pasta à diplomata os planos para oferecer Portugal de mão beijada aos monopólios da CEE, com a bênção do cia Carlucci. E a CEE, comparada com a União Europeia ainda tinha alguns princípios, entretanto perdidos.

Gostei de lá ter ido. Fez-me bem sentir aquele calor humano que se fazia sentir. As vozes levantadas em uníssono a favor de Abril. A união é o mais importante: a gente o que tem é que estar unidos contra as forças que querem apagar Abril. Que força é essa, que força é essa que trazes nos braços, que só te manda obedecer, que força é essa amigo que te põe de bem com outros e de mal contigo, que força é essa amigo? Na televisão não se vai ouvir, mas de vez em quanto lá surgia uma boca ou outra confirmando que estamos conscientes que é preciso evocar Abril, que é mais do que nunca necessário defendê-lo e às suas conquistas. Conscientes de que hoje o ex-pide, o vira-casacas e a jornalista estão bem na vida e a actual pseudo-democracia é-lhes favorável. Por isso é tão importante continuar a desmascará-los, mesmo de forma revisteira, para que o povo o entenda bem. Francamente não gostei da parte revisteira, nem dos papelinhos brilhantes jorrados sobre o coro alentejano sem chapéu. Felizmente estes não vieram de longe, como o José Mário Branco, cuja canção tão bem mostra o princípio e o fim da revolução. Como ela tão bem diz, a mudança só será possível quando toda a gente assim quiser.


sexta-feira, abril 04, 2008

Hoje estive aqui


Não sei se alguém se apercebeu mas ontem era impossível colocar imagens no meu blogue. De vez em quando lá surgem estas macacoas informáticas e não há nada a fazer senão esperar que tudo volte à normalidade. Hoje não estive por cá. Fui até Setúbal, a uma Assembleia pela Escola Pública. Os oradores eram uma sindicalista do SPGL, um sindicalista da FNE, a Cecília Honório do Movimento Escola Pública (organizador) e o António Castela da Ferlap (Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais), que nada tem a ver com "o pai dos pais", que esse é o senhor Albino Almeida que deve ter passado o dia mais ocupado a lamber as botas do PGR, outro tarado que se passou e que desatou hoje por aí a dizer que nas escolas há crianças de seis anos que levam armas para a escola a conselho dos papás. Ao que chegou a campanha para denegrir a Escola Pública. Cá em Portugal, como o povo é crédulo e emprenha pelos ouvidos bastará ouvir essas enormidades para dizer "Jesu, Jesu, ao que isto chegou, a Escola Pública está pejadinha de criminosos!" e então será fácil convencê-los a aceitar de bom grado o chequezinho que lhes permitirá com mais alguns sacrifícios, pôr o petiz na escola privada ou, caso ainda assim não tenham posses, a aceitar que a escola dos filhos seja vigiada, policiada e cadastrada, a bem do mesmo Deus, da mesma Pátria e da Nova Autoridade.
Hoje já é tarde para contar mais em pormenor o que por lá se disse na reunião, mas foi positivo ouvir a voz dos professores que falaram a partir do público. Saber que dentro das escolas ainda há muito quem resista e que fora delas os professores encontraram nos meios tecnológicos ao dispor, novos modos de estarem em contacto, o que lhes tem permitido uma certa rapidez de resposta às ofensivas e principalmente que os tem ajudado a se organizarem sem precisarem de ficar à espera que os sindicatos lhes dêem as respostas atempadas para reagirem nas escolas. Quanto à sindicalista, ainda me ri a bom rir, pois para o final só lhe vinham à ideia imagens do diabo. Compreende-se, visto que estas políticas parecem obra do demo, mas para mim que não acredito nem em Deus nem no Diabo a não ser enquanto criações da imaginação do ser humano, atribuo-as a causas mais terrenas: as políticas educativas que estão a destruir as bases da Escola Pública (e não só) são da responsabilidade da União Europeia e das políticas económicas do capitalismo global. Este governo, esta ministra, este ministério são apenas uns paus mandados. Outros que lá estivessem haveriam de obedecer às mesmas ordens. Mas isto nunca se ouve ninguém a dizer. Ou quase ninguém.

quinta-feira, abril 03, 2008

Albino Almeida, a escória dos pais

Imagem Kaos

Foi mais uma vez vergonhosa a campanha lançada pelo Albino Almeida da CONFAP, a mediaticamente proclamada "voz dos pais". Uma redobrada vergonha o papel que têm tido os media na promoção desta figura (leia-se figurão): rádios, canais de televisão, jornais - todos organizados num mesmo objectivo: lançar os professores contra os pais. Uma parelha diabólica, Albino Almeida e a Ministra, em perfeito complemento, visto que esta desde sempre tem lançado os pais contra os professores.
Hoje nos noticiários da TSF, todo o dia se ouviu o Albino Almeida. Um episódio vil de 2007 serviu de mote: Albino e os media desenterraram um caso passado em 2007 com 6 alunos com necessidades educativas especiais, a quem um intrépido professor punha papéis da boca (meninos epilépticos) para não fazerem barulho. E o Albino, perante este cadáver, esganiçava-se para a gente lá de casa (mães desocupadas, pais no desemprego, donas de casa afogueadas e velhinhos irados) pudessem juntar-se em uníssono dizendo: malditos professores que assim tratam as pobres criancinhas.
Quando oiço aquele Albino a falar em meu nome, em nome dos pais, sinto uma revolta nas entranhas porque ele é mesmo uma coisa salazarenta, retrógrada, oportunista, reles, despeitado, mulher de soalheiro. Como lho permitem as mães e os pais deste país? Por que não lhe escrevem, o insultam, o desmascaram, o desautorizam? Não posso imaginar que a maioria dos pais deste país se revejam nas imbecilidades que diz este senhor; e que as pessoas não vejam claramente a campanha ignóbil que está a ser feita lançando uns contra os outros. Mas o que mais me custa é saber que os professores também dão ouvidos ao Albino Almeida e revoltam-se contra os pais (como assim não se revoltarem?). Os professores deviam ser os primeiros a questionar esta vergonhosa campanha e a reflectirem nos seus propósitos, não pactuando com ela. Se a eles choca ouvir um Albino, admitindo-o como "a voz dos pais", nem imaginam senhores professores como a certos pais abomina ouvi-lo. É preciso desmascarar esta gente. A unidade dos pais com os professores e dos professores com os pais é o que o ME mais teme. Aos primeiros indícios de uma renovada união na rua, logo surgem estas campanhas (des)informativas para deformar a opinião pública.

Dedicado a todos os burocratas do mundo

Antonio Miranda Fernandes

tudo preciso,
sem nenhuma hesitação,
nenhum erro, inimitável,
burocrata insubstituível

números crescem ou diminuem,
incham, amolecem como o sexo
arfando sob o silêncio noturno
(quem tem tempo para isso?)

carrega a ganância, o ódio
pratica a rapina, tudo por escrito
na mesma palavra, mesmo peso,
olho por olho na usura.

poesia, lirismo, amor? ora por favor...
(quem tem tempo para isso?)
tempo ignorando o seu bojo
a dor, um odor azedo e morno
a morte no sábado
enterro no domingo
sem desordem no andamento
eu sendo a exceção da regra
tive que velar seu corpo frio
sentir saudades, balbuciar rezas,
estragando meu final de semana
(tive que arrumar tempo para isso!)


ver outros poemas seus

terça-feira, abril 01, 2008

Santinho Padroeiro do 1 de Abril

Imagem Kaos

Prémio: Pior primeiro ministro português desde o 25 de Abril

Atenção: Com a proximidade das eleições novos "milagres" se esperam

segunda-feira, março 31, 2008

Puro veneno

Dedicado ao dito presidente da república que está com sintomas gripais


Se você está constipado

E ficou mal de repente

Porque não teve cuidado

Porque foi imprevidente

Para o mal cujo motivo

Está na chuva frio ou sol

Qual o melhor preventivo?

Formitrol! Formitrol! Formitrol!

Conselho à senhora sua esposa: Vá buscar a velha embalagem de Formitrol e traga o Racomin finja que fez confusão (todos vão acreditar!) e administre, adpresida, neste caso, o pozinho dissolvido em água. Vai ver que se livra da múmia com pompa e circunstância e nós mais depressa nos podíamos congratular. Assim não ficávamos todos outra vez à espera que o chefe de estado caísse de uma cadeira abensonhada. É que a história não tem que se repetir tal e qual. Já nos basta ver Portugal a acinzentar.

Ficamos à espera do último espirro.

domingo, março 30, 2008

Faz hoje 2 anos...

A pedido do amigo Marreta, e à laia de comemoração íntima, aqui vai (mais uma vez?) a história verídica do surgimento de O Pafúncio:

Numa das muitas manhãs em que bebia café com o meu pai, recebi um telefonema de alguém muito querido que me dizia: “Estou a criar-te um blogue. Como é que queres chamar-lhe?”

E eu assim meio à toa, de manhã estou sempre à toa no que respeita a imaginação, disse que sabia lá… Mas do outro lado a voz insistiu apressando-me.

A solução que encontrei foi pedir ao meu pai um nome para o blogue, ao que ele respondeu de imediato, “olha, chama-lhe Pafúncio!”

Pafúncio? Aquilo pareceu-me bem estranho, pensei até que era uma palavra inventada ali na altura, como às vezes acontecia. Que é isso de Pafúncio?

O Pafúncio, mais do que uma figura de Banda Desenhada, é na verdade este figurão, um novo rico mulherengo como tantos da nossa praça (ver aqui o post onde já se explicou quem é este Pafúncio). Na altura o meu pai explicou-me quem era O Pafúncio das bandas desenhadas do seu tempo, mas nunca nenhum de nós soube explicar porque surgiu ali aquela ideia na ponta da língua, nem por que foi logo tão bem acolhida por mim.

Nesse dia foi criado O Pafúncio, um blogue pessoal, caótico, livre-pensador, sem pretenções intelectualóides, um espaço onde todos são bem vindos e onde todas as opiniões são tomadas em consideração. Certo é que O Pafúncio não passa de uma figura menor no meio da alta blogosfera, mas isso para mim é o que menos importa porque o que conta é que têm vindo aqui poucos mas bons.

Já estive para desistir de O Pafúncio vezes sem conta. Mas agora então, depois que o meu pai faleceu, ele tornou-se para mim um elo de ligação difícil de quebrar. É como se fosse também um pouco dele, embora seja muito meu. Por isso O Pafúncio vai continuar a fazer por incomodar os pafúncios nossos contemporâneos que se enganarem na porta.

Quanto aos outros que aqui vêm frequentemente, nada têm de Pafúncio. Sabem que nem precisam de bater à porta, entram, comem, bebem, levam textos e imagens, partilham músicas, utopias possíveis e ânsias de mudar o mundo, a começar por este governo! A eles tenho dedicado as minhas madrugadas, mas nem por isso espero que me visitem assiduamente porque não lhes poderia garantir a retribuição. Na verdade O Pafúncio é um bicho muito ingrato, muito egoísta e pouco de fiar. Tem dias em que se perde de tal maneira por essa blogosfera fora que nem se lembra de si próprio, quanto mais de cumprir as suas obrigações sociais. Mas depois, como é coração mole, chega um dia em que se lembra de visitar os amigos e então lá vai ele batendo de porta em porta abraçando e beijando todo o mundo. Nesses dias desmedidos o pior são os comentários espatafúrdios que se lembra às vezes de deixar por aí! É que este Pafúncio é mesmo um desbocado!

DESABAFO, Ana Carolina

Dedicado ao Watchdog e à Pli

Quem ensinou os alunos a fazer abaixo-assinados?



Abaixo-Assinado (#11): queremos a professora de português fora da escola:

Destinatário: Estudantes

Nós queremos que a professora Maria Inês pare de dar aula na nossa escola(CEU CIDADE DUTRA),porque ja vai fazer 2 anos que ela ensina a mesma lição! Se ela não sair não entraremos mais na sala de aula, quando for aula dela!!! Obrigado(a)!

Dados adicionais:

Encontrei este abaixo-assinado por mero acaso no meio de tantos outros sob o tema da Educação. Fiquei a pensar que se fala muito pouco dos alunos quando se debate o Ensino e a Escola Pública. Chega-se a pensar que a escola só é feita de professores do Ministério da Educação. Chega um dia em que o ME apaga a luz e bate com a porta e o que restam são professores ao Deus-dará. Então e nos alunos, não se fala? Que opinião terão eles sobre as suas aulas? Que terão eles a dizer em relação aos professores, ao modo como funciona a escola, sobre as matérias que aprendem e da forma como querem que eles as aprendam. Já alguém se lembrou de perguntar aos alunos como quereriam eles que fosse a escola, o que gostariam de saber, de aprender a fazer, que interesses têm, se é que os têm.
Se o Pafúncio fosse um blogue muito visitados, já sei que teria aqui muitos professores dizendo em uníssono que o desinteresse é total e absoluto, que os pais são os que menos querem saber desde que os filhos vão passando, que já se matam a trabalhar e não querem ser amas secas nem palhaços de circo. Têm toda a razão, mas hoje, não sei porquê estou farta de professores. Farta de escutar sempre as mesmas queixas e depois vir a saber que toda a casta de decretos ministeriais ridículos e absurdos acabaram afinal por entrar nas escolas, sendo postos em prática por esses mesmos professores que sairam à rua justamente indignados a 8 de Março.
Desculpem, meus amigos, dizer que estou farta de professores. Estive a consultar a lista dos meus amigos e a maior parte deles são professores, não vi lá na lista um único ministro, um único deputado, nenhum provedor, nem bastonários. Mas tenho dois filhos na escola pública e estou habituada a deparar com as situações caricatas que de lá vêm. Por enquanto ainda os pais se vão dando conta mas já se anuncia o dia em que tudo estará sobre controlo. Os pais julgam que vão estar mais presentes mas como estão enganados. Na pior das hipóteses, terão lá representando-os algum Albino Almeida que lá estará para negociar a melhor forma de tirar proveito disso para si e para os seus. Se os pais não se organizarem em Associações de Pais que realmente se preocupem com a educação e com o estado do ensino, se não forem eles mesmos a se organizarem e a encontrar meios de poderem questionar os Conselhos Executivos do que se passa nas escolas, eles nunca vão saber realmente porque da parte dos professores ninguém virá alertá-los. O único veículo de comunicação ainda são os alunos. Não aqueles que nada dizem ou que sempre respondem que está tudo bem. Mas sim os chamados alunos problemáticos, aqueles que problematizam o ensino, que dizem que não gostam daquela escola, daquela professora, que sentem que estão a perder o seu tempo, que a escola é um lugar inóspito, que reclamam que os professores não os ouvem, que são caretas, que não se interessam por nada que venha da sua geração, dos seus gostos, dos seus interesses. Os pais pouco podem fazer em relação a isso, a não ser que se unam exigindo uma maior qualidade. Verdade seja dita que muitos professores já dão tudo por tudo mas, caros professores, quantos dos vossos colegas são assim, como essa professora que em dois anos deu sempre as mesmas aulas. Quantos conhecem assim, sem criatividade, sem empenho, sem psicologia, sem informação, sem conversa, sem capacidade de relacionar os acontecimentos, sem humor, sem capacidade crítica.
Que mau momento eu fui escolher para atacar os professores! Olhem que não é geral, é mesmo muito particular, como esse abaixo-assinado feito em relação a uma pessoa em particular, devidamente identificada. Não me levem a mal, mas de entre os meus amigos professores já ouvi tantos falar de gente assim que se move nas escolas. Coitados dos alunos!
Depois do video da miúda histérica que queria o telemóvel, andam todos a atacar alunos e pais (já antes os pais se tinham convertido na vítima preferencial, logo a seguir à Ministra e seus muchachos). Agora todos se voltam contra os alunos como se de um bando de delinquentes se tratasse. Todos virão defender que as crianças precisarão de ser contidas, disciplinadas, vigiadas e até mesmo policiadas. Adivinho que isso vai fazer um grande favor ao governo pois lhe dará os pretextos necessários para converter o que restar da escola pública (aquela que entretanto continuar sem ser total ou parcialmente privatizada), em grandes presídios de futuros trabalhadores precários instruídos de acordo com as exigências dos mercados económicos.

sábado, março 29, 2008

É ISSO AÍ

Uma versão magnífica de ANA CAROLINA E SEU JORGE

Fantástica esta campanha francesa contra a SIDA

virus da sida

Clique aqui para ver a campanha do governo francês contra a SIDA

Brilhante, sensual e com fotografia belíssima

Possivelmente impróprio para menores


sexta-feira, março 28, 2008

quarta-feira, março 26, 2008

181 anos sobre a data da morte de Beethoven


Recebido por mail


" (...) Beethoven viveu com grandes dificuldades, houve um momento em que pensou em suicídio, tentou sempre escapar às amarras da igreja, da aristocracia e dos (tantos, tantos) costumes, hábitos, preconceitos e tradições. Arriscou, arriscou tudo… para tentar perceber quem era… e para aí encontrar algo que pudesse dar, que pudesse levar «aos outros». Dizem que por vezes era rude, áspero, … como não poderia deixar de o ser?

Com um enorme coração e uma mente luminosa, viveu sem grandes condições, morreu pobre, incompreendido, quase surdo e só… mas, só aparentemente.

(lembrei-me… passam, amanhã, dia 26 de Março, 181 anos sobre a data da sua morte)

(...) " (Escrito por Abílio Oliveira em Aniversário )

E recomendo a leitura na íntegra do post supra citado. E deixo ... uma reunião poderosa, Glenn Gould interpretando o 1º andamento da Tempestade (para contrastar com a sugestão do meu querido amigo Abílio Oliveira)


Fonte: http://unconfined.wordpress.com/2008/03/25/aniversario/#comment-26


Termitofagias


Pobres sociedade em que as térmitas
se têm de pôr eternamente na ponta dos pés,
para mostrarem trabalho à sua insaciável Rainha.

Arrebenta

Uma associação de pais normalmente é constituída por pessoas que decidem intervir mais activamente na escola dos seus filhos. Quando não há problemas de maior, normalmente colabora com os orgãos escolares no sentido de organizar festas, angariar patrocínios e manter os pais informados sobre o que se passa na escola.

Mas uma associação de pais não se deve limitar a estas funções, também tem a função de participar mais activamente no projecto escolar, participando nos conselhos de escola/agrupamento e no conselho pedagógico, prestando depois aos pais as informações decorrentes.

Outras associações levam ainda mais longe o seu papel, sentindo a necessidade de se organizar no Movimento Associativo de Pais (MAP), no sentido de se manterem mais atentos e informados, podendo recorrer às estruturas do MAP para se esclarecerem sobre as leis, os direitos e os deveres.

Hoje em dia é difícil para os pais encontrarem tempo para se reunirem e tornou-se quase impossível os pais terem tempo para desenvolverem este tipo de actividades. Por isso nem sempre é possível formar uma associação de pais.

Com as novas legislações resultantes das políticas educativas, e com as mudanças que estas se propõem a causar na escola pública, torna-se impensável as associações de pais não esclarecerem os seus associados sobre o que se está a passar no ensino. Não o fazer é enfiar a cabeça na areia e ficar à espera que nada disto venha a trazer problemas num futuro muito próximo.

Quando uma associação de pais toma a iniciativa de informar os pais das novas leis e das suas consequências, logo surgem vozes que a acusam de estar a usar a associação de pais para fazer política. Mas nunca ninguém se queixa que o governo está a usar o Ministério da Educação para fazer política.

As pessoas fogem da política como o diabo da cruz. Provavelmente adquiriram tal asco aos políticos e à forma como estes fazem política que este termo adquiriu para a generalidade das pessoas um sentido sujo. As pessoas afastam-se naturalmente de tudo o que lhes cheire a política. E nem se apercebem que têm os pés enfiados nela e que lhes chega até ao pescoço, como um lodo do qual não podem escapar. Como Édipo fugindo do seu destino, quanto mais as pessoas se arredam da política mais a política vai no seu encalço.

As pessoas em geral fazem por ser cumpridoras e não se sentem atraídas por nada que as leve a pôr em causa. As pessoas gostam de confiar que tudo está em ordem e detestam tudo o que vier pôr em causa seja lá o que for. Desconfiam de tudo o que as possa transtornar. Por isso preferem não levantar ondas e aceitar a ordem vigente, comportando-se o mais possível como o resto do grupo, para não sairem fora do padrão.

Se alguém tenta alertar as pessoas para os perigos decorrentes de uma lei, as pessoas tendem a afastar-se e jamais acreditam na sua possibilidade de fazer cair uma por terra uma lei por mais absurda que seja. Para elas, as causas (aquelas que conhecem a palavra e o seu significado) estão fora de moda, são assunto de perdedores e hoje em dia as pessoas querem ser eternos vencedores, o que as leva a não porem nada em causa. Antes preferem adaptar-se e sobreviverem do que revoltar-se e lutar por aquilo em que acreditam.

Os dirigentes sabem disto e mostram-se confiantes: basta-lhes publicar as leis e esperar que sejam postas em prática sem reacções contra elas. Para isso contam com o apoio de todo um séquito que compactua com as ordens que vêm de cima sem as pôr jamais em causa. As pessoas são avaliadas de cima para baixo e para tal basta-lhes cumprirem as ordens que vêm de cima. Quanto mais prontamente as aplicarem sem fazerem perguntas e às vezes até mesmo dando-lhes o seu cunho pessoal ainda mais refinado, no caso de serem mais papistas que o Papa, melhor os seus superiores as avaliarão.

É por isso que corremos o risco de muitos dos Conselhos Executivos (que também serão avaliados, pelo ministério?) executarem prontamente as ordens da ministra, que por sua vez aplicará prontamente as ordens do primeiro-ministro, que por seu turno aplicará prontamente as directivas da união europeia, que por sua vez...

O que pode fazer uma associação de pais convicta de que sem a unidade dos pais e dos professores contra estas políticas a escola pública tem o seu fim anunciado? Como pode uma associação de pais dizer isto aos pais se eles não querem ouvir este tipo de discurso do desassossego, taxando-o imediatamente de "política"? Se mesmo os professores dos Conselhos Executivos cumprem e fazem os outros cumprir? E se no final os poucos que resistem ainda são olhados de lado, como gente que não se quer dar ao trabalho, como um bando de incumpridores que pagarão por não obedecerem à sinistra rainha?

Como serão olhados pelos outros pais os pais que ousem alertar, que se aliem aos professores em luta, que publicamente acusem estas políticas de serem responsáveis pela falta de interesse que os seus filhos mostram por esta escola que os desqualifica?




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