domingo, junho 22, 2008

Vergonha é o que muitos não têm!

Sinto vergonha de mim, de Cleyde Canton e Rui Barbosa

declamado por Rolando Boldrin

no programa Sr Brasil da TV Cultura


ver video aqui

segunda-feira, junho 16, 2008

I wish I was a Fisherman...

The waterboys - Fisherman's Blues

domingo, junho 15, 2008

Lixo com ele!

Maria Bethânia - Ultimatum

Retomo aqui o texto de Fernando Pessoa e dedico-o aos Mandarins da Europa

Pessoa combatente


O Estado está acima do cidadão, mas o Homem está acima do Estado... combater sempre e em toda a parte... a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania

Fernando Pessoa

sábado, junho 14, 2008

Na Irlanda venceu o NÃO. Viva a Irlanda!

Referendo europeu: ministro da Justiça irlandês reconhece vitória do "não" (Público)

Sabes pai, os irlandeses votaram NÃO ao Tratado de Lisboa. Vê lá tu que eram o único país que ia consultar o povo através de referendo e as pessoas conscientes foram lá e disseram NÃO ao tratado dos tratantes. Tu havias de gostar de os ver a ter que admitir que foi uma grande derrota para as suas carreiras políticas. Eles talvez cheguem lá onde querem, mas vão ter que subverter as regras democráticas debaixo dos nossos olhos e nós vamos estar cá para lhes dizer que estão a pisar o risco e a não deixar... o pior é que nós aqui vamos deixando tudo, permitindo-nos perder tudo o que antes conquistaramos, somos uns otários, tanto estamos optimistas como pessimistas, conformamo-nos com os dois estados de alma. Temos demasiada alma e pouca raça. Suportamos calados sermos dirigidos por gente de má raça.
Mas hoje esta vitória do NÃO é uma vitória à dimensão europeia. Neste momento muitos irlandeses, portugueses, espanhóis, alemães, franceses, gregos, estão contentes como nós com este NÃO.
Como diabo vão eles agora inverter as regras do jogo? Que batota irão cometer? Se tu estivesses cá tu havias de saber e de dizer logo que esses filhos da puta não vão respeitar nada nem ninguém e vão dar a volta à questão. Tu não tinhas nenhuma consideração por esses indignos, pois não? Tu é que os topavas a todos.
Hoje fomos sair à noite com os miúdos. O Fernando Pessoa fazia anos (120, vê lá tu, lembro-me bem quando fez 100) e havia uns grupos de rap que iam fazer uma Hip HoPessoa, em homenagem. Estava pouca gente mas nós gritámos vivas à Irlanda aos quatro ventos. De vez em quando IRLANDA... estava uma noite de andar na rua.
Isto mostra que na Irlanda há gente consciente do perigo que corre a Democracia. Como seria por cá? Achas que o SIM ganhava e que o Sócrates progredia na carreira política? Se fosse agora não me parece!
Sabes, hoje sinto-me optimista, sei que na Irlanda há quem diga NÃO e vença.
O que diria o Fernando Pessoa disto tudo? Se fosse vivo estaria instalado no poder, seria um burocrata cumpridor que à noite soltava a fera a sós? Ou apenas um excelente poeta consciente da sua impotência de poder mudar o mundo mesmo com aquela monumental poesia. Mas terá ele realmente alguma vez desejado que o mundo fosse outro? Sem dúvida que sim.

sexta-feira, junho 13, 2008

Homenagem a Fernando Pessoa

Original João Pestana

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Fernando Pessoa

O Tratado dos Tratantes

Porreiro, pá!

José Sócrates sobre o Tratado de Lisboa:

"É fundamental para a minha carreira política"

(Vale a pena ver o video da SIC e ler a notícia completa)

quinta-feira, junho 12, 2008

As greves servem para incomodar

Greve dos roteiristas, EUA

Greve=paralização

As greves servem para incomodar. Só quando os trabalhadores param é que nos lembramos que, nesse caso, tudo passa a fazer falta: os combustíveis, o pescado, o leitinho derramado do menino. Tudo paralisa no sentido do progresso mas ao mesmo tempo provoca uma bola de neve desencadeando-se em consequências como um polvo, devolvendo todas as ligações no sentido da inércia e também por sua vez destruindo pelo caminho bens essenciais à sobrevivência.

Sobreviver na selva da escassez

Como sobreviver na selva que se gera então? Quem tiver algum dinheiro no momento em que se dá a crise, ainda se vai safando, mas até quando é relativo pois pode até mesmo haver dinheiro que nada tem para comprar. Até quando a greve persistir. Todos anseiam vencer a negociação. Como resolver um impasse destes? Os governos não estão autorizados a ceder às pressões dos trabalhadores, têm que resolvê-las a favor das exigências da União Europeia e da globalização, seja a bem seja a mal. Todos queremos que isto se resolva a bem. Mas a bem de quem? De nós, do nosso povo? Das pessoas do mundo? Então como lidar com a situação, se vemos lucros e misérias súbitas? Se tanto temos tudo para consumir, como ficamos sem nada para comer se o sistema parar. Em que incerteza vivemos? Seguindo atentamente um telejornal, ainda que dissimuladas, podemos ver as causas de todos os nossos males desfilando aos nossos olhos. Sabemos quem eles são e ao que vêm. Querem extrair o lucro rápido à custa do assalariado, que trabalhe cada vez mais horas e que ganhe cada vez menos em proporção – já vimos esse filme: são fascistas oportunistas usurpadores, sempre existiram. Eles sabiam a crise que estavam a gerar as suas ambições de enriquecer. E sabiam do preço da destruição que provocavam a seu favor. Seguirão sempre para a frente destruindo tudo se lho permitirmos mais.

Os portuguese não podem dizer NÃO aos tratados dos tratantes


Os irlandeses ainda estão a tempo
de se recusar a reforçar
este atropelo da Democracia!

NÓS DIZEMOS NÃO!

quarta-feira, junho 11, 2008

IRISH FRIENDS VOTE «NO» FOR ME

Assine a petição online aqui

Paremos o Tratado da EU! Levantemos as nossas vozes na Irlanda!

A 13 de Dezembro de 2007, os chefes dos estados e dos governos da UE assinaram o "Tratado de Lisboa"que esperam comece a vigorar a 1 de Janeiro de 2009. Este tratado controlará os futuros trabalhos da União Europeia e, tal como a Constituição Europeia recusada pelos votantes franceses e holandeses em 2005, iniciará, exactamente do mesmo modo, o caminho a uma Europa neo-liberal e de mercado livre. As necessidades sociais dos cidadãos europeus não são tidas em conta. Em vez de respeitar o desejo dos europeus de uma Europa democrática, social, pacifista e ecológica, este tratado faz com que o neoliberalismo se instale de pedra e cal nas as ordens de trabalho da UE.

Para que este golpe de estado tenha sucesso, todos os pedidos de referendos foram ignorados e os governos estão a optar pela desinformação em relação ao seu conteúdo.

Nós pedimos aos irlandeses para votarem contra este Tratado da UE.

Depositamos as nossas esperanças nos irlandeses e esperamos que os outros povos europeus se juntem a nós.

Dizemos SIM à Europa, mas queremos um novo começo. Queremos uma Europa pacífica, social, ecológica a democrática e dizemos NÃO à militarização da UE, à sua orientação neoliberal e à redução das liberdades democráticas.

Aspiramos a uma União Europeia do povo, pelo povo, para o povo, mas isso só se tornará possível quando a todos os cidadãos dos estados membros da UE for dado o direito de decidirem por si próprios se o Tratado de Lisboa deve ou não ser a base dos seus futuros governos. Nós dizemos NÃO e pedimos-lhe

Por favor assine a petição aqui!

20462 pessoas dos 26 estados membros da UE já assinaram esta petição (desde 12 de Maio corrente)

terça-feira, junho 10, 2008

Dia da (má) raça

«Só quero comemorar o Dia da Raça, de Portugal e das Comunidades»
(Cavaco Silva)

Campanha pelo NÃO ao Tratado de Lisboa



Há muita documentação sobre a campanha «não ao tratado de Lisboa» nos seguintes sites:


Campanha anarquista pelo não:



Faça um copy deste apelo
e reenvie-o para

sábado, junho 07, 2008

1978/2008: Formas de conviver com a realidade

Imagem daqui


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Ano 1978: Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

Ano 2008: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.


Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece
um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

Ano 1978: O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à
universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.

Ano 2008: Prendem o pai do Luís por maus tratos a menores. Sem a figura
paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

Ano 1978: Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
Ano 2008: A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado "chocolate" ao outro.

Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.

Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma
grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge
revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.


Situação: Tens que fazer uma viagem.

Ano 1978: Viajas num avião de TAP, dão-te de comer, convidam-te a beber seja o que for, tudo servido por hospedeiras de bordo espectaculares, num banco que cabem dois como tu.

Ano 2008: Entras no avião a apertar o cinto nas calças, que te obrigaram a

tirar no controle. Enfiam-te num banco onde tens de respirar fundo para entrar e espetas o cotovelo na boca do passageiro ao lado e se tiveres sede o hospedeiro maricas apresenta-te um menu de bebidas com os preços inflacionados 150%, só porque sim. E não protestes muito pois quando aterrares enfiam-te o dedo mais gordo do mundo pelo cú acima para ver se trazes drogas.

Situação: Chega o Outono

Ano 1978: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno. Não se passa nada.

Ano 2008: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno. As
pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

Situação: O fim das férias.

Ano 1978: Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana
puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, Terminam as férias. No dia
seguinte vais trabalhar e ponto final.

Ano 2008: Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, Terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e
caganeira.

terça-feira, junho 03, 2008

Margaridas para uma amiga

...que chegou bem a casa

dando mais uma lição da coragem de resistir...
ela sabe que são para ela estas flores
e todas as outras que não se deixam colher!

Não Fiques aí Parado

Foto de Eduardo Gageiro

Nada é impossível de mudar, Bertold Brecht

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

segunda-feira, junho 02, 2008

Solidários com os pescadores, dizendo um claro NÃO ao Tratado de Lisboa

Foto daqui


Tarjeta do Partido Operário de Unidade Socialista (POUS)
Secção portuguesa da IVª Internacional


Todo o apoio à luta dos pescadores!
Meios compensatórios para garantir a sua sobrevivência!
Abaixo a ditadura da União Europeia!
União Livre das Nações Soberanas!

Em unidade completa, pescadores e armadores portugueses estão em greve, em simultâneo com os pescadores de Espanha, França e Itália.
Eles exigem dos respectivos governos meios compensatórios para permitir a sua sobrevivência, face ao aumento brutal do preço dos combustíveis.
Em três anos, estes aumentaram para o triplo, enquanto o preço do peixe nas lotas não pára de descer, deixando-os impossibilitados de poder suportar essa despesa, acrescida dos encargos com a Segurança social e com as taxas de capitania.
Armadores e pescadores ficam na ruína!



E o que responde o Governo português?


Comprometido com a União Europeia, faz suas as palavras do Comissário Europeu para a Pesca, afirmando que a solução não são apoios compensatórios, mas sim apoios para abater mais barcos, tornando a pesca “mais competitiva”!

Para os especuladores parasitas… todo o dinheiro!
Para os pescadores produtivos… que aguentem as consequências da crise!



Quando rebentou a bolha especulativa nos Estados Unidos da América, como resultado de milhões de trabalhadores americanos se verem obrigados a entregar as suas habitações, por não terem dinheiro para continuar a pagar as prestações das mesmas, o Banco Central Europeu (BCE) não hesitou em canalizar milhares de milhões de euros dos bancos centrais de cada país, para salvar os banqueiros e accionistas especuladores.
Mas agora, quando os mesmos especuladores provocam o aumento brutal dos preços do petróleo e dos alimentos, os povos que aguentem: “Já estão habituados aos sacrifícios”; “Os aumentos vieram para durar”; “É o mercado… não se pode fazer nada” – dizem os ministros que governam à conta da União Europeia.



Sim, os pescadores franceses têm razão ao dizer: “Basta de ditadura da União Europeia!”
Sim, tem razão o Presidente do Sindicato dos Pescadores da Galiza quando, em conferência de imprensa, em Vila do Conde, ao lado do presidente do Sindicato dos Pescadores do Norte de Portugal, declarou: Temos que “mostrar aos governos de Madrid, de Lisboa e de Bruxelas que os pescadores têm direito a viver do trabalho, sem precisar de emigrar ou optar por outra actividade, como tem acontecido.”
Sim, os pescadores têm direito a ser pescadores.




Não, à Comissão Europeia que, em vez de apoiar a pesca, está a destruí-la!



Sim, os pescadores têm o direito a indemnizações compensatórias, para poderem garantir a pesca como uma actividade produtiva nacional! Abaixo o BCE, que só se preocupa com aqueles que fazem fortunas com base na riqueza por outros produzida!

Solidários com os pescadores, solidários com a luta de todos os trabalhadores portugueses, contra o aprofundamento do já tão grave Código do Trabalho de Bagão Félix / Durão Barroso, pelo restabelecimento de todos os direitos laborais consignados na Constituição portuguesa, pedimos-lhe que assine a Carta ao povo da Irlanda, em apoio ao seu Não no referendo ao Tratado de Lisboa.



31 de Maio de 2008

Sede: Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C, 1250 – 217 Lisboa


O peixe está cada vez menos fresco



exige-se intervenção da ASAE


domingo, junho 01, 2008

Dia da Criança

Deep purple - Child in time 1970 (Live)

Sweet child in time youll see the line
The line thats drawn between the good and the bad
See the blind man shooting at the world
Bullets flying taking toll
If youve been bad, lord I bet you have
And youve been hit by flying lead
Youd better close your eyes and bow your head
And wait for the ricochet

Deep Purple

Não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar...


(a não ser que queira provar do "peixe fresco" que o ministro disse que não ia faltar!)

sábado, maio 31, 2008

A crise de uns é o enriquecimento rápido de outros

E de quem é a culpa?

"Quem está a inflacionar a 'bolha' no mercado de petróleo? O principal culpado é o FED [banco central americano] ao reduzir a taxa de juro dos seus títulos em 325 pontos base [= 3,25 pontos percentuais] para uma taxa real negativa de -2% após ajustamento pela taxa de inflação [dos EUA] e ao expandir a oferta monetária no país em 16,5% desde há um ano atrás, num esforço desesperado para parar o declínio do sector bancário americano, que entretanto se vai afundando [por causa da crise do mercado habitacional e na sub-prime].
Ao empurrar as taxas de juro para terreno tão nitidamente negativo, o FED encoraja a especulação nos mercados de commodities e empurra também o dólar para baixo [face ao Euro, p.ex.], o que, por sua vez, está a empurrar para cima o preço em dólares das matérias primas, tais como o petróleo bruto e o ouro."

in SirChartsAlot, 28/Maio/2008

Querem ver como os "investidores institucionais" fazem especulação com o petróleo? É assim...

O blog Econbrowser explica tudo direitinho numa entrada de 17 de maio passado. Daí respigamos apenas a primeira parte para a traduzir para português mas aconselhamos a leitura do texto completo clicando aqui.

Aí se diz o seguinte:

"Como é que a especulação pode estar a contribuir para as mais recentes alterações dos preços do petróleo.

Uma importante tendência recente na gestão dos fundos de pensões e similares é o aumento do uso de dólares para o investimento na especulação com as matérias primas [commodities]. Talvez a forma mais simples de o fazer é comprar, digamos, um contrato de "futuro" de petróleo para Julho próximo. Se comprar esse contrato na sexta-feira terá a possibilidade de o petróleo lhe ser entregue efectivamente (...) algures em Julho a 126 USD/barril. Enquanto fundo de pensões ou similar você não quer receber, de facto, esse petróleo [pois não o vai 'consumir' efectivamente] e por isso, no início de Junho, você vai procurar vender esse contrato a alguém e usar a receita para comprar um contrato de "futuros" para Agosto. Se o preço do petróleo aumentar entretanto vai poder vender o contrato [de Julho] por mais que os 126 USD/barril que pagou por ele, obtendo assim um lucro. Assim, fazendo "rolar" desta forma os contratos de "futuros" a curto-prazo o seu "investimento" obterá um rendimento que acompanhará a tendência de evolução do preço do petróleo".

Nota final: claro que com este procedimento os fundos financeiros alimentam continuamente o processo e fazem subir cada vez mais os preços pois é a única maneira de continuarem a ganhar dinheiro --- aliás, muito dinheiro.

(recebido por mail)

sexta-feira, maio 30, 2008

A era dos poderes absolutos


clique na imagem para ler
Será que o professor único vai ser avaliado pelos coordenadores desses departamentos todos? Qualquer dia teremos nas escolas mais professores avaliadores do que professores. Dantes era normal não se passar a uma disciplina pela única razão de não se engraçar logo desde o início com o professor. Por vezes, no ano seguinte, com outro professor, de repente as disciplinas ganhavam interesse e nesse ano aprendia-se com facilidade o que antes parecia chato e de difícil motivação. Agora, com o professor único os alunos vão ter que penar! Se calha a vir um daqueles que se impacienta com as dúvidas dos alunos, lá tem aquela turma que o aguentar durante anos e anos e sofrer os danos da sua incapacidade comunicativa. Até agora as mudanças ditavam saltos no nosso crescimento, ganhava-se em responsabilidade cada vez que se conquistava uma nova etapa: ir para a escola sozinho pela primeira vez, apanhar transportes para a escola nova. As relações humanas eram diversas na escola, como na vida. Aprendia-se a conviver com pessoas diferentes, a se ser tolerante. Agora quer-se que os meninos fiquem limitados a só conhecerem um professor durante esse importante período de evolução e de crescimento. E que estejam anos a fio encerrados na mesma escola, a ver as mesmas pessoas todos os dias, a crescer sempre no mesmo ambiente para o bem e para o mal. Poderá um só professor ser uma espécie de homem dos sete instrumentos e estar vocacionado para dar todas essas disciplinas? Os alunos aprenderão um bocadinho de cada coisa e saberão muito pouco de uma coisa só. Chamam a isto melhorar o ensino?

quinta-feira, maio 29, 2008

Prevêm-se para breve alterações ao novo acordo ortográfico

KAOS

"Não fiz, não faço e não façarei!"

Cavaco Silva
(oiça com os seus próprios ouvidos)

Se o presidente não sabe falar português, adapte-se a língua portuguesa ao seu linguajar!

terça-feira, maio 27, 2008

Poema da Maiakovski

Fiz ranger as folhas de jornal
Abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo de cada fronteira distante
Subiu um cheiro de pólvora
Perseguindo-me até em casa


Nesses últimos vinte anos
Nada de novo há no rugir das tempestades
Não estamos alegres, é certo
Mas também porque razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado.
As ameaças e as guerras
Havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio
Cortando-as como uma quilha corta as ondas


Tradução: Emilio Carrera Guerra
(dedicado a André Freire, politólogo do jornal Público)

segunda-feira, maio 26, 2008

Aniversário do Mestre KAOS

Original KAOS

Faz hoje anos o grande mestre da caricatura digital blogosférica: KAOS.
Para além de ser um artista excelente, os seus textos de análise política são de uma pertinência e de uma coerência sublime. A liberdade de expressão é a sua bandeira e, como não se deixa comprometer por quem quer que seja que lhe queira impôr uma côr ou uma linha política, ele é absolutamente um livre pensador! Da direita à esquerda, do centro moderado à extrema esquerda, seja ministro ou sindicalista, todos os que pisam o risco (e como pisam o risco!), já sabem que o Kaos não os poupa e que imediatamente vão fazer parte da enorme galeria de corruptos, mentirosos, vendidos, vira-casacas, traidores, engenheiros de obras feitas, anti-democráticos, fanáticos ou fascistas d'aquém e d'além mar.

Como em certos casos é mesmo verdade que uma imagem vale por mil palavras, aqui vos deixo com uma das últimas imagens do Kaos, a qual serve bem de exemplo ao que acabei de dizer sobre a sua mestria e sobre as figuras retratadas.

Um grande abraço de parabéns ao Kaos que, para além de tudo, é uma pessoa excelente, um grande amigo e o melhor dos companheiros!

domingo, maio 25, 2008

Pais às ordens do Ministério da Educação e dos Conselhos Executivos?


Criação do Conselho Geral Transitório
Submetido por admin a Quarta, 05/07/2008 - 09:38.


Administração e gestão escolar


O Conselho Geral Transitório tem incumbências especiais, nomeadamente a de eleger o director, no caso em que já tenha cessado o mandato da direcção executiva e esta opte pela eleição do director


Conselho Geral Transitório
DESPACHO INTERNO >> Aqui

O Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril aprovou o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, consagrando, em sede de disposições transitórias, a existência de um Conselho Geral Transitório com a especial incumbência de elaborar e aprovar o regulamento interno, preparar as eleições para o Conselho Geral assim que aprovado o regulamento interno e eleger o director, no caso em que já tenha cessado o mandato da direcção executiva e esta opte pela eleição do director, nos termos do n.º 4 do artigo 63.º do referido Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, e ainda não esteja eleito o Conselho Geral.


No n.º 1 do artigo 62.º, ficou igualmente estabelecido que os procedimentos necessários à eleição e designação do Conselho Geral Transitório são desencadeados até trinta dias úteis após a entrada em vigor do mesmo diploma. Considerando, no entanto, a conveniência de facultar aos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas um prazo mais alargado para o efeito, tal como acordado no Memorando de Entendimento celebrado com as organizações representativas do pessoal docente no dia 12 de Abril de 2008, determina-se o seguinte:


O disposto no n.º 1 do artigo 62.º do Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril deve estar cumprido, impreterivelmente, até 30 de Setembro de 2008.


Lisboa, 30 de Abril de 2008.


Pela MINISTRA DA EDUCAÇÃO

O Secretário de Estado Adjunto e da Educação


Jorge Miguel de Melo Viana Pedreira


Posto isto, imaginem um presidente de uma associação de pais de uma das escolas do agrupamento ouvir em tom intimista da boca da presidente do CE: "já leu sobre o Conselho Geral Transitório?" a que este responde: "Ainda estou a estudar o documento da municipalização do ensino".

Daí a um bocado uma chamada telefónica: "tem aqui uma convocatória para um conselho pedagógico".

Chiça, que é demais: ultimamente é o quarto conselho pedagógico e uma assembleia de agrupamento e mesmo assim ainda foi preciso queixar-nos por não termos sido convocados para um onde se ia falar da avaliação dos professores! Com tantas reuniões e legislações já pareço um professor!

Agora é o secretário da educação, em nome da ministra que nos vem dar ordens e estabelecer prazos: "impreterivelmente" tem que estar o trabalho todo feito até 30 de Setembro. E há escolas que já agendaram a assembleia eleitoral do conselho geral transitório para o mês de Julho! Já terão dito aos representantes dos pais que em Julho têm que estar na escola?

Será que esta gente pensa que os pais, por muito empenhados que sejam em defender a escola pública e em participar no processo educativo dos filhos vão andar a toque de caixa a obedecer às ordens do Ministério da Educação? Este ano não há férias nas escolas? Aos coitados dos professores já foi dito que Julho é para pôr tudo a andar para estar pronto no início do próximo ano lectivo e que só podem marcar as férias para o mês de Agosto. E aos representantes dos pais devem estar quase a ordenar-lhes que também façam o mesmo. Só que os primeiros é o trabalho deles, cumprem ordens (ou arriscam-se a ter problemas disciplinares e lá se ia a avaliação e a progressão da carreira para as urtigas!); enquanto os outros, os representantes dos pais, não trabalham na escola, apenas estão associados para defender a escola pública e o ensino dos filhos. Findo o ano lectivo, com os filhos de férias, quem os vai obrigar a estar presente nessas reuniões?

Calculem que, depois de anos a arredarem os pais para fora dos portões da escola e a fazer tudo à sua revelia, estão agora muito preocupados que não haja pais suficientes para preencher os lugares no conselho geral transitório porque precisam deles para eleger o futuro Director e para dar seguimento ao processo! Já estou a ver os anúncios nos jornais:


Pais precisam-se!

Para preencherem vaga no Conselho Geral Transitório

da escola x do agrupamento Y


Mas se os pais nem vão às escolas para saber da vida escolar dos filhos, e se uma assembleia de uma associação de pais de uma escola de 500 e tal alunos conta apenas com a presença de 3 pais que não integram os corpos sociais... se os próprios orgãos sociais não estão presentes, apenas poucos, como esperam preencher esses lugares que a lei determina?

Mesmo que o processo vá para a frente, que os representantes dos pais, que trabalham e dispõem de pouco tempo, acabem por aparecer em número suficiente ( e já estou a imaginar a direcção do agrupamento à cata de pais avulsos nas escolas onde não estão constituídas associações de pais para virem preencher os lugares) esse conselho geral transitório continua a ser uma enorme falácia anti-democrática. Como o meu amigo Kaos bem traduz, esse conselho geral transitório é como se numa associação se criasse uma comissão instaladora para se auto-nomear para os lugares do conselho geral.

Que aliciantes irão ser dados aos pais para integrarem tais processos? Que tem tudo isto a ver com as associações de pais originariamente formadas para defender a escola pública e para zelar pela educação das crianças?

quarta-feira, maio 21, 2008

Mundo empresarial curva-se perante a cultura

Empresa lança papel higiênico literário na Espanha???

O velho hábito de ler no banheiro ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário. A empresa espanhola Empreendedores está lançando rolos de papel especial onde aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que o usuário vá lendo enquanto permanecer no banheiro.

O produto, vendido só através da Internet, inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos sagrados da Bíblia e do Budismo.

"Hemingway dizia que clássico é aquele livro que todo mundo respeita, mas ninguém lê. O que estamos fazendo é levar os livros aos banheiros, aproximando a literatura do homem", disse o dono da empresa, Raúl Camarero.

"E surge aí um conflito interessante: limpar o traseiro com uma bela obra e o dilema moral que isso representa", disse.

Da Bíblia foram escolhidos trechos do Apocalipse, do Cantar dos Cantares e dos Provérbios. Os textos sagrados budistas são O Sutra do Loto e o Livro Tibetano dos Mortos. A intenção dos sócios da companhia era incluir também trechos do Corão, mas tiveram medo da possível reação dos islâmicos.

"Tivemos medo, sim, de provocar ira e vingança. Alguns até ameaçaram sair do projeto, se insistíssemos", explicou o empresário.

Retirado daqui

Pirâmide do Capitalismo (1911)

clique para aumentar

«O capital, esse porco imundo,

esse ídolo monstruoso,

empanturrado de carne humana».

Émile Zola, Germinal

Tão simples como isso, amigo Ferroadas...

«Com a esperada "crise" nos cereais, as cabeças pensantes já têm solução para a possível falta de pão, fazem-no com farinha de batata. Que mundo este, onde os homens não conseguem solução para acabar com a fome, e, no fundo, é tão fácil, basta acabar com o capitalismo e mudar o sistema político, económico e social, de um neo-liberalismo burguês e fascizoide, para uma sociedade igualitária, socialista e revolucionária.»

Ferroadas

terça-feira, maio 20, 2008

Cão que ladra não fuma


Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça e
logo foram janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?
E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escreveremos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelos nomes que elas são.

Ary dos Santos

Casa onde não há pão todos ralham e todos têm razão

Imagem daqui

Está-nos a faltar o pão que o diabo amassou!

Imagem daqui

domingo, maio 18, 2008

Agrada-vos o sítio?

Alcácer do Sal

Onde se foram esconder os 100 000?

Foto daqui

Vejam aqui com os vossos próprios olhos o resultado da assinatura do memorando. Tão cedo sindicatos não poderão contar com o apoio dos que antes se manifestaram massivamente. Uns não vão porque estão demasiado ocupados a cumprir as leis contra as quais lutavam; outros porque não vêm nesta mobilização mais do que um cumprimento do calendário de festas dos sindicatos; outros porque, se já antes não contavam com os sindicatos para levar a sua luta até ao fim, agora vêm neles mais um aliado do ministério. Que sentido têm agora as palavras de ordem se foram eles que viabilizaram que o sinistro puzzle das políticas educativas continuasse inexoravelmente a ser construído peça por peça?

sexta-feira, maio 16, 2008

Se bem me lembro, fatídico fatídico foi o dia 17/Abril

Dia 17, estaremos no alto do Parque Eduardo VII para desfilarmos para o ME!
- Decorridos 69 curtos dias após a data histórica de 8 de Março;

- decorridos escassos 35 dias após o fatídico 12 de Abril;

- na brutal ressaca da percepção de que a mole imensa, agitada e colorida de 100 mil pessoas nas ruas despareceu tragada por invisível alçapão, accionado por oculta alavanca, movida por mão sinuosa e felina de alguém, vulto não menos escorregadio e "furtivo, que nos trama por trás da luz";

- num presente cinzento, em que a mobilização bateu no fundo e a apagada e a vil tristeza e o "tempo dos assassinos" estão de volta;



É hora de sairmos deste luto sofrido, é tempo de nos ressuscitarmos a nós próprios e aos outros, de voltarmos a re-acreditar em nós, na nossa união e capacidade para, livres e sem tutelas, transformarmos as coisas. Mesmo aquelas que nos parecem hoje de pedra e cal, feitas para durar mil anos, imutáveis na sua injustiça...

Está na hora de nós (os de sempre) arregaçarmos as mangas, voltarmos a limpar o lixo, os estilhaços, as feridas, os estragos feitos e voltarmos... à LUTA!

Por tudo isso dizemos: dia 17 LÁ ESTAREMOS!

quinta-feira, maio 15, 2008

Concerto na Escola de Música do Conservatório Nacional

Entretanto esta sala continua a degradar-se como um espelho da nação!

Só os verdadeiros pulhas desprezam a música!

A música, essa aliada esquecida da matemática

A pretexto de uma conferência com especialistas internacionais para debater o insucesso na disciplina de Matemática em Portugal, a Ministra da Educação veio chamar a atenção para o “passivo enorme” nesta área. Atribuídas (mais uma vez) as culpas aos professores, estando presentemente alguns milhares a receber formação contínua nesta matéria; lançado um Plano de Acção para a Matemática, aumentando a carga horária na disciplina, resta-nos prever quais serão as recomendações que resultarão de mais esta conferência.
Porventura os sucessivos responsáveis pela pasta da educação em Portugal – eles próprios fruto de uma sociedade com fraquíssima cultura musical – não têm sido sensíveis ao papel fundamental que a música pode e deve ter na formação integral do indivíduo, não só ao nível da sensibilidade estética e do desenvolvimento emocional mas também ao nível da estruturação do pensamento lógico e do raciocínio matemático/geométrico, estimulando a concentração, disciplinando a actividade de grupo, favorecendo a comunicação, a cooperação e a entreajuda – tudo isto num clima de grande criatividade e franco prazer.
No entanto, desde Pitágoras – que para além de um contributo fundamental para a Matemática e a Geometria, também estabeleceu as bases da Teoria Musical – têm vindo a comprovar-se as muito estreitas relações entre a Música e a Matemática.
Na verdade, vários estudos revelam que a maioria dos jovens que aprendem música, para além de serem alunos mais criativos em todas as áreas, também obtêm bons resultados em Matemática, sendo certo que, para alem de um papel muito positivo no ensino de crianças disléxicas e autistas, a Música é, de facto, aquela aliada que, como por encanto, leva qualquer criança a fazer a ponte entre o concreto e o abstracto, levando-a a descobrir novas formas de comunicação e linguagem e ajudando-as assim a apreender a lógica e a simbólica da Matemática.
A Educação Musical consta, de facto, do currículo da escola em Portugal desde 1971, ano da reforma de Veiga Simão que introduziu alterações significativas neste campo. No entanto, ao contrário do que sucede em muitos outros países, para lá de se iniciar já numa idade tardia, a Educação Musical tem estado confinada ao 2º Ciclo do ensino básico – no 3º Ciclo tem expressão muitíssimo limitada – e, a partir da última reforma curricular, a sua carga horária sofreu mesmo uma redução substancial de 45 m, passando a dispor apenas de 90 m semanais.
Foi feita alguma avaliação destas reformas?
Ainda a este propósito, é importante também referir que uma manifesta falta de instrumentos disponíveis nas salas de aula – e o facto de muitos dos que existem já estarem danificados – o que limita, muitas vezes, os professores a um ensino elementar da prática de flauta, impedindo, dessa forma, os alunos de adquirirem as “competências” (irrealistas) previstas para a disciplina pelo próprio Ministério da Educação.
A nível do 1º Ciclo, a recente introdução do ensino da Música, embora louvável, mais não fez do que pôr em prática um aspecto que, previsto no currículo, geralmente se não cumpria, sendo que os professores, recrutados em empresas privadas, trabalham em condições muito discutíveis.
Como se tudo isto não bastasse, mais recentemente ainda, sob a capa de uma alegada “Democratização do Ensino Artístico” o Governo decidiu acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permitia a frequência de disciplinas de formação especializada nos Conservatórios, a par das de formação geral numa escola à sua escolha.
Promovida pela Unesco, teve lugar em Lisboa, em 2006, a 1ª Conferência Mundial de Educação Artística, da qual resultaram orientações importantes no domínio da educação artística. A sua aplicabilidade foi debatida no ano seguinte na Conferência Nacional de Educação Artística. Que repercussões têm tido eventos como estes no ensino da Música em Portugal?
O Ministério da Educação insiste agora na avaliação dos professores mas não deveria ser o próprio Ministério a ser objecto de avaliação, entre outras coisas, pela sua manifesta desatenção relativamente ao ensino da Música?
Ainda vamos a tempo de investir numa formação musical de qualidade desde o jardim de infância, da qual a Matemática, bem como as outras áreas possam vir a beneficiar e de que possa resultar um maior equilíbrio emocional dos jovens.
Sigamos então as tão apregoadas “boas práticas”: sigamos o exemplo da Finlândia onde os pais podem mandar os filhos para escolas de música patrocinadas pelo estado desde tenra idade; sigamos o exemplo da própria Venezuela (retratado numa reportagem transmitida na televisão há dias), onde a fundação «El Sistema» recorre à música para reabilitar, ensinar e proteger crianças de meios desfavorecidos, prevenindo comportamentos criminosos...!
Leibniz (filósofo e matemático alemão) afirmou: Musica est exercitium arithmeticae occultum nescientis se numerare animi (A música é o exercício oculto de matemática do espírito que não se apercebe que calcula).
Os fracos resultados dos estudantes portugueses na disciplina de matemática estarão, seguramente, na proporção exacta do desprezo que tem sido dado ao ensino da Música na Escola Pública.

Isabel Guerreiro
Professora de Educação Musical do Ensino Público
Monte Estoril
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